A calma e hospitaleira Montevidéu, capital do Uruguai, é sinônimo de Copa do Mundo. Palco do primeiro Mundial de futebol, em 1930, é a cidade em que nasceram mais jogadores de Copa. Desde a primeira até a atual, a vigésima-terceira, 142 montevideanos participaram do torneio.
A Cidade do México é a vice-campeã, com 95 convocados, e Buenos Aires fecha o pódio com 77. A única cidade brasileira na lista das 15 com mais atletas de Copa é o Rio de Janeiro, com 67.
Não é exagero afirmar que Montevidéu é a alma do futebol uruguaio. A cidade tem 23 times, sendo que 13 dos 16 da primeira divisão estão na capital. Outros dez da segunda divisão também têm sede na cidade mais importante do país vizinho. O Uruguai venceu as Copas de 1930 e de 1950 (desta, disputada no Brasil, é melhor nem lembrar).
O Estádio Centenário é uma das principais atrações turísticas da capital uruguaia. Em sua fachada o letreiro “Monumento do Futebol Mundial” não exagera. Um passeio pelo estádio erguido para a primeira Copa do Mundo é uma viagem no tempo. Com capacidade para 76 mil torcedores, o Centenário em nada lembra as arenas modernas de hoje. Ele foi construído com cimento levado da Inglaterra ao Uruguai. Inclusive algumas cadeiras de cimento sobreviveram a reformas que não descaracterizaram o estádio.
Uma torre imponente de cem metros de altura é uma das marcas arquitetônicas do Centenário. Ela foi erguida em homenagem aos imigrantes que participaram da construção do estádio, inaugurado em 18 de julho de 1930, em pouco menos de um ano de obras.
Dois dos clubes de futebol mais tradicional do mundo são de Montevidéu: Peñarol e Nacional. Juntos, eles somam oito títulos da Copa Libertadores da América, sendo cinco do Peñarol.
O estádio do Nacional, “Gran Parque Central“, inaugurado em 1900, é um dos mais antigos do mundo. Ele foi construído num terreno histórico, onde aconteceram momentos importantes da independência do país, como a “Quinta de La Paraguaya“, quando Jose Gervásio Artigas, o libertador dos uruguaios, foi aclamado chefe das tropas independentistas. A primeira camisa do Nacional era vermelha, uma referência à cor do poncho que era utilizado pelos patriotas comandados por Artigas.
O estádio do Peñarol, o “Campeón del Siglo“, é o mais moderno do Uruguai. Inaugurado em 2016, tem capacidade para 45 mil pessoas e fica afastado da região central de Montevidéu.
Para quem gosta de futebol, Montevidéu é destino turístico obrigatório. A cidade tem cerca de 1,3 milhão de habitantes (são menos de 4 milhões de almas uruguaias pelo mundo), é limpa e segura e tem como um dos principais atrativos a imensidão do Rio da Prata e suas praias urbanas. Mais ao norte, quando o rio se mistura ao mar, as águas ficam salobras e aos poucos trocam o tom marrom pelo esverdeado.
Lembranças dos tempos em que o Uruguai foi a província Cisplatina, pertencente ao Brasil, estão em algumas avenidas e parques da cidade. Os uruguaios são educados e receptivos e adoram dizer que são o país com mais glórias esportivas per capita no mundo (há até uma camiseta com essa frase estampada que é sucesso por lá).
Come-se e bebe-se muito bem em Montevidéu. O churrasco é excelente e diferencia-se do argentino por ser feito majoritariamente em fogo de lenha. Próximo à Capital (nada é muito longe no Uruguai pela referência de um brasileiro) existem muitas vinícolas charmosas e de ótima qualidade, em especial na região de Canelones.
Para quem acha que a rivalidade futebolística entre Brasil e Argentina é grande, será uma surpresa descobri que ela é muito maior entre uruguaios e argentinos, o Clássico do Rio da Prata. O confronto é considerado pela Confederação Sul-americana de Futebol o clássico mais antigo do mundo, sendo disputado desde 1902.
Experimente encostar num dos muitos quiosques do Mercado do Porto, pedir “um asado” e dizer ao garçom que você é brasileiro ou brasileira. Bastam alguns segundos para surgir uma piada sobre argentinos e futebol entre garfadas de carne suculenta e um bom vinho da uva Tannat.