Durante décadas, o crescimento das grandes empresas agrícolas brasileiras esteve ligado principalmente ao crédito bancário e aos recursos do Plano Safra. Agora, uma parcela cada vez maior desse financiamento passa pelo mercado de capitais. A Agropecuária Maggi, uma das empresa do grupo Amaggi, com sede em Cuiabá (MT), acaba de dar mais um passo nessa direção ao captar R$ 3,5 bilhões por meio de uma CPR Financeira (CPR-F), operação lastreada na produção de soja e algodão.
A emissão marca a estreia da companhia nesse instrumento e está entre as maiores operações do gênero realizadas neste ano pelo agronegócio brasileiro.
A CPR Financeira é uma modalidade da Cédula de Produto Rural em que a liquidação ocorre em dinheiro, e não com a entrega física da produção. Na prática, o mecanismo permite que produtores e empresas do setor utilizem sua capacidade produtiva como garantia para acessar recursos junto ao mercado financeiro.
Segundo informações divulgadas pela companhia, a operação recebeu demanda superior ao volume inicialmente ofertado. O título foi estruturado com garantia da produção agrícola da empresa, um dos principais braços operacionais do grupo Amaggi.
Fundada pela família Maggi, a companhia cultiva soja, milho e algodão em Mato Grosso e integra uma estrutura que inclui armazenagem, logística, comercialização de grãos, geração de energia e operações internacionais. No caso da Agropecuária Maggi, sob seu chapéu estão cerca de 360 mil hectares e uma produção em tonelagem da ordem de 1,2 milhão das três commodities.
A emissão ocorre em um momento de expansão das CPRs no país. O instrumento ganhou espaço nos últimos anos e passou a ocupar posição relevante no financiamento da agricultura empresarial. O crescimento acompanha a necessidade de fontes complementares de recursos em um setor que amplia continuamente sua escala de produção e demanda volumes cada vez maiores de capital.
Para empresas de grande porte, a CPR Financeira oferece uma alternativa ao crédito tradicional, permitindo diversificar fontes de recursos e ampliar o relacionamento com investidores institucionais. No caso da Agropecuária Maggi, a operação acontece em meio a uma fase de expansão dos negócios do grupo. Recentemente, a Amaggi anunciou a aquisição de 40% da FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil, em uma transação avaliada em cerca de US$ 1 bilhão.
O movimento ampliou a presença da companhia no segmento de biocombustíveis, área considerada estratégica diante do crescimento da demanda por combustíveis renováveis e da expansão do mercado de transição energética.
A nova captação fortalece a estrutura financeira da empresa em um momento em que grandes grupos do agronegócio procuram combinar diferentes instrumentos para sustentar investimentos, aquisição de ativos e crescimento operacional. A Agropecuária Maggi não divulgou a destinação específica dos recursos levantados na emissão. Ainda assim, a operação reforça a disposição da companhia de ampliar sua atuação no mercado de capitais, acompanhando uma tendência observada entre algumas das maiores empresas do agronegócio brasileiro.