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Embrapa conclui que vacas mais bravas produzem maior quantidade de metano

Pesquisa pode ajudar os produtores no manejo dos animais visando uma maior sustentabilidade das fazendas

3 min
Embrapa/Divulgação
Embrapa/DivulgaçãoEm pesquisa, órgão também concluiu que animais “reativos” produzem menos leite e emitem mais metano

Em parceria com o departamento de zoologia do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG), a Embrapa Gado de Leite, unidade que também está localizada neste município mineiro, realizou uma pesquisa para entender como o temperamento de uma vaca pode afetar o seu metabolismo e, consequentemente, na produção de leite e metano.

Acompanhando 28 vacas cruzadas da raça girolando (F1) de primeira cria, a pesquisadora da Embrapa, Mariana Campos concluiu que vacas mais bravas chegam a emitir quase 40% a mais de metano entérico por quilo de leite, quando comparado às vacas mais calmas.

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“Analisamos o temperamento de cada indivíduo, identificando os mais calmos e os mais reativos por meio de comportamentos como passos, coices e a ocorrência de defecação e micção durante o processo de ordenha e no curral de manejo por meio indicadores como a agitação dos animais no tronco de contenção, a velocidade de saída dos animais do tronco e velocidade de fuga em relação a um observador desconhecido”, explica a pesquisadora sobre a metodologia.

Além da emissão de metano, o estudo também verificou que as vacas mais reativas destinaram 25,24% menos energia líquida para a lactação, o que resulta na queda de produtividade dos animais. Segundo a Embrapa, a pesquisa “comprova que a adoção de protocolos de doma racional e o melhoramento animal focado na busca por animais mais dóceis podem ser importantes estratégias para que as metas de descarbonização sejam atingidas”.

Mariana diz que avaliar a  pecuária de leite do país a partir da raça girolando tem peso pelo volume de leite desses animais na produção nacional. O girolando é uma raça sintética desenvolvida para as condições tropicais, unindo duas raças de temperamentos diferentes: gir leiteiro e holandês. “O resultado do cruzamento dessas raças trouxe como consequência, um animal rústico e com boa produção de leite; no entanto são mais ariscos à ordenha. O treinamento de novilhas para a primeira ordenha é uma técnica bastante adequada aos rebanhos de leite no Brasil devido à utilização de animais mestiços ou zebuínos”, afirma Mariana. “Animais com temperamento mais reativo são indesejáveis para uma pecuária eficiente e sustentável.” O Brasil produz atualmente cerca de 35 bilhões de litros de leite anualmente.

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