O matcha encontrou seu alter ego. O chá em pó, que surgiu como uma bebida da aristocracia oriental, cujas folhas eram cultivadas por agricultores que dominavam profundamente essa tradição, hoje ocupa uma posição praticamente oposta. Atualmente, avança rapidamente para se tornar um produto comum no cotidiano do Ocidente. O matcha chegou, consolidou seu espaço e veio para ficar, em grande parte por oferecer um efeito da cafeína mais suave do que o café, além de seu inegável apelo visual. A fase de apresentar o matcha aos consumidores norte-americanos e também de outros países como o Brasil, ficou para trás. Essa etapa já foi concluída.
Assim como o café passou por diferentes “ondas”, de Maxwell House a Starbucks e depois Verve, o matcha também se aproxima de uma segunda onda em meio ao atual renascimento da bebida. Como manter o ritmo de crescimento dessa forma histórica de chá sem abrir mão da integridade do seu cultivo? De que maneira é possível inovar de forma autêntica, sem parecer algo artificial?
Em vez de transformar chá verde em pó, a Wild Orchard está transformando chá preto em pó, tornando-se pioneira do matcha preto. Em breve, passaremos a diferenciar matcha verde e matcha preto graças a essa marca de chá certificada como Regenerative Organic Certified (ROC), cuja origem está em sua propriedade agrícola na Ilha de Jeju, na Coreia do Sul. Criado especificamente para o preparo de lattes, o matcha preto preserva as notas de castanhas pelas quais o matcha verde é conhecido, mas acrescenta nuances marcantes de chocolate ao leite, diferenciando-se da versão verde.
O sucesso do matcha verde também está ligado ao seu forte apelo nas redes sociais, especialmente no Instagram. Isso abre caminho para uma nova onda de conteúdos virais, desta vez em uma tonalidade mais escura.
“O matcha vem crescendo há algum tempo, mas nada parecido com o que vimos nos últimos anos”, conta Michael Ham, cofundador da Wild Orchard. “Ele representa saúde. Representa um estilo moderno. Foi isso que espalhou a cultura do matcha.”
Agora, o ciclo se repete, criando um novo mercado para o matcha preto por meio de outra etapa de educação do consumidor. Isso vai muito além de colocar o produto nas prateleiras do varejo ou conseguir que criadores de conteúdo publiquem sobre ele. É preciso que a mensagem alcance o público certo.
Por isso, a Wild Orchard está investindo em parcerias. Não em ações tradicionais de co-branding, mas em colaborações criativas que levem as pessoas a enxergar o matcha preto certificado pela Regenerative Organic Certified e o potencial da agricultura regenerativa sob uma nova perspectiva, em áreas que vão do esporte e da tecnologia ao vestuário e aos cuidados com os cabelos.
A marca vem oferecendo degustações do produto em diversos ambientes, incluindo lojas como Kiehl’s e Patagonia, além de escritórios de empresas como Meta, Amazon e Target. Fortalecer a comunidade e compartilhar conhecimento é um dos pilares da agricultura regenerativa, e essas parcerias representam mais uma forma de a Wild Orchard ampliar esse princípio. “Quando as pessoas experimentam, ficam encantadas”, afirma Ham.
Bem-vindo ao lado escuro
A ideia de desenvolver o matcha preto surgiu durante conversas com compradores do varejo sobre a comercialização do matcha verde da Wild Orchard. A empresa admite que seu matcha verde não apresenta o tom intenso que normalmente se espera desse produto, pois as plantas são cultivadas sob luz solar direta, e não à sombra, prática adotada para aumentar os benefícios nutricionais.
“Mesmo sendo mais saudável, os varejistas acreditavam que ele não venderia tão bem”, explica Ham. “Eles insistiam que precisavam da cor.” Era compreensível. Afinal, a cor verde intensa do matcha foi um dos principais fatores que ajudaram a torná-lo um produto tão atrativo para o mercado. A resposta da equipe da Wild Orchard foi ousada: em vez de apostar em outra cor qualquer, escolheu justamente a ausência dela.
Hoje, o matcha preto é o principal produto da Wild Orchard e aquele pelo qual a marca pretende ser mais reconhecida. Produzido a partir de chá preto moído, em vez de chá verde, tanto o matcha preto quanto o verde vêm da mesma planta, Camellia sinensis, conhecida como a “árvore do chá”. Ambos se tornam matcha quando suas folhas são processadas até virar um pó fino.
No futuro, também existe a possibilidade de surgir um matcha de oolong, um chá semioxidado, enquanto o chá preto passa por uma oxidação mais intensa. O chá verde, por sua vez, não sofre oxidação, apenas torra. Cada um desses processos desenvolve perfis de sabor distintos. O matcha preto da Wild Orchard, além da oxidação, passa por uma torra muito leve.
O matcha verde possui um sabor terroso que costuma dividir opiniões. Embora seja a bebida com cafeína preferida de muitas pessoas, outras rejeitam seu sabor. O matcha preto ocupa um espaço intermediário entre o café e o matcha verde, tornando-se uma alternativa mais atraente para consumidores de café que desejam reduzir a ingestão de cafeína, mas não apreciam o sabor do matcha verde.
Embora compartilhe notas de umami semelhantes às do matcha verde, o perfil sensorial do matcha preto é diferente. As notas de castanhas permanecem presentes, mas seu aroma de chocolate amplia o apelo para um público muito mais amplo, criando a oportunidade de atrair novos consumidores para essa categoria.
A Wild Orchard recomenda preparar o latte de matcha preto com leite integral A2 e um toque de xarope de bordo (maple syrup) como adoçante, combinação que complementa de forma elegante o chá oxidado. Tanto o matcha verde quanto o preto da empresa foram desenvolvidos especificamente para o preparo de lattes, oferecendo uma forma simples de consumo e formando uma textura cremosa e espumante, tanto em bebidas quentes quanto geladas.
O Philadelphia Eagles consome o matcha
Alguns dos atletas de mais alto nível do mundo estão consumindo matcha preto. A equipe de nutrição do Philadelphia Eagles incorporou ingredientes provenientes da agricultura orgânica regenerativa aos programas de alimentação dos jogadores, incluindo o matcha preto certificado pela Regenerative Organic Certified (ROC) da Wild Orchard.
“Tratamos nossos atletas como um carro esportivo. Você não vai abastecê-lo com uma gasolina comum”, afirma Eric Montijo, diretor de Alimentos e Bebidas do Philadelphia Eagles. “Desde que introduzimos produtos e ingredientes certificados pela ROC para os atletas, há dois anos, incluindo a temporada em que conquistamos o Super Bowl, conseguimos manter todos os titulares, tanto do ataque quanto da defesa, saudáveis. Isso é algo praticamente inédito na NFL.”
Montijo conheceu Michael Ham durante a Natural Products Expo West, enquanto buscava novos produtos para incluir na alimentação dos jogadores. Ele ficou impressionado com tudo o que Ham explicou sobre os benefícios do chá, mesmo sendo um tema que nunca havia considerado dentro da nutrição esportiva.
“Eu nunca tinha ouvido falar em matcha preto, mas estamos sempre procurando alguma vantagem competitiva”, conta Montijo. “Temos uma excelente barista na equipe, em quem os jogadores confiam. Ela passou a promover as ‘Segundas do Matcha’, preparando lattes com o matcha preto. Foi uma novidade que conseguimos apresentar aos atletas e que realmente despertou o interesse deles.”

O matcha preto da Wild Orchard desempenha um papel específico na rotina dos jogadores dos Eagles. Como seguem dietas extremamente controladas, em alguns momentos sentem vontade de consumir algo doce, mas sabem que os nutricionistas desaprovariam muitos momentos de indulgência. “Só servimos sobremesas uma vez por semana. Então ter uma bebida como essa é um grande benefício, porque eles conseguem matar a vontade de doce”, explica Montijo.
Segundo ele, o matcha preto também representa uma alternativa mais interessante do que o café para os atletas. “Eles saem de treinos intensos direto para reuniões e, sem algo que mantenha o nível de energia, é praticamente impossível permanecer acordado”, afirma. “Eles tomam vários matchas pretos ao longo do dia, especialmente durante o training camp, quando a rotina é muito longa e não queremos aquela queda brusca de energia. Gostamos dessa liberação gradual, que mantém a disposição por mais tempo.”
Montijo e o chef executivo do Philadelphia Eagles, James Sirles, defendem a adoção de produtos certificados pela Regenerative Organic Certified de forma mais ampla. Para eles, a saúde e o desempenho de atletas profissionais começam pela densidade nutricional dos alimentos consumidos e pela qualidade do solo onde esses alimentos são produzidos. A intenção é ampliar ainda mais esse programa com base nos resultados observados até agora.
“Quando uma equipe chega longe nos playoffs, normalmente apenas entre 60% e 70% dos titulares permanecem saudáveis”, explica Montijo. “No ano seguinte à implantação da alimentação baseada em produtos orgânicos regenerativos, tivemos apenas uma lesão grave durante toda a temporada, e mesmo assim foi uma lesão que afastou o atleta por apenas seis semanas.”
Como uma das marcas mais recentes a conquistar a certificação Regenerative Organic Certified (ROC), a Nourish Cold-Pressed Juice produz alguns dos sucos artesanais mais ricos em nutrientes disponíveis em larga escala no mercado. Sua Lemonada de Matcha Preto certificada pela ROC é preparada com o matcha preto da Wild Orchard, além de frutas cítricas e um toque de água de bordo (a seiva antes de se transformar em xarope), criando uma bebida de sabor complexo, ao mesmo tempo intenso, terroso e refrescante, uma combinação rara de alcançar.
“Quando visitei a Wild Orchard na Ilha de Jeju, em 2025, pude conhecer a origem do chá e os agricultores responsáveis pelo cultivo”, conta Francine Covelli, fundadora e CEO da Nourish. “Eu já conhecia os benefícios do chá para a saúde e queria criar um suco que não apenas oferecesse esse valor nutricional e ajudasse o organismo, mas também beneficiasse o planeta.”
Atualmente, a quantidade de ingredientes produzidos sob práticas orgânicas regenerativas ainda é limitada. Por isso, as parcerias com marcas capazes de fornecer diretamente esses ingredientes para outras empresas são fundamentais neste momento em que o mercado busca ampliar a escala da agricultura regenerativa.

Além do matcha preto, a Nourish também compra da Wild Orchard o matcha verde utilizado em sua Lemonada de Matcha Verde, assim como a água de bordo fornecida por produtores florestais certificados pela Regenerative Organic Certified. “Reunir todos esses ingredientes tornou este um dos produtos de maior impacto que já desenvolvemos”, afirma Covelli. “Tudo aconteceu de forma muito natural. Quando existe a mesma missão e um cuidado genuíno com as pessoas envolvidas, coisas extraordinárias acontecem.”
Os jogadores do Philadelphia Eagles estiveram entre os primeiros a experimentar a Lemonada de Matcha Preto da Nourish e, após a aprovação deles, o produto está pronto para ser lançado em todo o território norte-americano. “Eu sabia que era uma bebida extremamente nutritiva e deliciosa. O sabor do matcha preto era diferente de tudo o que eu já havia experimentado”, diz Covelli.
A Lemonada de Matcha Preto da Nourish lembra uma versão mais sofisticada e saudável do tradicional Arnold Palmer, oferecendo uma quantidade moderada de cafeína. Em vez de conter grandes quantidades de açúcar, a bebida segue o exemplo da própria natureza.
“Somos diferentes dentro do mercado de bens de consumo. Estamos presentes na fazenda, com as mãos na terra, colhendo as folhas de chá e participando de todo o processo até o resultado final, transformando tudo isso em uma receita de suco”, explica Covelli. “Quando conheci Michael, houve uma sintonia imediata. Compartilhávamos exatamente a mesma visão sobre por que estamos aqui e por que fazemos esse trabalho.” “Isso é muito maior do que nós”, acrescenta. “A Ilha de Jeju passou a ocupar um lugar especial no meu coração.”
Alimentos consumidos
A agricultura não fornece apenas os alimentos que consumimos. Ela está na origem de praticamente tudo o que utilizamos no dia a dia, desde roupas e móveis até produtos de beleza. É justamente para ampliar o entendimento sobre o significado da certificação Regenerative Organic Certified que a Wild Orchard firmou parceria com a empresa premium de cuidados capilares Davines North America.
“Temos uma história curiosa de realizar colaborações com pequenas marcas emergentes do setor de alimentos que compartilham dos mesmos valores”, afirma Jorge Blanco, diretor de Cultura e Criação da Davines North America. “Quando conheci o trabalho da Wild Orchard relacionado à certificação Regenerative Organic Certified, foi isso que mais me chamou a atenção.”

A partir do outono no hemisfério norte, clientes que visitarem milhares de salões parceiros da Davines nos Estados Unidos e no Canadá receberão chás certificados pela Regenerative Organic Certified da Wild Orchard. Como preparar lattes de matcha preto não seria uma solução prática para esse ambiente, os clientes poderão experimentar, ao mesmo tempo, produtos regenerativos tanto nos cabelos quanto por meio da bebida.
“Para mim, pessoalmente, não fazia diferença se fosse chá, café ou macarrão”, comenta Blanco. “O importante era encontrar outra marca com os mesmos princípios, valores que ultrapassam os limites de um único setor.” A parceria acontece justamente quando a Davines inicia o lançamento de sua própria linha de produtos capilares certificados pela Regenerative Organic Certified. A linha Essential Haircare passa a ser a primeira do mundo a utilizar ingredientes certificados pela ROC em todos os seus produtos.
Embora a empresa já tivesse utilizado alguns ingredientes certificados anteriormente, este representa o maior lançamento de produtos capilares regenerativos desde a fundação da Davines, em 1992.
“Empresas certificadas pela Regenerative Organic Certified se preocupam profundamente com a origem das matérias-primas, com toda a cadeia de fornecimento, com a remuneração justa dos agricultores e com a biodiversidade”, afirma Blanco. “Acima de tudo, elas valorizam a saúde do solo e entendem sua importância para tudo o que cultivamos e para o bem-estar das comunidades ao redor do mundo. Tudo isso está presente em seus produtos.”
Cada salão escolherá, no atacado, as variedades de chá da Wild Orchard que melhor atendam ao perfil de seus clientes nos Estados Unidos e no Canadá, complementando a experiência de hospitalidade durante o atendimento.
“Parte da responsabilidade da Davines como empresa certificada pela Regenerative Organic Certified é ajudar outras marcas emergentes a crescer, na expectativa de que mais pessoas passem a integrar o movimento da agricultura regenerativa”, afirma Blanco. “É uma situação em que todos crescem juntos.”
Whole Foods Market
Há vários anos, os chás da Wild Orchard são vendidos nas lojas da Whole Foods Market, onde o blend de chá verde Sunday Brunch é o produto mais vendido da marca. Agora, com o matcha preto ganhando espaço no mercado, essa parceria entra em uma nova fase. As cafeterias de atendimento no balcão das lojas da Whole Foods Market passarão a oferecer lattes preparados com o matcha preto da Wild Orchard como opção permanente no cardápio.
Apresentar o matcha preto aos consumidores é um desafio inevitável. Disponibilizar os lattes já preparados representa uma forma de facilitar esse primeiro contato, sem que o consumidor precise descobrir sozinho como preparar a bebida. O lançamento ocorrerá no outono do hemisfério norte, com opções quentes ou geladas, permitindo a escolha do tipo de leite e do adoçante. Ainda assim, o xarope de bordo deverá ser o acompanhamento de maior destaque durante a estação.
“O matcha verde viveu um novo período de crescimento recentemente. Nossas cafeterias registraram um aumento muito expressivo nas vendas de matcha verde e, depois de experimentar o matcha preto e perceber como ele é acessível ao paladar, entendemos que seria um complemento extraordinário para o nosso programa de cafés”, afirma Brett Gulick, comprador de cafés e chás da Whole Foods Market. “Nós o enxergamos como uma experiência semelhante a um chocolate quente sofisticado.”
A Whole Foods adotará uma estratégia em várias etapas para apresentar esse novo produto aos consumidores, além do material de divulgação que está preparando para o lançamento do matcha preto.
“As pessoas serão naturalmente atraídas porque a palavra ‘matcha’ faz parte do nome. A curiosidade vai despertar o interesse”, explica Gulick. “Também estamos treinando nossos baristas para que eles possam apresentar o produto aos clientes e explicar suas características.”
Além de representar mais uma alternativa para consumidores que desejam algo diferente do café ou do matcha verde, a Whole Foods Market demonstra interesse em fortalecer ainda mais sua relação com a Wild Orchard pelo trabalho desenvolvido pela empresa em favor da agricultura orgânica regenerativa.
“Existe um alinhamento muito forte em relação à sustentabilidade. Eles utilizam gansos para ajudar no controle natural de pragas na fazenda e nem precisam recorrer à irrigação graças às práticas de cultivo adotadas”, afirma Gulick. “O fato de buscarem uma certificação desse nível diz muito sobre a qualidade do produto e sobre o compromisso da Wild Orchard com a conservação ambiental.”
Publicado originalmente em Forbes EUA