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Mulheres Lideram Inovação e Agro Sustentável em Debate Central da COP30

Foram apresentadas soluções sustentáveis criadas por agricultoras familiares, quilombolas e indígenas

3 min

O tema gênero esteve no centro do debate da COP30 na última quarta-feira (19). A sessão “Mulheres: Vozes que Guiam o Futuro” destacou a atuação de mulheres pela ação climática, exibindo o projeto “Vozes dos Biomas”. As enviadas especiais Janja Lula da Silva, Denise Dora e Jurema Werneck visitaram os cinco biomas brasileiros para conhecer soluções sustentáveis desenvolvidas por mulheres.

Janja Lula da Silva contou que encontrou “dezenas de mulheres que vivem na linha de frente da mudança do clima,” como agricultoras familiares, quilombolas, indígenas e ribeirinhas.

“As mulheres, em diferentes territórios, estão dizendo que a crise precisa ser entendida como emergência,” afirmou Jurema Werneck, médica e diretora executiva da Anistia Internacional Brasil. “A gente viu fogo na terra úmida, a gente viu a seca na terra alagada, a gente viu a fome onde antes tinha profusão. Mas, a gente viu a insistência das mulheres em refazerem a vida.”

Vivência da crise e a cultura da cooperação

A advogada Denise Dora relembrou a experiência das enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, destacando como as crises climáticas exacerbam a violência sexual e a discriminação no acesso a alimentos em abrigos. A vivência das mulheres é fundamental para o debate da COP30.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, ressaltou a cultura ancestral das mulheres de cooperarem para enfrentar situações adversas.

“As mulheres sabem compartilhar a teoria das coisas. As mulheres conseguem compartilhar a realização. E as mulheres gostam de compartilhar o reconhecimento,” afirmou Marina Silva.

Plano de ação de gênero: da sala de negociação à eficácia

A COP30 discute a atualização do Plano de Ação de Gênero, aprovado na COP20 (2014). O Brasil, através da embaixadora Vanessa Dolce (Alta Representante para Gênero do MRE), está capitaneando o debate com a Suécia e o Chile.

“Nós temos a pretensão política e negociadora de que gênero não fique isolado numa sala de negociação. Enquanto o gênero ficar reduzido e isolado numa sala específica de negociação a ação climática não vai ser eficaz,” alertou Dolce.

A embaixadora do México, Patrícia Espinosa, enviada especial da COP30, celebrou que o Fundo de Adaptação já criou um mecanismo para apoiar projetos comunitários, muitas vezes liderados por mulheres. A primeira-dama, Janja, resumiu o objetivo do movimento:

“A questão de gênero não pode mais ser um anexo das decisões aqui na COP. Que esse seja um momento que nos mova… porque cada passo que damos na ação climática é um passo para que as mulheres vivam com mais dignidade. Cada avanço da igualdade de gênero nos aproxima do mundo capaz de superar a crise climática,” concluiu Janja.

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