Os acionistas da Vale elegeram nesta quarta-feira (22) o conselheiro da mineradora Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do conselho de administração, em um movimento apoiado pela principal acionista, a Previ, após semanas de tensões relacionadas à governança corporativa.
Ollie, que já atuava como conselheiro da Vale desde 2021 e como lead independent director (LID) desde 2023, foi eleito presidente em assembleia extraordinária com quase 2 bilhões de votos favoráveis, após a Previ ter solicitado, em junho, a destituição do então chairman, Daniel Stieler, e manifestado apoio à sua candidatura.
Cerca de 105 mil votantes foram contrários à candidatura de Ollie e aproximadamente 1,4 bilhão se abstiveram.
Em nota à imprensa após a eleição, Ollie reafirmou o compromisso “inabalável” do conselho da Vale com o planejamento estratégico de longo prazo, assegurando a disciplina na alocação de capital e a retomada sustentável e consistente do protagonismo global da Vale.
“Para a plena execução dessa agenda, o Conselho continuará atuando em permanente convergência e sinergia com o Comitê Executivo”, afirmou o novo chairman.
O conselheiro Marcelo Gasparino também concorreu ao cargo de presidente do conselho, obtendo cerca de 1 bilhão de votos de aprovação, 1,19 bilhão de rejeição e 1,25 bilhão de abstenção.
Stieler, que ocupava a presidência do conselho da Vale desde 2023 e era membro do colegiado desde 2021, renunciou aos cargos de conselheiro e de presidente do conselho da Vale no início do mês, antes que a assembleia votasse nesta quarta-feira o pedido de sua destituição.
A eleição ocorreu após o conselho ter recomendado, por maioria, que os acionistas rejeitassem a proposta da Previ de destituir Stieler, em uma reunião presidida por ele próprio. Posteriormente, o conselheiro da mineradora indicado pela Previ, Marcio Chiumento, afirmou que essa reunião ocorreu em “clara situação de conflito de interesses”.
Nesta quarta-feira, alguns acionistas pediram a palavra na assembleia para fazer questionamentos relacionados a matérias publicadas nas últimas semanas sobre a empresa. Entre elas, uma reportagem do colunista de O Globo Lauro Jardim publicou um trecho de fala de Gasparino no conselho, no qual ele afirmou que Stieler teria informado o colegiado sobre pressões externas na empresa.
A Previ, que detém aproximadamente 7% da Vale e administra os planos de aposentadoria dos funcionários do Banco do Brasil, argumentava que Ollie ajudaria a fortalecer a governança de uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo.
O executivo tem mais de 45 anos de experiência em finanças corporativas e estratégia, principalmente no setor de mineração, em empresas como Anglo American e De Beers.
Ainda durante a assembleia desta quarta-feira, os acionistas elegeram Ieda Gomes Yell como membro do conselho, para a cadeira deixada por Stieler.
As ações da Vale subiam cerca de 3% após a assembleia de acionistas, superando o desempenho do principal índice da bolsa paulista B3, o Ibovespa, e eram impulsionadas também pelos números de produção de minério de ferro da companhia no segundo trimestre publicados na noite de terça-feira.