Florian Hagenbuch, da Loft, fala sobre a crise: “Temos uma grande oportunidade de nos aproximarmos da nossa humanidade”

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O fundador da proptech, um dos unicórnios brasileiros, fala sobre a vida em tempos de coronavírus, saúde mental e adaptação para sobreviver – e prosperar

“12 de março de 2020: o que antes parecia tão distante, vindo dos noticiários da China, começava subitamente a parecer realidade aqui também. Enquanto o mercado de ações já antecipava o que estava por vir, eu olhava em volta da Loft, no meio de tecnologia no Brasil, e ainda não via reação. Ver algumas pessoas próximas com suspeita de infecção me trouxe o senso de urgência: como raras vezes, preferimos ser conservadores na Loft e já instruir todo o nosso time a migrar para o home office imediatamente. Better safe than sorry no que diz respeito às nossas pessoas em um momento que, embora ainda turvo, poderia se tornar tão crítico.

Rapidamente montamos um time de crise, contendo mais seis participantes que, junto a mim, passariam a se reunir diariamente (digitalmente, claro: o nome da reunião é “warZoom”) para não apenas entender a situação no mundo, no Brasil e em outras empresas de tecnologia, como debater questões internas e como deveríamos nos ajustar. Os primeiros dias foram caóticos – sinais de todos os lados, para todos os lados – e passaram-se alguns dias até ganharmos confiança que estávamos tomando todas as providências necessárias. Como operamos em uma cultura de extrema transparência, decidimos abrir o material feito a partir destes encontros para o mundo, na esperança de que isso pudesse ajudar outras empresas em desafios semelhantes. O link teve milhares de acessos desde o início da crise.

Uma das nossas primeiras iniciativas foi a mobilização de um de nossos squads de tecnologia, carinhosamente apelidado de “Crystal Ball”. Coletando dados de diversas fontes, começamos a montar as nossas próprias estimativas do avanço do vírus e também do seu impacto para os negócios. Novamente, abrimos todos os estudos e foi muito legal ver o engajamento e colaboração da comunidade de data science e startups no Brasil.

Demos início também a um movimento chamado #costefficiency dentro da empresa: tivemos bastante sorte com o timing do nosso último fundraising, mas acreditamos que o resultado da sorte é o que fazemos a partir dela. Engajamos as nossas cerca de 400 pessoas a procurar oportunidades de economia – seja porque por um tempo não estaríamos no escritório, seja porque são gastos não mais necessários. Neste momento, me impressionei pela enésima vez com a velocidade com que o time se move e com a nossa capacidade de adaptação.

Com o mar ainda em turbulência, mas com mais controle do barco, a primeira preocupação, surgida lá no dia 12, permanece: as nossas pessoas. Mudamos de forma bastante ágil para o home office e, para minha surpresa, começamos a ser muito mais produtivos (minha hipótese é que a nova forma de trabalhar será uma das grandes locomotivas do Brasil nos próximos tempos). No entanto, com a maior produtividade, vem um desafio tão grande quanto: o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional. Tenho discutido este tema diariamente e sinto que ainda temos todos muito o que aprender. Vejo essa situação como uma grande oportunidade de nos aproximarmos da nossa humanidade.

Com alguns desafios endereçados e outros novos que surgem diariamente, temos começado a migrar do modo defensivo para um equilíbrio maior entre as ações de defesa e as ações de oportunidades. Nos próximos meses, seremos constantemente testados, e a capacidade de adaptação será fundamental para não apenas sobreviver mas também prosperar. Neste momento, lares nunca foram tão valorizados, e a tecnologia, tão importante. Vamos continuar trabalhando para oferecer experiências incríveis de moradia para nossos clientes.

Gosto muito de uma passagem do filme sobre o “Apollo 13”, que temos usado como analogia durante os últimos dias na Loft. Enquanto um cético dizia “isso será o maior desastre da NASA”, um dos encarregados de trazer a nave de volta para a Terra, após um problema no mecanismo de pouso, responde: “Com todo o respeito, senhor, acredito que este será o nosso melhor momento”, Isso vale para nós, como empresa de tecnologia, e também para o Brasil: tanto para os indivíduos, quanto para a nação.”

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Quero Educação busca minimizar queda de receita em faculdades privadas

Uma redução de 20% na receita de faculdades privadas é esperada pela Quero Educação, startup que fornece tecnologia para o setor. A edtech dona de um marketplace que conecta alunos a instituições de ensino, prevê maior inadimplência e evasão para o inverno deste ano em relação ao mesmo período em 2019. A Quero diz ter conectado mais de 650 mil estudantes a vagas com desconto em 7.300 instituições de ensino no país.

Segundo a startup, a procura por graduações presenciais e que oferecem a opção de educação à distância (EaD) caíram 52% e 38%, respectivamente, em relação ao mesmo período no ano passado. Todos as áreas apresentaram queda, com exceção para certos cursos de EaD da área da saúde, como biomedicina (que cresceu 62%), fisioterapia (que teve alta de 56%) e farmácia (30%).

Outro problema enfrentado por faculdades é relacionado aos pedidos de redução do valor da mensalidade dos cursos presenciais, agora ministrados online por conta da pandemia. A Quero nota que o custo destas graduações é, em média, duas vezes superior ao valor dos cursos EaD.

Segundo a startup, uma redução de 50% nas mensalidades de cursos presenciais igualaria a evasão média presencial, que segundo dados do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (SEMESP) é de 27%, com 33% para cursos ministrados à distância. Caso as faculdades optem pela redução, a Quero sugere que a concessão seja entre 10% e 15% – mas nota que isso deixa de ser uma estratégia viável no caso de forte evasão de alunos presenciais.

“Muito tem se falado sobre como migrar aulas para o EaD, mas o grande desafio já não está em onde ministrar aulas e sim em como diminuir a inadimplência, evitar evasão e continuar matriculando alunos à distância”, afirma Flávio Rabelo, diretor de serviços financeiros da startup.

Para ajudar as faculdades a continuarem a matricular mesmo no período de crise, a empresa liberou o uso gratuito de sua plataforma Matrícula Digital, que permite que candidatos prestem vestibular, enviem documentos e se matriculem de forma remota. Além disso, a startup de São José dos Campos (SP) oferece um seguro educacional de até quatro mensalidades a ser contratado pelas faculdades e gratuito para os alunos.

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DivulgaçãoPandemia impulsiona streaming

Os serviços de streaming estão experimentando um crescimento significativo em tempos de pandemia. Segundo recente pesquisa da Nielsen, os minutos gastos com conteúdo do tipo aumentaram 50% nos Estados Unidos na semana de 16 de março na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Os minutos de transmissão – 156 bilhões – representam um crescimento de 36% em relação à semana de 24 de fevereiro. A Netflix detém a maior fatia de mercado, com 29%, seguida por YouTube, 20%, Hulu, 10%, e Amazon, 9%.

“Spencer Confidential”, a comédia de ação protagonizada por Mark Wahlberg e produzida pela Netflix, foi o conteúdo mais visto na semana da pesquisa, seguido por “The Office”, da mesma provedora.

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Benefício do governo poderá ser sacado no Banco24Horas

A TecBan, empresa que administra o Banco24Horas, anunciou que o saque digital ganhou uma nova função e poderá ser feito a partir de código numérico enviado por mensagem ao celular do beneficiário. A tecnologia está disponível para qualquer cidadão, inclusive para aqueles que não possuem conta em banco, nos mais de 23 mil terminais distribuídos por cerca de 800 cidades em todos os estados brasileiros.

A solução vai permitir que órgãos do governo, bancos públicos e outras instituições financeiras enviem o código numérico para o beneficiário do auxílio governamental. Com isso em mãos, é só ir a um dos caixas eletrônicos do Banco24Horas, selecionar a opção saque digital na tela e digitar os números do CPF e do código recebido. O dinheiro será liberado na sequência.

“Essa é uma alternativa para o pagamento do auxílio emergencial criado para minimizar a crise econômica do coronavírus”, afirma Tiago Aguiar, head de novas plataformas da TecBan. O executivo diz que a novidade vai facilitar o saque em dinheiro e abrir caminho para novas funcionalidades que promovam o acesso da população aos serviços financeiros oferecidos nos caixas eletrônicos. Segundo o Banco Mundial, cerca de 50 milhões de brasileiros não possuem conta bancária e dependem do dinheiro físico para sobreviver e movimentar a economia local.

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A Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (InvestSP) está conduzindo uma ação para conectar mentores com empreendedores, priorizando negócios que foram impactados pela quarentena. Fundadores podem se cadastrar para as sessões online em https://is.gd/Y8qz4r.

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Getty Images

MAIS

– Um parque de impressoras 3D foi montado pela Facens, centro universitário de Sorocaba (SP), para a produção de escudos faciais para auxiliar instituições e profissionais de saúde. Durante um mês, 14 impressoras 3D e sete profissionais do fablab do centro universitário produzirão cerca de 1 mil equipamentos, que podem ser reutilizados após a higienização adequada e possibilitam uma troca menos frequente de máscaras, segundo a Facens. Os primeiros lotes já foram recebidos por instituições como o Hospital das Clínicas de São Paulo, a Santa Casa de Sorocaba, o Hospital e Maternidade Santa Lucinda, o Hospital Regional de Sorocaba e outros hospitais e clínicas do estado de São Paulo.;

– Com o recebimento de correspondências de forma tradicional comprometido por conta da pandemia e funcionários trabalhando em regime de home office, a Pitney Bowes tem adaptado seu serviço de gestão de documentos e digitalização, com foco em privacidade e proteção de dados. Empresas que contratam o serviço dizem se querem os documentos abertos ou não – no caso da opção por manter o envelope fechado, a Pitney Bowes entrega o mesmo na casa do colaborador. Para manusear os documentos, a empresa está seguindo uma série de medidas para evitar a contaminação dos itens e tem o suporte de um parceiro de medicina do trabalho para tal;

– A Via, empresa de infraestrutura digital para mobilidade pública, anunciou ontem (2) que levantou US$ 200 milhões em uma rodada de financiamento da Série E liderado pela EXOR. A operação, que elevou o valor da companhia para US$ 2,25 bilhões, tem como objetivo ampliar sua atuação em busca de uma mobilidade pública eficiente, acessível e equitativa. Por meio de algoritmo, a Via consegue combinar, em tempo real, vários passageiros com o mesmo destino, reduzindo significativamente o congestionamento e as emissões urbanas e melhorando a qualidade do serviço com menor custo;

– O Sicredi Conecta, aplicativo que permite que associados do Sicredi – instituição financeira cooperativa com 4,5 milhões de associados e atuação em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal – anunciem e vendam produtos e serviços entre si, registrou 2 mil novos usuários somente na última semana de março. Constatou-se também um aumento no tempo médio de permanência no aplicativo – cinco vezes maior que o usual – e quintuplicou o número de pessoas que clicaram no botão “comprar”;

– Para ampliar o escopo de ofertas robustas para o mercado, a Stefanini Scala, venture do Grupo Stefanini especializada em soluções como inteligência artificial, analytics e integração, firmou parceria com a Red Hat, empresa líder em inovação open source recém-adquirida pela IBM. Juntas, as empresas passam a disponibilizar aos clientes acesso a tecnologias confiáveis e de alta performance em cloud. Uma das principais vantagens, segundo a Stefanini Scala, é que a Red Hat já nasceu orientada ao contexto de transformação digital. Ao trabalhar com arquiteturas híbridas, ela atende clientes que trabalham com nuvens públicas e privadas, que já fizeram ou estão iniciando o processo de digitalização;

– A M2M, empresa de tesouraria no modelo software as a service, registrou um aumento de 100% no consumo de seu principal produto de gestão, o Monitor, em março na comparação com fevereiro. A companhia atribui o crescimento a maior preocupação das empresas em monitorar mais de perto a interação de suas operações com os movimentos do mercado, em função da volatilidade registrada nas últimas semanas, principalmente no câmbio e nas commodities.

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