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Na COP30, Pela Primeira Vez a Ciência Planetária Terá Seu “Lugar de Fala”

Presidência de uma Conferência da ONU cria um pavilhão dedicado a integrar pesquisa científica e negociações climáticas na Amazônia

5 min

Na 30ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que começa nesta segunda-feira (10), a ciência planetária ocupará o centro das decisões internacionais.

O Pavilhão da Ciência Planetária, localizado na Zona Azul da conferência, é o primeiro espaço mandatado por uma presidência de COP e será co-presidido pelos cientistas Johan Rockström, diretor do Instituto de Pesquisa sobre o Impacto Climático de Potsdam, e Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia.

O pavilhão nasce com a função de conectar pesquisadores e negociadores em tempo real, oferecendo evidências e análises científicas para embasar decisões políticas sobre o clima. A iniciativa integra o conceito da “COP da Verdade”, defendido pela Presidência da COP30, e traduz o apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por decisões baseadas em integridade e ciência.

“A ciência deve guiar nosso caminho para um planeta habitável. A COP30 será a COP da verdade, onde evidência, integridade e cooperação moldarão cada decisão que tomamos pelo futuro da humanidade”, afirma Ana Toni, CEO da COP30.

Na COP30, Pela Primeira Vez a Ciência Planetária Terá Seu “Lugar de Fala"
Fabio Rodrigues-PozzebomAgência BrasilAna Toni, CEO da COP30

O Pavilhão conta com apoio do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático, do Painel Científico para a Amazônia, do Instituto Arapyaú, da Bloomberg Philanthropies, da FINEP, do Instituto Tecnológico Vale (ITV), do Instituto Serrapilheira, da The Rockefeller Foundation, da The Robertson Foundation, da Fundação Packard, da Vivo e da rede We Don’t Have Time, entre outras instituições.

Um centro de decisões com base em dados

Localizado próximo ao Pavilhão IPCC-WMO, o espaço funcionará como centro de comando da ciência planetária durante as duas semanas da conferência. A programação prevê painéis de especialistas, diálogos de alto nível e o lançamento de relatórios técnicos, como o Global Carbon Budget 2025, o 10 New Insights in Climate Change e o relatório do Painel Científico para a Amazônia.

Johan Rockström explica que o pavilhão pretende “medir, alertar e guiar” as ações necessárias para garantir a estabilidade do planeta. “A ciência é clara: estamos colocando em risco a estabilidade do planeta. Este pavilhão é nosso esforço coletivo para garantir que a evidência, e não a ideologia, molde o futuro da humanidade.”

A pesquisadora Marina Hirota, integrante do comitê de programação do Pavilhão e do conselho científico da COP30, destaca que o espaço promoverá também o diálogo com saberes indígenas e locais. “Teremos um dia dedicado à Amazônia e outro à biodiversidade, reforçando como esses temas são centrais em uma COP do clima.”

Entre os eventos centrais estará o Planetary Health Check 2025, avaliação científica global que identifica o estado dos sistemas de suporte à vida e propõe estratégias de recuperação. O estudo mostra que sete das nove fronteiras planetárias já foram ultrapassadas, indicando riscos crescentes de instabilidade climática.

Carlos Nobre, Planetary Guardian e copresidente do pavilhão, afirma que a Amazônia será um tema-chave. “O que acontece aqui determinará se a humanidade será capaz de restaurar o equilíbrio ou desencadear uma mudança irreversível. O Pavilhão representa um novo modelo em que cientistas, líderes indígenas e formuladores de políticas co-criam soluções para um futuro habitável.”

Elizabeth Yee, vice-presidente executiva da The Rockefeller Foundation, acrescenta: “A Ciência Planetária nos oferece o conhecimento de que precisamos para proteger nosso futuro comum. Ela mostra como clima, pessoas e natureza estão interconectados — e como restaurar esse equilíbrio é um imperativo científico e moral.”

O espaço de 150 m² foi concebido como uma arena de dados e visualizações interativas, ancorada no conceito das fronteiras planetárias. O design inclui projeções em tempo real e narrativas produzidas por comunidades indígenas.

Renata Piazzon, CEO do Instituto Arapyaú, resume a proposta: “Na Zona Azul, temos a oportunidade de unir pesquisa científica, dados e agendas políticas e econômicas, garantindo que diagnósticos se transformem em estratégias concretas.”

Além da programação técnica, o pavilhão funcionará como centro de imprensa e canal direto entre cientistas e negociadores. Uma “Linha Direta da Ciência” oferecerá respostas rápidas e baseadas em evidências aos tomadores de decisão.

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, afirmou recentemente que o desafio de manter a meta de 1,5°C até o fim do século “é o verdadeiro teste de integridade e ambição global”, referência que será tema central das discussões em Belém. A previsão é que o Pavilhão receba mais de 250 cientistas e representantes de 60 países durante as duas semanas de evento.

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