A colheita total de milho do Brasil em 2025/26 passou a ser vista em um recorde de 142,8 milhões de toneladas, crescimento de pouco mais de 1% em relação ao ciclo anterior, com uma revisão positiva na segunda safra do centro-sul, de acordo com dados da AgRural publicados nesta segunda-feira.
“Tivemos um ajuste para cima na produtividade média da maioria dos Estados, principalmente em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, afirmou o analista da AgRural Adriano Gomes.
“Vimos boas médias sendo colhidas mesmo na reta final dos trabalhos em Mato Grosso, em áreas mais tardias, por isso uma revisão para cima no Estado”, acrescentou Gomes, citando o desempenho no Estado que é maior produtor brasileiro do cereal.
Apesar da melhora na expectativa, a segunda safra ainda deve ficar abaixo da máxima histórica do ano passado, alcançando 110,5 milhões de toneladas, contra 113,2 milhões de toneladas em 2025, estimou a AgRural nesta segunda-feira, em nota sobre o andamento da colheita.
“Apesar de a ‘safrinha’ não ser a maior da história, o bom desempenho da safra de verão garante produção total recorde de milho no Brasil”, pontuou Gomes.
Os trabalhos da colheita da “safrinha” de milho na região centro-sul atingiram 69% da área cultivada até a última quinta-feira, contra 60% registrados uma semana antes e 81% um ano atrás, apontou a consultoria.
A estimativa da segunda safra no centro-sul passou de 99,1 milhões de toneladas na previsão anterior para 101,3 milhões de toneladas agora.
A estimativa mais alta ajuda o país a atender a demanda para a produção de etanol de milho, que vem sendo crescente, em um ano em que as exportações brasileiras do cereal enfrentam forte concorrência no mercado global.
“A demanda tem buscado milho em origens com preço mais competitivo que o nosso, especialmente dos EUA e Argentina. Para exportarmos mais do que exportamos em 2025, precisaremos ver Chicago e/ou câmbio mais altos”, disse o analista, ponderando que os ganhos recentes nos preços nos EUA têm favorecido a paridade de exportação brasileira.
“Mas estamos longe de nadar de braçada nas exportações. A competição é muito pesada.”