Camila Farani: O inovador comprometido – uma análise de Kevin O’Leary

Zf L/Getty Images
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Descubra as mídias sociais, descubra um relacionamento direto com os clientes e construa um negócio

Outro dia estava lendo uma entrevista do empresário, investidor e meu colega de Shark, Kevin O’Leary, que inclusive é uma das estrelas do programa nos EUA, deu para a consultoria empresarial McKinsey, na qual, explicava seu ponto de vista sobre quais locais existem oportunidades de inovação na era pós-coronavírus e como as novas empresas vem lutando para sobreviver no mercado.

Uma crise econômica vem colocando um tremendo estresse nas pequenas empresas. Kevin, que adotou a empresa Love Pop Cards para realizar seus investimentos, explica que metade das vendas da empresa são no varejo e que na atual situação, em questão de horas, a empresa vem desvalorizando aproximadamente 50% dos seus negócios.

Pensando nos lucros e na maneira como administrar a empresa, Kevin afirmou que estavam se preparando para implementar cortes nos salários dos funcionários, quando souberam que o Programa de Proteção de cheques de Pagamento (PPP) iria chegar. Como o potencial de perdoar empréstimo por estímulo do governo norte-americano é muito alto, essa foi uma oportunidade extraordinária para manter os salários iguais, ou seja, o corte dos salários foi cancelado. Dessa forma, a empresa teve uma maior chance de ser perdoada dos empréstimos realizados.

Segundo Kevin, é possível ver um comprometimento permanente do espaço de varejo nos EUA por duas razões. Primeiro com as lojas se adaptando à crise. Um exemplo, a Love Pop Cards que conseguiu substituir todas as suas vendas no varejo, no setor de flores. Como os centros de distribuição de flores estavam fechados, a empresa passou a vender flores diretamente aos clientes. Já o segundo motivo é que como as coisas passaram a ser administradas remotamente, não existe mais a necessidade de existir um escritório, assim negócios do varejo passaram a ter uma redução de 30% nos gastos.

As empresas empreendedoras têm a capacidade de girar de uma maneira que as grandes empresas não conseguem. Principalmente, uma grande empresa não tem o mesmo estresse sobre sua sobrevivência que uma pequena empresa. Uma startup precisa fazer seus números, o que for preciso, e isso leva à inovação que é a marca registrada dos empreendedores.

A crise obrigou as empresas a repensar muitas coisas, inclusive a realizar trabalhos remotos. “Eu nunca teria implementado trabalho remoto em minhas empresas. Eu não confiaria na tecnologia. Eu não confiaria nas mudanças de tempo. Eu não gostaria de balançar o barco. Mas sou forçado a fazê-lo agora e estou vendo todo tipo de oportunidade para cortar custos, principalmente às custas dos proprietários. Estou contratando assistentes em outros países a um custo menor. Estou trabalhando 24 horas por dia em vários fusos horários. Então, eu sou otimista, acho que os negócios norte-americanos sairão disso com maior eficiência e aprenderão a usar a tecnologia de maneiras que nunca teríamos feito antes”, afirma Kevin.

Grandes empresas estão cortando custos em diversos setores e estão recuando em alguns investimentos que podem permitir maior produtividade e conectividade. Kevin durante a entrevista também falou sobre como as empresas podem estar se tornar mais ágeis e se preparando melhor para o “próximo normal” em vez de apenas se envolverem com o que está diante delas hoje. Uma grande empresa, para Kevin, deve “aproveitar o caos, pois é nele que há oportunidades”. Ele afirma que aproveita este momento para “roubar” clientes dos seus concorrentes, fazendo tudo o que pode para desenvolver um relacionamento direto com os clientes, pois criando essa confiança, “é quase como um serviço de assinatura”, os clientes sempre estarão paralelos a você.

Durante sua entrevista, Kevin deu um conselho sobre como os futuros empreendedores devem dar vida aos seus negócios em meio a incerteza que ronda os dias atuais.

“Existem ferramentas que poderíamos usar com mais eficiência enquanto as pessoas estão em casa, em todo o mundo, cativadas pelo streaming de vídeo, passando horas nas mídias sociais ou nos jogos. Nunca houve uma oportunidade melhor de falar com elas. Quando costumávamos solicitar nossos clientes com ofertas de mala direta, nossas taxas de resposta eram de 2%. Isso constituiu uma grande campanha. Temos campanhas em andamento agora com taxas de resposta de 15 a 17%. As pessoas querem oferecer suporte a produtos e serviços de que gostam, marcas em que confiam. Isso é sem precedentes na minha vida. Então, descubra as mídias sociais, descubra um relacionamento direto com os clientes e construa um negócio”, explica Kevin.

Camila Farani é um dos “tubarões” do “Shark Tank Brasil”. É Top Voice no LinekdIn Brasil e a única mulher bicampeã premiada como Melhor Investidora-Anjo no Startup Awards 2016 e 2018. Sócia-fundadora da G2 Capital, uma butique de investimentos em empresas de tecnologia, as startups.

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