A BrasPine Uruguay S.A.S. obteve no início deste mês de fevereiro autorização da Comissão de Aplicação da Lei de Investimentos (COMAP) do Uruguai para uma iniciativa florestal-industrial no país vizinho, que prevê a instalação de uma operação de processamento de madeira de pinus no departamento de Rivera.
O projeto aprovado contempla um investimento de UI 1.617.849.784, equivalentes a cerca de US$ 250 milhões a valores atuais, destinados à aquisição de máquinas, equipamentos e melhorias fixas em infraestrutura. O desembolso, porém, não será realizado integralmente desde o início. “O valor inicial do investimento será menor”, informaram à Forbes Uruguay fontes da empresa. A UI não é uma moeda, mas um índice corrigido pela inflação uruguaia, calculado e divulgado pelo Banco Central do país e usada para expressar valores de investimentos, contratos de longo prazo, financiamentos e projetos.
“O projeto aprovado inclui uma expansão adicional relevante planejada para os próximos anos”, disseram. Dessa forma, o montante funciona como um guarda-chuva para um plano de crescimento escalonado ao longo do tempo.
A iniciativa é histórica para o grupo de origem brasileira, por se tratar de sua primeira fábrica fora do Brasil e da terceira unidade industrial da companhia, que conta com mais de 2.500 empregados diretos em suas operações no país. Segundo a empresa, o projeto se integra ao modelo produtivo regional da BrasPine e busca ampliar sua capacidade operacional e assegurar a continuidade do fornecimento aos mercados atendidos.
Rivera, logística de fronteira e cronograma
Após uma análise técnica e logística, a BrasPine confirmou Rivera como localização definitiva do projeto. A decisão considerou a proximidade da base florestal, a infraestrutura disponível, as condições logísticas e a posição estratégica na fronteira com o Brasil, fatores apontados como determinantes para a eficiência e a competitividade da operação.
“O projeto consiste na instalação de uma operação industrial de processamento de madeira de pinus, integrada ao modelo produtivo regional da BrasPine”, informou a companhia.
O desenvolvimento da planta será executado de forma gradual. Em 2025, a empresa avançou nas etapas de documentação, licenças, compra de máquinas e formação da equipe de obras. Em 2026, está previsto o início da construção, juntamente com a contratação de equipes e a organização de processos internos. O começo das operações está projetado para 2027.
Segundo a empresa, a nova unidade permitirá ampliar e diversificar a linha de produtos da BrasPine, fortalecer o relacionamento com clientes atuais e impulsionar a expansão para novos mercados. A produção será voltada principalmente à exportação, em linha com o perfil internacional do grupo.
Emprego e impacto no norte do país
De acordo com informações da companhia, o projeto deverá gerar cerca de 400 novos postos de trabalho, além do emprego indireto associado à cadeia florestal-industrial. Na fase inicial, a demanda será por perfis ligados a obras e montagem; posteriormente, por pessoal operacional, técnico e de suporte à operação industrial.
A BrasPine espera um impacto positivo no norte do Uruguai, tanto em termos de geração de emprego quanto no fortalecimento de fornecedores e serviços vinculados à atividade florestal. No Brasil, a operação florestal está duas fábricas, uma em Jaguariaíva e outra Telêmaco Borba, ambas no Paraná), além de escritórios em cidades como Porto Alegre e Curitiba. No manejo, as florestas ocupam cerca de 10 mil hectares de plantios e áreas preservadas. A companhia está entre as maiores produtoras brasileiras de molduras de pinus e pellets de madeira.