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Expointer Coloca o Cavalo Crioulo no Centro da Agenda Equina

Em Esteio, programação reúne diferentes linhagens em competições, julgamentos e vendas, com participação de criadores do Brasil e de países vizinhos

6 min

Árabes, Quarto de Milha, Paint Horse, Campeiros, Mangalargas, Appaloosas e, principalmente, Crioulos ocupam as pistas da Expointer 2026, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), ao longo dos nove dias de feira, que começou em 29 de agosto e vai até 6 de setembro. Para o Cavalo Crioulo, a mostra representa o principal momento do calendário anual, pela dimensão das provas realizadas no parque e pela presença da raça no cotidiano produtivo, esportivo e cultural do Rio Grande do Sul. A agenda começou pela Morfologia, que reuniu 246 animais em pista e definiu Belle Reserva como Melhor Exemplar da Raça pelo segundo ano consecutivo, antes da sequência com Freio de Ouro, Supercopa Jovem e leilões.

“Se antes o cavalo estava principalmente ligado à tradição e à rotina do campo, hoje essa relação vai muito além. As modalidades esportivas, por exemplo, se tornaram um elo que leva o cavalo a diferentes espaços, conecta pessoas e aproxima realidades que, à primeira vista, pareciam distantes”, afirma André Luiz Narciso Rosa, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, a ABCCC. Entre 2013 e 2025, os eventos realizados nas áreas de expansão da raça passaram de oito para 102, crescimento de 1.175%, segundo a entidade. Em 2025, 50 municípios de 11 Estados receberam alguma prova do Crioulo.

Na Expointer, o processo de seleção começa antes das competições funcionais. A Morfologia integra o sistema de avaliação da raça e considera estrutura física e características raciais dos animais. O julgamento encerra um circuito formado por 24 passaportes do Ciclo 2026 e recebe exemplares classificados no Ranking de Exposições Morfológicas, integrantes da delegação brasileira na Federação Internacional de Criadores de Cavalos Crioulos (FICCC), animais premiados em exposições nacionais da Argentina e do Uruguai e os aprovados na Prévia Morfológica.

Belle Reserva chegou a Esteio como vencedora da edição anterior e Reservada Grande Campeã da Expo FICCC 2026. Criada e exposta por Elizabeth Lemanski, da Fazenda Paraíso, em Balsa Nova (PR), a fêmea colorada salina, filha de Butiá Olodum e Belle Herdeira, passou pelas categorias até obter a aprovação dos quatro jurados. “Como mulher, empresária, fazendeira e mãe de três filhas, essa vitória representa muito para mim. É a sucessão de um trabalho que vem do meu pai, que aprendi com a minha família. É o que carrego de herança e é o que passarei para minha filha, Betina”, afirmou Lemanski.

Felipe UlbrichAscom ABCCCPista de julgamento da raça Crioulo

Ao explicar a escolha de Belle Reserva, o juiz Mário dos Santos Suñe citou volume, estrutura, linhas, feminilidade e movimentação entre os critérios do julgamento. Nos machos, o Grande Campeonato ficou com Tañido Buenazo, criado pela Irundy S.A. e pertencente a um condomínio formado por quatro proprietários uruguaios e um argentino.

A presença de Tañido Buenazo liga a pista brasileira à circulação de genética e criadores entre Brasil, Uruguai e Argentina. Antes de chegar à Expointer, o gateado havia sido Terceiro Melhor Macho na Expo FICCC, em Montevidéu. “Estamos muito felizes por vir competir no Brasil e também como espectadores. Corremos com um cavalo incrível, e chegar ao prêmio maior é motivo de grande orgulho”, afirmou o expositor Cassarino Vergara.

Da competição, os cavalos crioulos seguem para um mercado formado por criação, serviços, provas, genética e comercialização. Estudo elaborado pela ABCCC com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP), calcula em R$ 5,36 bilhões por ano a movimentação econômica associada à raça no Brasil e mais de 160 mil empregos diretos e indiretos. Pela metodologia do levantamento, cada Cavalo Crioulo responde por R$ 10.550 anuais em atividades relacionadas à cadeia.

Na Expointer, parte dessa movimentação aparece nos remates. Dos 25 leilões programados para a edição de 2026, segundo o Sindicato dos Leiloeiros Oficiais do Estado do Rio Grande do Sul, oito incluem a comercialização de Cavalos Crioulos. A ABCCC informa que 248 exemplares estão previstos para venda. Em 2025, seis leilões da raça realizados durante a feira movimentaram R$ 14,51 milhões.

“As provas motivam muito os criadores, que vêm a Esteio de diferentes regiões da América Latina”, afirma Fábio Crespo, presidente do Sindicato dos Leiloeiros. O calendário comercial acompanha uma agenda esportiva que atravessa a feira. Depois da Morfologia, o programa passa ao Freio de Ouro, disputado que começou nesta terça (1º) e vai até o dia 5 de setembro, e à Supercopa Jovem, realizada no mesmo período.

O Freio de Ouro transfere a avaliação da conformação para o desempenho e reúne etapas que medem diferentes respostas funcionais dos animais. A Expointer concentra no mesmo espaço seleção morfológica, competição, circulação de genética e vendas, enquanto os passaportes distribuem a atividade ao longo do ano e por diferentes regiões do Brasil.

Outras raças ocupam as pistas de Esteio

A presença dos cavalos na Expointer vai além do Crioulo e reúne raças com sistemas próprios de avaliação e modalidades esportivas. O Árabe chegou à edição de 2026 com 98 animais inscritos e atividades em oito dos nove dias de feira. Nas pistas 14 e 15, a etapa final do concurso Domados do Pampa inclui Seis Balizas, Três Tambores, Prova Campeira e Rédea Espelhada. Em 5 de setembro, a programação prevê ainda a prova Carro X Cavalo.

O Quarto de Milha tem 71 inscritos e participa de prova de conformação, Laço Interraças e Campeonato de Laço Comprido nas categorias aberto, amador, amador light, jovem e feminino. Para as crianças, a associação programou Vaca Parada e Tamborzinho, atividades recreativas em que os participantes reproduzem movimentos de modalidades equestres sem utilização de cavalos.

O Cavalo Campeiro, também formado na região Sul, participa com 50 animais e tem provas funcionais, marcha, julgamento morfológico e competição de castrados. O Mangalarga reúne 43 inscritos e disputa Cinco Tambores, Working Penning e Prova Social, enquanto o Appaloosa conta com 11 animais e mantém competições em dois domingos da feira.

O Paint Horse completa a agenda apresentada pelos organizadores, ainda que sem animais inscritos em 2026. A programação inclui uma prova de Traje Típico Gaúcho, em que são considerados a apresentação do conjunto, os arreios e a indumentária do ginete. Enquanto essas raças distribuem suas competições por diferentes pistas do parque, o Crioulo entra nos últimos dias da Expointer com as decisões do Freio de Ouro e da Supercopa Jovem.

Acompanhe a cobertura da Expointer no site da Forbes Agro

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