Uma nova leva de bebidas funcionais está prestes a dominar a prateleira dos prontos para beber, inaugurando uma era mais moderna de incorporar proteína facilmente em nossas dietas. Hoje, os cofundadores da Slate Milk, Manny Lubin e Josh Belinsky, anunciaram que a marca arrecadou US$ 23 milhões (R$ 122,6 milhões na cotação atual) em uma rodada de financiamento Série B. Liderado pela Foundership, um novo fundo criado pelos cofundadores do iogurte grego congelado Yasso, Drew Harrington e Amanda Klane, o dinheiro permitirá que a Slate continue seu avanço rumo à ubiquidade, alcançando 100.000 pontos de distribuição em 20.000 lojas em todo o país até o final de 2025.
A Slate também anunciou a expansão da linha com vários lançamentos, incluindo um leite de morango com 20 gramas de proteína no Sprouts Farmers Market, um leite de cookies & cream com 30 gramas de proteína no Target e um sabor de caramelo salgado com 30 gramas de proteína no Walmart e nas bandeiras Albertsons. Novas opções “Ultra” com 42 gramas de proteína nos sabores chocolate, baunilha e caramelo salgado também estarão disponíveis em varejistas em todo o país.
“Em lojas onde antes tínhamos apenas nossos lattes prontos para beber, agora estamos adicionando nossos shakes, e vice-versa. Estamos conquistando novos parceiros e aprofundando a execução com os parceiros já existentes”, diz Lubin.
O crescimento impressionante se deve à entrada precoce da Slate no espaço de produtos ricos em proteína, um pouco antes de esse segmento atrair atenção do grande público, estando pronta para atender a demanda assim que os consumidores mais desejaram. As proporções de macronutrientes da Slate são praticamente imbatíveis, em grande parte graças ao uso de leite ultrafiltrado. É uma bebida proteica que reescreve o público-alvo dessas bebidas.
“Não somos filhos de produtores de leite. Não tínhamos histórico algum com leite”, diz Lubin. “Somos apenas dois caras do subúrbio de Boston que gostam de leite com chocolate.”
Outro recomeço
A marca Slate evoluiu significativamente nos últimos seis anos desde seu lançamento, criando vários novos começos ao longo do caminho.
“Quando começamos, shakes de proteína eram vistos como suplementos”, diz Lubin.
Ele simplesmente queria um leite com chocolate, que amava quando criança, mas adaptado ao seu estilo de vida em evolução. “Existiam os leites achocolatados infantis e as bebidas proteicas artificiais. Era necessário algo no meio.”
Após lançar leites com chocolate mais modernos, Lubin e Belinsky perceberam que estavam construindo algo além da ideia inicial. “Percebemos que o mundo precisava de uma bebida saborosa, rica em proteína e melhor para a saúde, não apenas um leite com chocolate saudável”, diz Lubin. “Hoje, a demanda por dietas com mais proteína é ainda maior.”

A marca se expandiu para incluir diferentes leites e cafés com variados níveis de proteína, totalizando 20 produtos. Independentemente do tamanho que a linha atinja, algo sempre permanecerá: proporções impecáveis de proteína e laticínios de verdade. “Queremos os produtos mais saborosos com o melhor perfil de macronutrientes”, afirma Lubin.
A Slate não foca apenas em aumentar os níveis de proteína, mas em maximizar as proporções proteína-caloria e proteína-açúcar. “Temos 42 gramas de proteína e 190 calorias em nossa lata de 443 ml ‘Ultra’. Quase 170 dessas calorias vêm da própria proteína”, explica Lubin. “É naturalmente 80% proteína caseína e 20% proteína whey para construção muscular.” Em geral, parte da proteína não é biodisponível ou absorvida pelo corpo, mas a proteína do leite de vaca certamente é.
Mas nada disso importa se o produto não for consumido. Lubin sabe que o sabor é superior a qualquer outro fator para o sucesso. “Se as pessoas beberem apenas pela proteína, seremos apenas mais um suplemento”, diz ele. “Queremos uma bebida que as pessoas esperem com ansiedade porque é incrivelmente deliciosa.”
Um futuro ultrafiltrado
O principal motivo pelo qual a Slate consegue alcançar proporções tão impressionantes de proteína em relação ao açúcar é que o processo de ultrafiltração remove não apenas a lactose, mas também o açúcar, mantendo os nutrientes naturalmente benéficos do leite, algo que os leites vegetais não oferecem. O leite A2 é outra opção de baixo teor de lactose, mas quando Lubin e Belinsky descobriram o leite ultrafiltrado, as portas das possibilidades se abriram.
Enquanto o leite A2 vem de vacas criadas sem uma determinada proteína, o leite ultrafiltrado passa por um processo único para concentrar o leite depois de coletado. Isso é particularmente interessante para Lubin, que é intolerante à lactose. “Sempre soubemos que nosso produto seria sem lactose”, diz. “O ultrafiltrado já é menos açucarado, mais proteico e com menos lactose, mesmo antes da adição da enzima lactase.”
As proporções de macronutrientes que a Slate alcança não seriam possíveis com o leite de vaca comum. “Em nossa embalagem padrão, você teria 17 gramas de açúcar e apenas 11 gramas de proteína, açúcar demais e proteína de menos”, explica Lubin.
Marcas como Fairlife e Painterland Sisters também utilizam leite ultrafiltrado para produtos lácteos sem lactose. Embora ainda seja uma opção relativamente pouco conhecida, o leite ultrafiltrado vem se tornando mais familiar para o consumidor médio conforme esses produtos ganham mercado. “Quando começamos, havia apenas um pequeno fabricante trabalhando com ultrafiltração”, lembra Lubin. “Essa empresa agora é a maior produtora de leite ultrafiltrado do país.”
Os consumidores hoje buscam os nutrientes que o leite de verdade oferece, mas querem algo mais leve para o sistema digestivo. Dados da Nielsen IQ (NIQ) mostram que o mercado de leite de vaca nos Estados Unidos está avaliado em mais de US$ 12 bilhões (R$ 63,96 bilhões) e tem se mantido relativamente estável nos últimos anos, enquanto o mercado de lácteos sem lactose está em US$ 2,7 bilhões (R$ 14,39 bilhões), um aumento de 15% no último ano. O leite sem lactose ultrafiltrado especificamente, embora ainda seja um mercado menor, registrou aumento de 30% nas vendas no último ano.
A Slate obtém seu leite de cooperativas que trabalham com fazendas familiares. O permeado, subproduto do processo de ultrafiltração, é reaproveitado como ração animal e também ajuda na suplementação hídrica das fazendas.
“O leite ultrafiltrado será a próxima geração dos laticínios”, afirma Lubin.
Investindo em marcas relevantes
Com o anúncio de hoje, a Slate já levantou mais de US$ 50 milhões (R$ 266,50 milhões) desde o primeiro cheque em 2018, incluindo sua rodada semente de US$ 5 milhões (R$ 26,65 milhões). Investidores-anjo desta rodada incluem o ator Jonah Hill, o DJ Diplo e a rapper Ice Spice, sendo a Slate o primeiro investimento dela em uma empresa de consumo.
A Slate também é o maior investimento da Foundership, o novo estúdio de capital de risco criado por dois empreendedores que conhecem bem o mercado de laticínios modernos. Harrington e Klane venderam a Yasso para a Unilever em 2023. A Foundership atua com um braço de investimento e consultoria e outro de incubação de bens de consumo embalados (CPG).

“Muitas das oportunidades e desafios de crescimento da Slate são coisas que já vimos em nossas próprias vidas”, diz Harrington. “Eles tiveram uma grande ideia em uma grande categoria, assim como nós tivemos com a Yasso em sobremesas congeladas.”
A própria Yasso chegou a passar por uma leve queda quando os leites vegetais começaram a ganhar mais espaço nos últimos 10 a 15 anos, mas esse auge já começa a enfraquecer. Dados da NIQ mostram que o mercado de leites alternativos (em grande parte leite de amêndoas) não cresce desde 2023, registrando queda de 4 a 5% em cada um dos últimos dois anos, atualmente em US$ 2,3 bilhões (R$ 26,65 milhões).
“Nós mantivemos o rumo com a Yasso e provou ser a decisão certa. A Slate tem a mesma oportunidade à frente agora”, diz Harrington. “Eles têm dobrado o crescimento a cada ano.”
A RiverPark Ventures também é parceira de investimento da Slate, participando de múltiplas rodadas de financiamento. “A Slate conecta o amante de suplementos ao consumidor comum”, afirma o sócio Spencer Krug. “Hoje, proteína é uma categoria muito mais valorizada do que era há cinco anos… a Slate foi muito precoce nesse movimento.”
A RiverPark, que foi o primeiro investidor institucional na Spindrift, aponta para a crescente penetração da Slate em diferentes setores da vida cotidiana e para a forma como a marca abraça sua relevância cultural, destacada em suas parcerias com figuras como Maxx Crosby, do Las Vegas Raiders. A Slate também é parceira da UFC. Seu CEO, Dana White, tornou-se fã da Slate durante sua recente jornada de perda de peso. “Parece que a Slate atingiu uma velocidade de escape”, diz Krug. “Grande parte do sucesso deles vem de pessoas que espontaneamente procuram a marca.”
A diversidade da base de investidores da Slate demonstra a importância de construir um produto que dialogue com os apetites do consumidor moderno. Outros fundadores do setor, como Peter Rahal da Rx Bar, David Protein, Doug Bouton da Halo Top e Nick Rellis da Drizly também são investidores. “O consumidor da Slate não é apenas quem treina pesado na academia, mas também a mãe do dia a dia, o estudante a caminho da aula ou alguém que se exercita uma vez por semana”, diz Krug. “Produtos melhores para a saúde vão dominar as prateleiras dos supermercados.”
Harrington enfatiza sua afinidade em investir em fundadores que possuem compreensão cultural e empreendedora para transformar uma ideia simples em parte do zeitgeist. “Escalar qualquer marca de alimentos ou bebidas exige garra, criatividade e execução. [Lubin e Belinsky] provaram que têm isso”, afirma. “A Slate vai se tornar uma marca presente em todos os lares.”
Os produtos de consumo mais bem-sucedidos de hoje criam uma marca que múltiplos perfis de americanos fazem questão de incorporar em seus estilos de vida.
“Todos que criam alimentos deveriam ter o mesmo objetivo…” diz Lubin. “…realmente melhorar a vida das pessoas.”