A criação da Vitácea Hijuelas foi anunciada em março, durante a Fruit Attraction São Paulo. Nesta quarta-feira (15), a empresa reuniu, na capital paulista, clientes da Vitácea Brasil, representantes do Grupo Hijuelas, da fruticultura, pesquisadores e parceiros internacionais para apresentar a operação, resultado da associação entre as empresas brasileira e chilena, além da participação de especialistas franceses. A empresa nasce para aproximar os produtores brasileiros de programas internacionais de melhoramento genético, ampliar a oferta de cultivares protegidas e fortalecer a produção de mudas para diferentes cadeias da fruticultura.
“Depois do namoro, estamos selando o casamento aqui hoje e trouxemos todos vocês para serem testemunhas”, afirmou Murillo Regina, fundador da Vitácea Brasil. A empresa foi criada em 2003, em Caldas (MG), para desenvolver a viticultura brasileira por meio da produção de mudas e da introdução de novos materiais genéticos. Mais de vinte anos depois, passa a atuar em uma escala maior, incorporando ao portfólio espécies como cereja, frutas de caroço, berries, manga, abacate e outras culturas atendidas pelo Grupo Hijuelas.
Regina atribui parte da transformação da viticultura nacional ao acesso à genética desenvolvida em outros países. O executivo falou dessa experiência, lembrando que a edição de 2026 do Decanter World Wine Awards concedeu 213 medalhas a vinhos brasileiros, das quais 137 foram para rótulos produzidos no Sudeste. Para ele, esse resultado está ligado ao desenvolvimento de técnicas de cultivo, ao manejo e à incorporação de novas variedades e porta-enxertos adaptados às condições brasileiras.
Ele conta que expansão para outras culturas começou quando produtores questionaram se seria possível desenvolver um programa de produção de cerejas no Brasil. A fruta continua sendo praticamente toda importada, e a implantação de pomares comerciais depende de materiais propagativos específicos e de protocolos de micropropagação. A Vitácea percorreu centros de pesquisa e empresas na Itália e na França em busca dessa tecnologia, até iniciar contato com o Grupo Hijuelas e a construção da Vitácea Hijuelas.
“Precisamos sonhar mais alto. Vamos sonhar juntos?”, lembrou Regina, reproduzindo a fala que teve lá atrás com Juan Ignacio Goycoolea Sone. A conversa que começou em torno da cereja evoluiu para um projeto de atuação conjunta em diferentes segmentos da fruticultura.
Com sede no Chile, o Grupo Hijuelas atua em 11 países produzindo plantas clonais, mudas certificadas e materiais provenientes de programas internacionais de melhoramento genético. A empresa trabalha com cultivares protegidas por propriedade intelectual e mantém parcerias com obtentores privados e instituições de pesquisa.
“A fruticultura moderna precisa de genética e de variedades com propriedade intelectual”, afirmou Gaspar Goycoolea Vial, presidente do Grupo Hijuelas.
Segundo ele, o primeiro passo é validar cada cultivar nas diferentes regiões produtoras brasileiras antes de ampliar sua utilização comercial. “Os produtores às vezes são ansiosos e querem plantar de forma imediata uma variedade nova. Isso é inimigo dos bons resultados.” Para Goycoolea, o Brasil reúne condições para expandir a produção de frutas de clima temperado e tropical, desde que esse processo seja acompanhado por avaliações regionais e pelo uso de plantas certificadas.
A Vitácea Hijuelas inicia as atividades oferecendo produção de mudas, validação de cultivares, assistência técnica e acesso a programas internacionais de genética. A empresa passa a atuar como ponte entre obtentores estrangeiros e produtores brasileiros, levando ao campo materiais propagativos certificados e novas variedades adaptadas às diferentes regiões produtoras do país.
Segundo Goycoolea, a nova empresa terá acesso a programas genéticos voltados para diferentes espécies frutíferas. Além da cereja, o portfólio inclui projetos com abacate, manga e outras culturas conduzidas por universidades e empresas privadas. O objetivo é colocar aos produtores brasileiros materiais que permitam maior uniformidade dos pomares e renovação constante das variedades cultivadas.
A diversificação da Vitácea começou antes da aproximação com o Grupo Hijuelas. Segundo José Afonso Davo, empresário do setor vitivinícola, fundador da Vinícola Davo e sócio da empresa brasileira, a ideia de ampliar a atuação para além da videira surgiu nas primeiras conversas entre os sócios após seu ingresso no negócio. Em seguida vieram o interesse pelo cultivo de cerejas, o contato com o Grupo Hijuelas e a decisão de constituir uma empresa conjunta. Pedro Olavo, enólogo da Vinícola Primeira Estrada e integrante da nova geração da família Davo, afirmou que a nova etapa amplia as possibilidades de atuação da empresa. “Agora nós temos um desafio.”