Entre os donos dos dez maiores patrimônios do Brasil, os caminhos acadêmicos são tão diversos quanto as trajetórias que os levaram ao topo.
Alguns concluíram a graduação no exterior, outros estudaram em instituições brasileiras e um dos integrantes não possui registro de ensino superior.
O grupo que lidera a Lista Forbes Bilionários Brasileiros reúne tanto herdeiros quanto seis bilionários self-made, ou seja, que construíram suas próprias fortunas.
Os diplomas vêm de instituições de prestígio internacional, como Harvard e UCLA, universidades federais brasileiras, como UFRJ, UFPR e UFRGS, e a tradicional FGV (Fundação Getulio Vargas).
Entre os cursos, Economia é o mais frequente, mas Administração e Ciência da Computação também aparecem na lista, além de História, Farmácia, Artes e Agronomia.
A seguir, confira onde e o que estudaram os 10 maiores bilionários do Brasil
Eduardo Luiz Saverin
Fortuna: R$ 162,9 bilhões
Idade: 44
Formação: Economia pela Universidade Harvard

O cofundador do Facebook formou-se em Economia com honras em 2006. Durante o período universitário, ao lado de Mark Zuckerberg e outros colegas, estruturou e criou a rede social nos alojamentos da instituição. Residente em Singapura desde 2012, hoje possui ações da Meta e da B Capital, empresa de investimentos focada em startups. Em julho de 2026, a gestora anunciou a criação do fundo de venture capital Ascent Fund III, que captou US$ 500 milhões para investir em startups de inteligência artificial, com ênfase em saúde e energia na América do Norte e na Ásia.
Vicky Sarfati Safra e família
Fortuna: R$ 130,6 bilhões
Idade: 74
Formação: Sem registros de formação superior
Casou-se aos 17 anos com o banqueiro Joseph Safra e não há registros de que tenha ingressado no ensino superior. Atuou em conselhos filantrópicos da família por décadas e assumiu a gestão do patrimônio após o falecimento do marido, em 2020. Hoje, lidera a Vicky and Joseph Safra Philanthropic Foundation, que patrocina iniciativas de saúde, educação e artes. Entre os filhos, Jacob, David e Alberto são formados em economia com especialização em finanças pela Wharton School da Universidade da Pensilvânia. Esther é educadora e dirige uma escola criada pela fundação da família Safra.
Jorge Paulo Lemann e família
Fortuna: R$ 103,5 bilhões
Idade: 86
Formação: Economia pela Universidade Harvard

Concluiu a graduação em Economia em três anos, em 1961, enquanto conciliava a grade curricular com o circuito de tênis profissional. Depois, fundou empresas como o Banco Garantia e a 3G Capital, e ajudou a criar a cervejaria Ambev. O negócio brasileiro expandiu-se por meio de fusões internacionais até se transformar na multinacional AB InBev, da qual ele é hoje acionista controlador. Além do setor de bebidas, detém participações na Restaurant Brands International (dona do Burger King e Tim Hortons) e na imobiliária São Carlos Empreendimentos.
Entre os seis filhos do bilionário, Paulo Alberto e Jorge Felipe formaram-se em Economia pelas instituições cariocas Universidade Candido Mendes e PUC-Rio, respectivamente. Já Marc e Lara estudaram na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, onde concluíram os cursos de Economia e Ciência Política. Anna Victoria e o caçula, Kim, mantêm perfis reservados e não possuem formações acadêmicas divulgadas publicamente.
André Santos Esteves
Fortuna: R$ 66,1 bilhões
Idade: 58
Formação: Ciência da Computação e Matemática pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Em 1989, quando ainda estudava na UFRJ, foi contratado como analista de sistemas do antigo Banco Pactual. Quatro anos depois, tornou-se sócio. Entrou no ranking dos bilionários em 2005, aos 37 anos, e mantém-se na lista desde então. Hoje, é o principal acionista individual do banco BTG Pactual.
Fernando Roberto Moreira Salles
Fortuna: R$ 50,3 bilhões
Idade: 80
Formação: Administração pela FGV (Fundação Getulio Vargas)

Primogênito do banqueiro Walther Moreira Salles, Fernando formou-se em Administração com ênfase em Finanças e Mercado de Capitais pela FGV. Hoje, é acionista do Itaú Unibanco por meio da Companhia E. Johnston de Participações. Entre os negócios da família está a mineradora Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder mundial na produção de nióbio. Em 2022, em um processo de reestruturação, Fernando comprou parte da fatia dos irmãos Walther Júnior e João, assumindo 50% do controle da mineradora. A E. Johnston possui cerca de 33% das ações do Itaú.
Pedro Moreira Salles
Fortuna: R$ 46,6 bilhões
Idade: 66
Formação: Economia e História pela UCLA (Universidade da Califórnia)

Terceiro filho do banqueiro Walther Moreira Salles, optou por uma dupla graduação em Economia e História nos Estados Unidos. Posteriormente, complementou os estudos com um mestrado em Relações Internacionais pela Universidade Yale. Assim como os irmãos Fernando, Walter Júnior e João, é acionista do Itaú Unibanco por meio da Companhia E. Johnston de Participações, além de copresidente do conselho de administração do banco. Em fevereiro de 2026, anunciou sua renúncia à presidência do conselho da Alpargatas para lecionar na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, onde passará a residir. O cargo na Alpargatas foi transferido a seu filho, João Moreira Salles.
Max Van Hoegaerden Herrmann Telles
Fortuna: R$ 38,8 bilhões
Idade: 30
Formação: Bacharelado em Artes com formação secundária em Economia pela Wake Forest University
Filho de Marcel Herrmann Telles (sócio da 3G Capital), graduou-se no modelo americano de artes liberais, que exige a conclusão de um currículo multidisciplinar, complementado pela especialização em economia. Nascido em São Paulo em 1995 e residente em Nova York, o herdeiro estreou na lista em 2024. Recentemente, assumiu a participação do pai na AB InBev.
Miguel Gellert Krigsner
Fortuna: R$ 35,7 bilhões
Idade: 76
Formação: Farmácia e Bioquímica pela UFPR (Universidade Federal do Paraná)

Nascido em La Paz, na Bolívia, e filho de judeus que fugiram do nazismo, mudou-se para Curitiba aos 11 anos. Graduou-se na UFPR em 1975 e, em 1977, fundou a farmácia de manipulação que daria origem a O Boticário, destacando-se como um dos pioneiros no sistema de franquias no Brasil. Atualmente, a rede controla marcas como Eudora, Quem Disse, Berenice?, Beautybox, Vult e O.U.i. Ao lado do cunhado e sócio Artur Grynbaum, investe na Cia. Tradicional de Comércio, dona de redes paulistanas como Pirajá, Lanchonete da Cidade e Bráz Pizzaria. Em 2025, o Boticário obteve faturamento recorde, com vendas de R$ 38,1 bilhões.
Carlos Alberto da Veiga Sicupira e família
Fortuna: R$ 35,4 bilhões
Idade: 78
Formação: Administração de Empresas pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Sócio de Lemann e Telles na 3G Capital, obteve sua graduação na universidade federal carioca. Assim como os demais sócios da gestora, Sicupira enfrenta um cenário desafiador após o impacto da crise da Americanas no início de 2023. No entanto, a participação na AB InBev sustenta o patrimônio do trio. Após vender sua fatia na Kraft Heinz, a 3G Capital permaneceu sem fazer grandes aquisições até o início de 2025, quando comprou a empresa de calçados Skechers.
As três filhas do empresário trilharam caminhos distintos. Com maior presença nos conselhos corporativos da família, Cecília formou-se em Administração de Empresas pela American University, nos Estados Unidos. Helena cursou a mesma graduação pela PUC-Rio e direcionou sua base acadêmica para o mercado de moda, setor onde fundou a marca Etoiles. Heloísa, a terceira herdeira, mantém perfil reservado e não possui registros públicos sobre sua formação universitária.
Ricardo Castellar de Faria
Fortuna: R$ 35,1 bilhões
Idade: 51
Formação: Engenharia Agronômica pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)

Engenheiro agrônomo, o carioca Faria é fundador e presidente dos conselhos da Granja Faria, da Insolo e da RCF Capital, além de presidir a Associação Catarinense de Avicultura. Criada em 2006, a granja é a maior produtora de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia do Brasil. A companhia emprega 2.700 funcionários em 34 unidades e fornece cerca de 16 milhões de ovos diariamente. A estratégia de expansão internacional incluiu a compra da americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão em 2024 e do Grupo Hevo, da Espanha, em 2025. Em março de 2026, a gestora Warburg Pincus adquiriu uma participação na Global Eggs (holding do grupo), elevando o valor de mercado da empresa para US$ 40 bilhões.
Metodologia
A lista Forbes Bilionários Brasileiros considera várias fontes para apontar que alguém atingiu a fortuna de R$ 1 bilhão ou mais. A informação mais importante são as ações listadas em bolsa, com base na cotação de fechamento de 30 de junho de 2026. Além de públicos, esses dados são oficiais e auditados. Uma vez que a lista considera apenas as informações públicas, os patrimônios podem estar subestimados. Na maioria dos casos não são considerados itens como imóveis, obras de arte, aviões ou embarcações, exceto se o participante da lista concordar em fornecer dados confiáveis sobre eles. Dependendo do caso, o patrimônio de irmãos ou familiares pode ser consolidado ou separado.
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