Com investimentos de US$ 23,8 milhões, Pratt & Whitney inaugura centro de serviços em BH

Unidade está equipada para suprir aumento da demanda em manutenção de motores de aeronaves esperado nos próximos anos.

Forbes Daily, por Gabriela Arbex
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Vista do campo de provas, programado para entrar em operação em janeiro

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A capital mineira ganhou ontem (10) um novo centro de serviços para manutenção e reparos de motores de aeronaves. A iniciativa, uma parceria da Pratt & Witney, divisão da United Technologies Corp., e da brasileira Indústria de Aviação e Serviços (IAS), reforça o atendimento da empresa canadense em território brasileiro, atualmente formado por oficinas em Manaus (AM), Barreiras (BA) e Sorocaba, interior de São Paulo.

“O Brasil ocupa, atualmente, a terceira posição no que diz respeito a motores em operação, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá. Dos 65 mil que existem hoje em funcionamento, pouco mais de 5% estão aqui, ou cerca de 3,4 mil. E o crescimento tem sido expressivo”, diz Renato Rafael, general manager da Pratt & Whitney e o executivo à frente da operação mineira. “A Força Aérea Brasileira tem mais motores em operação hoje do que a instituição equivalente no Canadá.”

A unidade, construída nas dependências da IAS, consumiu US$ 23,8 milhões em investimentos só da Pratt & Whitney e passará a ser o principal centro de serviços da empresa no Brasil, responsável por todo o portfólio de serviços, principalmente para as famílias de motores PT6A (cerca de 60%) e PW200 (11%), e pela interface com o cliente. A parceira, que não revelou o aporte feito no negócio, ficará responsável por supply chain, gestão do sistema de qualidade, operações financeiras e tudo que estiver diretamente relacionado ao trabalho administrativo, além do reparo de alguns componentes e acessórios.

“O Brasil também já é o segundo mercado em aeronaves para o agronegócio, atrás apenas dos Estados Unidos, e a previsão é de que, em breve, conquiste o primeiro lugar nesse ranking”, diz Rafael. “Já são mais de 400 modelos Air Tractor e 1 mil Pilatus voando em território nacional.”

A escolha de Belo Horizonte para a empreitada foi motivada por uma série de razões. Uma delas é a localização geográfica, ideal para suprir São Paulo, Rio de Janeiro e o próprio estado de Minas Gerais, responsáveis pela maior demanda do país. “Além disso, tem a colaboração com a IAS, fundamental para o negócio, mão de obra especializada, a proximidade com o Aeroporto Internacional de Confins e a abertura do governo”, explica Rafael. Sem muitos detalhes, o executivo afirmou que o estímulo público foi dado por meio de benefícios fiscais.

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Rafael conta que o principal objetivo do espaço, que empregará 50 funcionários diretos e ainda contará com um campo de provas, programado para entrar em operação no final de janeiro, é melhorar e baratear o serviço de manutenção – que pode facilmente atingir cifras entre US$ 200 mil e US$ 300 mil. “Muitas coisas que precisavam ser enviadas para fora do país poderão ser executadas aqui. Isso vai reduzir custos com logística, seguros e taxas, além dos riscos e do tempo.” Só com a logística, o executivo estima uma redução de cerca de US$ 15 mil. No total, a estimativa é uma economia entre 20% e 25%. “Isso sem falar do custo intangível causado pelo tempo em que as aeronaves ficam paradas.”

No curto prazo, a expectativa da companhia, que tem faturamento mundial acima de US$ 55 bilhões por ano, é executar cerca de uma centena de serviços anualmente. Mas a ideia é que esse volume aumente em breve. “Fora a aviação comercial, que anda de lado no Brasil, todos os demais setores têm grande potencial de crescimento. Além das aeronaves que abastecem o agronegócio e os helicópteros, que têm experimentado incrementos de dois dígitos ano a ano, o segmento de óleo e gás também vem vivendo uma mudança de cenário que exige mais equipamentos. O mesmo vale para a aviação executiva.”

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Tecnologia em prol da indústria cafeeira

A IBM e a Enveritas, ONG norte-americana que tem como objetivo levar práticas sustentáveis ao desenvolvimento econômico e social dos pequenos cafeicultores, assinaram um projeto conjunto para a realização de testes do AgroPad. A tecnologia, baseada em inteligência artificial, foi desenvolvida pelo laboratório de pesquisa da subsidiária brasileira e permite a análise química e remota do solo. O dispositivo de papel, do tamanho de um cartão de visita, tem embutido um pequeno chip que, em contato com uma amostra de solo, reage mostrando diferentes cores de acordo com a concentração de elementos, como pH, alumínio, nitrito, magnésio e cloreto. A análise detalhada é realizada por um aplicativo para smartphone, que coleta e analisa os dados e fornece resultados ao usuário. A IBM e a Enveritas já conduziram testes iniciais este ano em pequenas propriedades rurais em Uganda. Testes de campo adicionais estão em andamento atualmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. O objetivo é que o recurso ajude na meta de acabar com a pobreza global no setor cafeeiro até 2030 e forneça meios para ajudar todos os cafeicultores a participarem de uma indústria globalmente sustentável em termos sociais, econômicos e ambientais.

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Um pé na Ásia e outro na Europa

O grupo Royal DeHeus, especialista em nutrição animal, anunciou a inauguração de uma unidade de produção de rações para aquacultura em Myanmar, na Ásia. A nova instalação, situada no município de Myaung, que fica próximo a Yangon, maior cidade do país, permite que a companhia produza mais de 200.000 toneladas de ração para aquacultura por ano. A companhia revelou, ainda, a aquisição da fábrica espanhola de alimentos para animais Evialis Galicia, da Archer Daniels Midland Company. Localizada em Sada, perto da Corunha, a empresa produzi mais de 50.000 toneladas de alimentos compostos anualmente. “Essa compra reforça nossa posição de mercado na Espanha e vai permitir melhorar nosso serviço de logística para clientes nesta região”, afirma Jean François Honoré, gerente geral da Heus Iberia.

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