Bombeiros apoiados por 30 aeronaves tentavam nesta sexta-feira conter um incêndio florestal no nordeste da Espanha que devastou uma área do tamanho de San Francisco, forçando a retirada de mais de 1.000 pessoas, no momento em que as recentes ondas de calor deixaram a vegetação extremamente seca em grande parte da Europa.
As sucessivas ondas de calor no início do verão, que muitos cientistas atribuem às mudanças climáticas causadas pelo homem, elevaram as temperaturas a níveis sem precedentes em grandes partes do continente, causando escassez de água, danos às plantações, incêndios florestais e milhares de mortes a mais do que o normal.
De acordo com o Reuters Climate Monitor, a temperatura máxima média na Europa Ocidental na sexta-feira estava prevista para ser de 27,5 graus Celsius, o que representa 4,2°C acima da temperatura máxima normal para 17 de julho no período de 1961 a 1990.
Na França, a seca vem se agravando dia após dia desde o final de maio, mesmo com o recuo da última onda de calor. A previsão é de que as altas temperaturas fiquem restritas principalmente ao sudeste até o fim de semana, segundo a MeteoFrance.
Uma usina termelétrica a gás no sul da França corria o risco de ser desativada, já que as altas temperaturas no Mar Mediterrâneo limitaram o acesso à água de resfriamento, aumentando ainda mais a pressão sobre um sistema energético que já enfrentava redução na produção nuclear devido ao aquecimento das águas dos rios.
Na Alemanha, a baixa profundidade das águas do importante rio Reno tem dificultado a navegação, levando ao aumento dos custos de transporte, embora a chuva tenha ajudado a elevar os níveis, com mais chuvas previstas para os próximos dias.
Tempestades aumentam as preocupações
À medida que o calor diminuía, dando lugar a tempestades violentas em alguns locais, duas pessoas morreram no centro e no leste da França e uma no Estado de Baden-Wuerttemberg, no sul da Alemanha, em consequência da queda de árvores ou de raio.
Uma tempestade do tipo “supercélula” levou ventos fortes e granizo com pedras de até 5 cm, levando motoristas a buscar abrigo sob um viaduto na periferia de Stuttgart devido ao granizo. Os moradores do Estado foram alertados para continuar a esperar condições climáticas severas na sexta-feira.
No nordeste da Alemanha, os bombeiros esperavam que a chuva ajudasse a conter um incêndio florestal no Parque Nacional de Müritz, que já durava quase uma semana, tendo seus esforços dificultados por munições não detonadas em um antigo centro de treinamento militar.