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Quem É o Engenheiro Formado no ITA Que Lidera os Negócios de Soja da Bayer no Brasil

Fabiano Oliveira explica por que a próxima expansão da oleaginosa deverá vir menos da abertura de novas áreas e mais da inovação no campo

6 min

“O impressionante no mercado da soja, é o impacto que essa cultura tem para a economia brasileira. Não é à toa que hoje o Brasil lidera em produtividade e em exportação,” diz Fabiano Oliveira, líder dos negócios de soja da Bayer no Brasil. Poucas culturas agrícolas ajudam a explicar tão bem a transformação econômica do Brasil quanto a soja. Aos 42 anos, o engenheiro mecânico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) é quem lidera o negócio de sementes e biotecnologia para soja da Bayer no Brasil. A posição o coloca no centro de uma das estratégias mais relevantes da companhia alemã, cuja divisão agrícola responde por quase metade do faturamento global.

Em 2025, a Bayer faturou globalmente de € 45,6 bilhões (R$ 269,2 bilhões). Desse total, € 21,6 bilhões (R$ 127,7 bilhões) vieram da divisão Crop Science, responsável pelos negócios de sementes, biotecnologia, defensivos agrícolas, produtos biológicos e agricultura digital.

Em pouco mais de cinco décadas, a soja saiu de uma produção concentrada no Sul do País para ocupar quase 47,5 milhões de hectares, consolidar o Brasil como maior produtor e exportador mundial e ajudar a movimentar um mercado global estimado em US$ 160 bilhões (R$ 880 bilhões, na cotação atual), segundo a consultoria Mordor Intelligence.

Para a consultoria indiana, até 2031, esse valor poderá alcançar US$ 229,4 bilhões (R$ 1,26 trilhão), impulsionado pela demanda mundial por alimentos, biocombustíveis e matérias-primas para uma indústria que começa a descobrir novos usos para a oleaginosa. A disputa por uma fatia deste mercado é acirrada com demais nomes como Syngenta, Corteva, BASF e UPL. É nesse cenário que trabalha Oliveira.

Carreira no agronegócio

Curiosamente, o executivo não imaginava construir carreira no agro. Natural de Mogi Mirim, no interior paulista, iniciou a vida profissional na consultoria estratégica, desenvolvendo projetos para bancos, mineração, infraestrutura e indústria. Foi durante um trabalho ligado ao agro que surgiu o convite para ingressar na Monsanto, empresa posteriormente adquirida pela Bayer.

Desde então, passaram-se 17 anos entre projetos de inteligência de mercado, desenvolvimento de negócios e o lançamento da plataforma Intacta, até assumir a liderança da operação de soja, reportando-se diretamente ao presidente da Bayer Brasil, Marcio Santos.

“Para mim, ao longo da carreira, alguns momentos que me trouxeram inspiração foram materializar o impacto de onde eu estava trabalhando para a sociedade brasileira, para a economia brasileira.”

Brasil, líder mundial da soja

Lucas Ninno/Getty ImagesColheita de soja em plena operação no País

A inspiração de Oliveira faz sentido quando os números desta lavoura entram na conversa. O Brasil é o maior produtor mundial do grão. Na safra 2026/27, a produção brasileira é projetada em 186 milhões de toneladas, o que pode representar 42,1% da safra global de soja, projetada em 441,5 milhões de toneladas, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês).

Em 2025, as exportações brasileiras do complexo soja (grãos, farelo e óleo) foram de 108,2 milhões de toneladas, com receitas de US$ 43,5 bilhões (R$ 225 bilhões). Esse cenário ajuda a explicar por que o Brasil ocupa uma posição estratégica dentro da companhia. Nenhum outro país reúne, ao mesmo tempo, a escala de produção, o nível de adoção tecnológica e a capacidade de expansão que a agricultura brasileira oferece. É aqui que a Bayer testa e desenvolve parte das tecnologias que deverão definir o próximo ciclo da produção mundial de soja.

E esse novo ciclo, na avaliação de Oliveira, já começou. Até pouco tempo, a expansão da soja brasileira era explicada principalmente pela incorporação de novas áreas ao sistema produtivo. Agora, a lógica começa a mudar. O crescimento da área plantada desacelera, enquanto a produtividade ganha protagonismo.

Na safra atual, a área cultivada aumentou 3,2%, chegando a 47,5 milhões de hectares. Já a produtividade média avançou 11,2%, alcançando 3.560 quilos por hectare, resultado que evidencia uma agricultura cada vez mais dependente de genética, manejo, informação e tecnologia.

“Quando a gente olha para frente, percebe que ainda existe muito espaço para crescer. Mas esse crescimento passa cada vez mais pelo aumento da produtividade e pela agregação de valor”, afirma o executivo.

Muito além da China

Durante mais de duas décadas, a ascensão da soja brasileira esteve diretamente ligada ao crescimento da demanda chinesa. O país asiático continuará sendo um dos principais compradores do grão nacional, mas, para Oliveira, a próxima onda de expansão deverá ser sustentada por novos mercados.

“A China vai continuar sendo relevante para a alimentação humana. Talvez o ritmo de crescimento diminua, mas existem outras oportunidades, talvez até maiores”, afirma.

Na avaliação do executivo, uma dessas frentes é a agroindustrialização. Embora o Brasil seja líder mundial na produção e exportação da oleaginosa, boa parte da riqueza ainda deixa o País na forma de grão ou farelo. O processamento interno pode ampliar a geração de valor e abrir espaço para novos segmentos industriais.

A oportunidade está nos biocombustíveis

GettyimagesBiodiesel puxa desempenho da cadeia da soja

“O tamanho do mercado de combustíveis fósseis hoje mostra que basta uma pequena parcela ser substituída por biodiesel produzido a partir do óleo de soja para termos um mercado bastante significativo”, afirma. Na prática, a soja deixa de ser apenas uma commodity agrícola para se tornar matéria-prima de uma economia que reúne alimentos, energia e indústria.

Oliveira também enxerga espaço para um novo mercado ligado à sustentabilidade. Segundo ele, a possibilidade de produzir duas ou até três safras por ano na mesma área coloca o Brasil em posição privilegiada para desenvolver sistemas de agricultura regenerativa e ampliar a geração de créditos de carbono.

“O Brasil tem uma oportunidade gigantesca quando pensamos em sustentabilidade. Agricultura regenerativa e crédito de carbono podem trazer ainda mais prosperidade para o agro brasileiro”, afirma.

Não por acaso, a estratégia da Bayer acompanha essa transformação. A companhia passou a enxergar a soja não apenas como uma cultura agrícola, mas como uma plataforma capaz de concentrar praticamente todas as tecnologias que deverão moldar a agricultura nas próximas décadas.

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