A Samarco, joint venture das mineradoras Vale e BHP, registrou prejuízo líquido de US$ 4,61 bilhões em 2025, ante resultado negativo de US$ 2,57 bilhões no ano anterior, mesmo com avanço nas receitas e produção, informou a companhia nesta quinta-feira (12).
O resultado foi impactado principalmente por despesas e variações cambiais ligadas ao Novo Acordo de Reparação do Rio Doce, assinado em 2024, que estabeleceu novas obrigações socioambientais e financeiras devido ao rompimento mortal da barragem da empresa em 2015, explicou.
A receita líquida da Samarco somou US$ 1,90 bilhão, alta de 30% ante 2024, impulsionada por estabilidade operacional e vendas de 15,9 milhões de toneladas de pelotas e finos de minério de ferro, maior volume desde a retomada das operações, em 2020.
O Ebitda ajustado foi de US$ 1,09 bilhão, ante US$ 834 milhões no ano anterior.
O desempenho operacional refletiu o avanço na retomada das operações da empresa, para 60% da capacidade instalada, segundo a Samarco, que ficou cinco anos sem operar depois que sua barragem colapsou, despejando uma onda de lama que deixou 19 mortos, centenas de desabrigados e atingiu o rio Doce de Mariana (MG) até o mar capixaba.
A Samarco encerrou em agosto de 2025 seu processo de recuperação judicial, após o cumprimento de obrigações com credores e acionistas, recuperando acesso ao crédito e avançando em sua reestruturação financeira.
Para os próximos anos, a mineradora prevê investir US$ 2,5 bilhões (R$ 13,8 bilhões) até 2028, com objetivo de retornar a 100% da capacidade produtiva, conforme aprovado pelo conselho de administração.
No campo da reparação, a Samarco assumiu integralmente a execução das ações relativas ao rompimento da barragem de Fundão, destinando cerca de US$ 4 bilhões em obrigações de fazer e US$ 2 bilhões em obrigações de pagar em 2025.