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Economia circular: 5 plataformas que dão muito dinheiro e, ao mesmo tempo, preservam o meio ambiente

O consumo online de produtos de segunda mão deve crescer 69% entre 2019 e 2021, enquanto o setor de varejo convencional deve encolher 15%

6 min
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DivulgaçãoLuanna Toniolo, fundadora do brechó online TROC, mede o sucesso da sua empresa pelo impacto de seu trabalho

Em 2009, época em que o Orkut era apenas um prenúncio do que seria o mundo com as redes sociais e o e-commerce ainda não havia se popularizado mundialmente, Ana Luiza McLaren e Tie Lima decidiram começar um blog diferente: nele, o casal contava a história de roupas das quais tinham enjoado. A ideia era propor uma reflexão sobre a vida útil das peças, que não precisam necessariamente ser descartadas depois de usadas. Por três anos, eles exploraram seus guarda-roupas e produziram conteúdo, até que o aumento da audiência começou a dar indícios de uma oportunidade de negócio.

Ana e Lima fundaram, então, em 2012, a Enjoei, um marketplace que tinha o objetivo de unir vendedores e compradores de peças usadas. “Nascemos para quebrar a ideia do que é novo. Uma roupa pode ser nova para mim, mas ter uma história com outras pessoas. Tanto faz se ela saiu da fábrica ou do armário de alguém”, explica Andressa de Mello, CXO (chief experience officer) da empresa.

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Desde então, a companhia acompanha de camarote o crescimento mundial da moda sustentável e da economia circular, movimento que fez com que o pequeno blog se transformasse em um grande exemplo de sucesso neste mercado. Em 2020, a companhia fez seu IPO e levantou, em oferta primária e secundária de ações, R$ 1,13 bilhão – disso, R$ 618 milhões foram para o caixa da empresa e R$ 515 milhões para o bolso dos acionistas vendedores.

Sem saber, os fundadores da Enjoei tiveram a ideia certa, no momento exato, e hoje aproveitam uma tendência que, ao que tudo indica, é irreversível. Segundo dados do thredUP’s Annual Resale Report, em 2012 os ativos ESG (meio ambiente, social e governança, da sigla em inglês) representavam apenas 11% do mercado financeiro mundial. Para 2025, a meta é alcançar 50%. Com os consumidores comprando ainda mais após a pandemia do novo coronavírus, a aquisição online de produtos de segunda mão deve crescer 69% entre 2019 e o fim deste ano, enquanto o varejo convencional deve encolher 15%.

A empresária Natalia Hohagen, fundadora do Roupartilhar, sentiu na pele a popularização do consumo consciente. Sua empresa, que já arrecadou R$ 215 mil em leilões, foi fundada há apenas um ano. “A pandemia havia começado e eu estava angustiada com a crise. Enquanto falava ao telefone com uma amiga sobre fazer algo de impacto social, tivemos a ideia de criar um grupo no WhatsApp para doar roupas e fazer um leilão”, relembra ela. Com a participação de 50 mulheres que já tinham contato com o mundo da moda, o primeiro evento online durou três dias e arrecadou R$ 30 mil, dinheiro que foi doado para o Hospital São Paulo e para as regiões de Paraisópolis (SP) e Comunidade da Maré (RJ), altamente vulneráveis.

“Esse sucesso foi uma grande surpresa. Vi que deu certo e comecei a fazer leilões quinzenais”, conta Natalia. Mais do que sua própria percepção, grandes marcas também começaram a enxergar o potencial do negócio. “Um investidor-anjo nos abordou e investiu no projeto. Na sequência, a Farm e a NK Store nos procuraram querendo participar dos leilões.” Desde então, a jovem empreendedora já direcionou doações para o Pantanal durante as queimadas e para a crise sanitária de Manaus. “A pandemia nos despertou essa vontade de fazer a diferença, nós precisamos disso.”

IMPACTO AMBIENTAL E SOCIAL

Essa conexão entre impacto ambiental e social é extremamente comum no mundo da economia circular. Luanna Toniolo, fundadora do brechó online TROC, não mede o sucesso da sua empresa pelo faturamento, mas sim pelo impacto de seu trabalho na economia de água. “Uma peça de roupa gasta 2.700 litros de água em sua produção. Quando decidimos comprar uma usada, economizamos esse recurso”, explica, animada pelas últimas conquistas. “Acabamos de bater 500 milhões de litros de água economizados com nosso projeto. O objetivo agora é chegar no primeiro bilhão.”

Para Luanna, que decidiu investir na moda consciente em 2015, quando desistiu de uma promissora carreira no direito tributário, esse resultado precisa ser comemorado. “Eu queria trabalhar com algo que deixasse um legado. E consegui”, diz, com bom humor. Na sua visão, esse impacto positivo não é algo temporário, já que este mercado tende a crescer ainda mais nos próximos anos. “Até 2029, as roupas de segunda mão devem ultrapassar o potencial das fast fashions. É um movimento que já vem acontecendo nos Estados Unidos desde 2009 e que movimenta US$ 30 bilhões no país. No Brasil, esse mesmo mercado vale US$ 7 bilhões”, revela. “Temos peças produzidas para os próximos 200 anos. Já temos muito”, destaca a empreendedora.

Tadeu Almeida, fundador do Repassa, concorda. “A indústria têxtil é responsável por 20% da poluição da água, 5,2% dos resíduos em aterros sanitários e 10% da emissão global de CO2. Tudo isso para que a gente use, em média, sete vezes cada peça que compramos”, ressalta. “Temos que multiplicar o nosso uso médio das roupas.”

Atualmente, a economia circular tem três potenciais: oportunidades de mercado, impacto social e impacto ambiental. Pelo que dizem os dados, é o futuro da moda. “A melhor roupa é aquela que já existe”, sentencia Luanna.

Veja, na galeria abaixo, como cinco empresas de moda circular e consumo consciente funcionam:

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