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“We Love Brazilian Soybean”, Diz o Chinês Suping Geng, de Olho no Que se Planta Aqui

Saiba por que a DBN Biotech montou um quartel-general no país e quer fazer a partir das lavouras brasileiras a “Nova Rota da Soja”

4 min

Na semana passada, o chinês Suping Geng, 53 anos, era um dos 2.500 participantes do 10º Congresso Brasileiro da Soja (CBS), em Campinas (SP), o mais importante evento deste setor e que ocorre a cada dois anos. Há quatro anos Geng reside na capital paulista, a 17 mil quilômetros da sua terra natal, Xangai, e não esconde sua paixão pelo churrasco brasileiro. Mas em Campinas ele falava de outra paixão: “We love brazilian soybean”, disse ele à Forbes, sentado numa banqueta de um pequeno estande laranja com letreiro em sua língua.

“Estamos aqui porque o Brasil é o maior produtor de soja, a China, o maior comprador, e porque os dois países têm boas relações comerciais”, afirma Geng, que passou pelo Dunhuang Seed Group e Syngenta. Geng chegou ao Brasil como vice-presidente de negócios para América Latina da DBN Biotech, com uma missão: emplacar por aqui a biotecnologia desenvolvida pela empresa fundada em 2011 e especializada no desenvolvimento de soluções para a agricultura, principalmente a soja, cujo principal comprador é a própria China num cenário que somente tende a crescer.

“Produtos genéticos, comerciais ou químicos desenvolvidos pela China, voltam para a China. Então, o uso de tecnologia chinesa em produtos que são vendidos para lá ajuda na segurança alimentar do meu país”, diz Geng. “Estamos tratando de produtos mais seguros.” É como se a sua principal tarefa fosse convencer o mercado brasileiro da possibilidade de uma “nova rota da soja”, uma referência à “nova rota da seda”, iniciativa geopolítica e econômica lançada por seu país em 2013 para redesenhar a infraestrutura do comércio global.

Localizada no distrito de Zhongguancun, em Beijing, a DBN Biotech é dona do DBN Phoenix International Innovation Park, um complexo de pesquisa, desenvolvimento e inovação em biotecnologia com cerca de 160 mil m².

Eles já desenvolveram sementes OGM (geneticamente modificadas) de variedades de soja aprovadas para cultivo e uso no Brasil em abril deste ano, autorizados pela agência reguladora Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). “Agora, estamos na fase de testes”, diz ele. A empresa está plantando três variedades de soja transgênica com resistência a insetos e herbicidas.

A meta da DBN é se consolidar no país como um grande fornecedor de sementes de soja geneticamente modificadas até 2028. “A ideia é disponibilizar essas sementes para o produtor em três anos, e em 10 anos queremos chegar a 30% de participação de mercado no Brasil”, disse Geng. A empresa também está fazendo testes com milho e algodão.

Hoje, 97% da oleaginosa embarcada tem tecnologia de transgenia da das norte-americanas Bayer e Corteva Agriscience, da alemã Basf e da suíça Syngenta, atualmente sob controle da estatal chinesa ChemChina. Mas há outras empresas de peso da biotecnologia chinesa que querem entrar na competição, como a LongPing High-Tech e a KingAgroot, que já pediram autorização à CTNBio para testar suas sementes de soja no Brasil, além da DBN Biotech que também está na Argentina, Paraguai e Uruguai.

Mas Geng conta que o Brasil não sai do foco. Não por acaso, no desenvolvimento de biotecnologias, os dois países vêm “tendo boas conversas”. Na visita do presidente Lula à China em abril de 2023, foram assinados acordos de cooperação que envolviam áreas de ciência, tecnologia e biotecnologia. Em nova ida ao país em maio deste ano, o governo brasileiro também assinou acordos bilaterais com empresas chinesas nas áreas de tecnologia e biotecnologia e saúde.

“Foi a primeira vez que essa pauta esteve presente em acordos entre os dois países. Criamos um vínculo pela biotecnologia, com um grande produtor e um grande comprador alinhados”, disse Geng.

A cooperação entre os dois países pode fazer com que cultivares já aprovadas no Brasil, que ainda não são plantadas por falta de aprovação chinesa, possam ser liberadas mais rapidamente. A China já compra soja geneticamente modificada do Brasil, mas a aprovação depende dos órgãos de fiscalização do país com suas regulações próprias, o que pode demorar.

A ideia é destravar o envio dessas variedades e manter as regras regulatórias dos dois países na mesma página. Um exemplo é o Laboratório Nacional da Baía de Yazhou, voltada para inovação em melhoramento de sementes e biotecnologia agrícola em Hainan, que também fez uma parceria com a Embrapa Soja, unidade de Londrina (PR), e organizadora do Congresso da Soja, para ampliar as pesquisas de biotecnologia para a cultura.

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