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COP16: “Somos Otimistas com as Negociações da COP”, Diz Jenny Bowie

Para diplomata colombiana, a Convenção sobre Diversidade Biológica, que ocorre em seu país, deve colocar a biodiversidade na agenda e no âmbito das negociações globais

5 min
Mauricio Dueñas Castañeda - EFEJenny Bowie, diplomata colombiana, está otimista com as negociações da COP16

A Colômbia é “otimista” quanto aos resultados das negociações da COP16 (Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade), embora esteja ciente de que Cali tem uma “uma agenda bastante pesada, grande, e com muita necessidade de decidir”, afirma Jenny Bowie, diplomata e negociadora principal da delegação anfitriã, em entrevista à agência de notícias EFE.  A COP16, que começou em 21 de outubro vai até 1º de novembro, em Cali, na Colômbia.

“Somos otimistas, e esse otimismo parte de uma base de realismo, se é que se pode dizer assim. Acredito que é muito possível, mas necessário, tomar decisões, e estamos muito confiantes de que isso será alcançado”, diz Bowie, que é a primeira mulher afrodescendente a ocupar o cargo de negociadora principal de seu país.

Durante as duas semanas da COP16, as delegações de cada país se reúnem em longas sessões de negociação em busca de acordos e decisões para preservar a natureza. “As negociações realmente são muito difíceis de entender em sua estrutura. Aqui funcionam assim: fala-se em uma plenária, depois abrem-se os grupos de trabalho, e cada grupo tem temas designados, que a partir daí, criam-se novos e menores grupos que trabalham nos textos finais.”

Segundo Bowie, essa agenda ocorre todos os dias e muitas vezes em paralelo. “Sim, demanda uma capacidade bastante importante dos negociadores para atender efetivamente cada um de seus processos, e o trabalho consiste em analisar palavra por palavra, frase por frase, para tomar decisões”.

“No final do dia, vamos encerrar a COP com um pacote de decisões que cada um levará de volta ao seu país e verá como implementá-las em nível nacional”, detalha a negociadora colombiana.

O Lado B Das Negociações

Nesta ocasião, a Secretaria do Convênio sobre a Diversidade Biológica (CBD) propôs trabalhar em quatro grupos de contato que funcionam em paralelo. “Eu considero que o que a Secretaria fez foi tentar avançar na agenda. Chegamos a Cali com uma agenda bastante pesada, grande, e com muita necessidade de decidir”, afirma Bowie.

A negociadora acrescenta que os grupos paralelos afetam “certas delegações que são pequenas em número e não podem participar de todas as deliberações”, o que ela considera uma “dicotomia usual”. No entanto, isso permite um avanço rápido, já que “ter um único grupo de trabalho por dia não é possível quando se tem uma agenda tão carregada”.

Em termos de poder na negociação, “há países megadiversos, como a Colômbia, que contribuem significativamente para a biodiversidade (…), mas isso nem sempre está alinhado com questões geopolíticas”, acrescenta a especialista.

No entanto, nesta oportunidade, por ser o anfitrião, a Colômbia tem uma visibilidade que lhe permite “enviar mensagens, não apenas a nível global, mas também a nível nacional, e colocar a biodiversidade na agenda e no âmbito das negociações”, o que se torna a ocasião ideal para se posicionar na discussão ambiental mundial.

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A equipe negociadora colombiana na COP16 é composta por 70 pessoas, um número extraordinário para um evento realizado no país. Em edições anteriores foram apenas 10 delegados.

As Cinco Prioridades

A Colômbia estabeleceu cinco prioridades, começando pelo financiamento, dos recursos para implementar a Convenção e o Marco Global para a Biodiversidade. “Acredito que essa é uma discussão na qual todos os países concordam, já se identificou que os recursos são insuficientes. Então, a pergunta é quais serão essas novas fontes de financiamento que vamos explorar, além de analisar o quão bem está funcionando o mecanismo financeiro atual”.

O segundo ponto da agenda é a biodiversidade e a mudança climática, no sentido de continuar “fortalecendo uma ação coordenada entre ambos os processos”, diz ela.

As sequências genéticas são o terceiro assunto prioritário. “Como fazer para alcançar uma distribuição equitativa dos benefícios que os usuários têm pelo uso da informação digital dos recursos genéticos? O que se busca é que alguns usuários comecem a contribuir financeiramente e que esses recursos também sejam direcionados a ações para a conservação”, diz Bowie.

Em relação ao quarto e ao quinto pontos, eles estão interligados: um trata das metas e planos nacionais, e como os países farão para que os objetivos adotados globalmente “sejam mais eficazes”, o que se conecta com o marco de monitoramento para ver “como vai a implementação global em matéria de biodiversidade”.

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