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Moagem de Cana Despenca na 2ª Quinzena de Junho, Aponta Governo

O ministério não detalhou a razão da queda, mas o centro-sul vem registrando chuvas atípicas este ano, o que interferiu na colheita e nas atividades industriais

4 min

A moagem de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil somou 31,15 milhões de toneladas na segunda quinzena de junho da safra 2026/27, queda de 28,4% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, de acordo com dados do Ministério da Agricultura publicados nesta segunda-feira.

O ministério não detalhou a razão da queda na moagem na segunda parte de junho. Mas o centro-sul vem registrando chuvas atípicas este ano, o que interferiu na colheita e nas atividades industriais.

“O motivo foi, de fato, as chuvas”, disse Victor Carvalho, especialista de Preços de Grãos e Oleaginosas da S&P Global Energy. Segundo ele, houve três dias ao longo da quinzena em que as máquinas não puderam operar no campo devido à chuva. Em algumas regiões do Paraná, contudo, o acesso das colheitadeiras às lavouras foi impossibilitado durante quase metade do mês de junho, em razão das condições de umidade.

A queda na moagem indicada pelos dados do governo, obtidos junto aos produtores, foi mais acentuada do que a apontada em uma pesquisa da S&P junto a 12 analistas, que viram em média recuo de 21,6%.

Já a produção de açúcar recuou 44,2% na mesma comparação, para 1,61 milhão de toneladas, e a fabricação de etanol caiu 13,1%, para 1,7 bilhão de litros, segundo dados do governo obtidos junto aos produtores.

A pesquisa da S&P também havia indicado uma queda quinzenal menor para o açúcar — ainda que expressiva, de 34,4% — do que a apontada pelos dados do ministério. Segundo a sondagem, a produção de etanol caiu 2,8%.

Os dados de moagem e produção de açúcar e etanol normalmente são acompanhados pelas publicações da associação de produtores, a Unica. Mas nesta safra a entidade tem publicado seus números com uma periodicidade maior — a última informação publicada se refere ao acumulado até o final da segunda quinzena de maio.

Procurada, a Unica não comentou o assunto imediatamente.

Acumulado da Safra

No acumulado da safra 2026/27 desde 1º de abril até 30 de junho, a moagem atingiu 216,48 milhões de toneladas de cana, alta de 4,5% ante igual intervalo de 2025/26, após os trabalhos terem sido mais acelerados no início, antes das chuvas, segundo dados do governo.

A produção de açúcar somou 10,73 milhões de toneladas, queda de 12,7% na comparação anual, enquanto a produção de etanol totalizou 11,51 bilhões de litros, avanço de 20,1%.

As unidades processadoras de cana do centro-sul brasileiro têm priorizado a fabricação do etanol em detrimento do açúcar, uma vez que os preços do biocombustível estão mais interessantes.

Além disso, a produção de etanol de milho tem sido crescente no país. Isso ajuda a explicar o aumento da oferta do biocombustível, apesar da queda da moagem.

No etanol, recentemente, os produtores tiveram um incentivo adicional, com a decisão do governo de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%.

A medida poderia reduzir as importações de gasolina do Brasil em 900 milhões de litros no período de um ano, segundo o Ministério de Minas e Energia.

Estoques em Alta

De acordo com dados do ministério, os estoques disponíveis de etanol no centro-sul somavam 4,13 bilhões de litros em 30 de junho da safra 2026/27, alta de 38,7% em relação ao mesmo período do ciclo anterior, diante do crescimento da produção na safra.

O aumento foi puxado principalmente pelo etanol hidratado (usado diretamente nos carros flex), cujo estoque disponível subiu 52,8%, para 2,71 bilhões de litros.

Já o estoque disponível de etanol anidro (usado na mistura da gasolina) avançou 17,9%, para 1,42 bilhão de litros.

A conjuntura do mercado está pressionando os preços do etanol junto aos produtores, que veem uma demanda abaixo do ritmo da produção.

O indicador de preço do etanol hidratado do Cepea/Esalq teve média de R$2,1336 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins) no Estado de São Paulo entre 13 e 17 de julho, recuo de 2,13% frente à semana anterior. Para o etanol anidro, o indicador teve média de R$2,4421/litro, valor também líquido de impostos, baixa de 0,98% na mesma base de comparação.

“Essas são as menores médias semanais já observadas na temporada 2026/27”, disse em análise nesta segunda-feira o Cepea, centro de estudos da Esalq/USP.

Segundo o Cepea, isso se explica pela oferta “em trajetória crescente”, enquanto a demanda mostra “poucos sinais de recuperação, em parte por conta das férias escolares e do consequente menor fluxo de veículos”.

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