Flávio Rocha: Na luta contra a pandemia, o empresariado aposta no movimento pró-sertão

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Pró-Sertão é um programa criado em 2013, com objetivo de interiorizar a indústria têxtil e incentivar a geração de empregos na região do semiárido do Rio Grande do Norte

Pressionadas pelo travamento da economia, as empresas brasileiras estão respondendo à altura do enorme desafio mundial que representa a pandemia do novo coronavírus. Líderes do setor privado compreenderam de imediato a dimensão social da crise com potencial devastador e partiram para a ação concreta, com doações substanciais à população mais vulnerável ou exposta ao risco.

Em momentos ameaçadores como o que vivemos, a solidariedade se impõe. Ela está sendo praticada pela sociedade como um todo. Cidadãos que viram sua renda diminuir não deixam de contribuir, dentro de suas possibilidades, com os menos favorecidos ou com os que se arriscam em prol da comunidade, sejam eles profissionais da saúde, sejam entregadores.

O empresariado, da mesma maneira, não fugiu à sua responsabilidade. Ao contrário. Mesmo com as vendas em queda livre, muitas companhias vêm contribuindo com recursos substanciais para mitigar a situação de penúria para a qual o país foi repentinamente tragado.

“Mesmo com as vendas em queda livre, muitas companhias vêm contribuindo com recursos substanciais para mitigar a situação de penúria para a qual o país foi tragado”

Um balanço provisório revela que mais de R$ 5 bilhões já foram doados por empresas, na forma de dinheiro, produtos e serviços. A cifra é equivalente a quase a metade da receita estimada para este ano de um estado como o Rio Grande do Norte. Embora esteja longe de ser suficiente, não é um número desprezível. E o volume cresce a cada dia, com novas adesões e a intensificação das ações dos contribuintes de primeira hora.

Ações humanitárias não devem ser objeto de publicidade, até porque tendem a fazer mais bem a quem as pratica. Portanto, se relato a seguir o caso do Grupo Guararapes, não o faço com o objetivo de enaltecer a iniciativa de um conglomerado de cujo Conselho de Administração sou presidente. Meu fito é tão-somente apresentar um case que pode ser replicado, em benefício dos que mais carecem de auxílio.

O grupo, do qual faz parte a Riachuelo, realizou doação de R$ 18 milhões até meados de maio. A quantia aumenta a cada dia, na medida em que a empresa aprova solicitações recebidas de entidades dedicadas ao amparo daqueles que, de um jeito ou de outro, são vítimas de uma crise tão inesperada quanto profunda. O número, de qualquer maneira, não conta a história toda.

A contribuição é focada naquilo que a empresa mais sabe fazer: confecção. Em parceria com o governo do Rio Grande do Norte, onde estão situadas suas fábricas, o grupo está entregando 7 milhões de máscaras de tecido, ou seja, duas por habitante. O material está sendo destinado a hospitais para ser distribuído a acompanhantes de pacientes, de maneira que as máscaras descartáveis possam ser usadas apenas pelos profissionais da saúde. Jalecos, aventais, toucas e até roupa de moda feminina também estão sendo disponibilizados. A ação se estende a estados mais afetados, como Amazonas, Ceará, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo.

O case a que me referi tem a ver com a estratégia de produção desses itens. Com suas fábricas temporariamente fechadas, o grupo acionou as cerca de 80 oficinas que integram o Pró-Sertão, um programa criado em 2013, com objetivo de interiorizar a indústria têxtil e incentivar a geração de empregos na região do semiárido do Rio Grande do Norte.

Longe dos centros urbanos, essas pequenas cidades da região do Seridó estão fora da rota do vírus – com nenhum caso registrado – e podem continuar trabalhando sem restrições, gerando renda local e viabilizando a ação humanitária nacional.

Com a crise da Covid-19, o Brasil teve a certeza de que pode contar com seu empresariado.

Flávio Rocha é Presidente do Conselho de Administração do Grupo Guarapes

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