À frente da direção criativa da Alexandre Birman, o designer Guilherme Kfouri recebeu a Forbes em seu ateliê, em São Paulo, para revelar os bastidores do processo de criação dos calçados da marca — com destaque para os modelos “Made to Order”, que partem de R$ 2.290 e podem chegar a valores que só a exclusividade é capaz de determinar. Com passagens por grifes como Giorgio Armani e Sergio Rossi, ele compartilhou sua trajetória, visão estética e bastidores da produção, que vai do ateliê paulistano às fábricas no Sul do Brasil e na Itália.

Entre materiais nobres, personalizações e prazos minuciosos, a experiência revela o que está por trás de um verdadeiro luxo: tempo, escuta e artesania. “Temos uma variedade de materiais à pronta entrega como suede, napa, estampas e texturas, o que facilita o processo criativo. Mas nada impede que a gente vá além, caso o cliente deseje algo mais específico”, explica Guilherme, enquanto mostra as opções dispostas no salão principal de seu ateliê.
O atendimento sob medida é um convite à personalização em cada detalhe. Desde o tipo de couro, a cor da costura e o desenho da forma, até a taloneira, que pode ser gravada com nome, data ou frase especial, em fio de ouro 24k ou prata esterlina. “Depois de definidas as escolhas, já fazemos um croqui para o cliente visualizar. Em até 60 dias, o sapato chega à casa da cliente, mas esse prazo pode variar dependendo da complexidade do modelo.”

Os calçados de noiva, por exemplo, exigem um cuidado especial. “Para modelos em cetim ou cores claras, pedimos 90 dias. A produção precisa ser feita em um ambiente isolado, com luvas, esteiras limpas e materiais dedicados, para garantir a perfeição. Um sapato claro não pode correr o risco de absorver qualquer resquício de outro material”, explica.
Apesar dos prazos, há espaço para exceções. “Já operamos milagres”, brinca. “Teve uma noiva que apareceu numa terça-feira dizendo que se casaria na sexta e não tinha sapato. A gente conseguiu resolver. Claro, o ideal é seguir o cronograma, mas sempre damos um jeito.”

Além do modelo feito sob medida a partir da forma do pé, há também ajustes finos oferecidos na casa. “Muitas vezes o pé é mais magro, e a sandália escorrega. Fazemos ajustes como selar tiras específicas para garantir o encaixe perfeito. É o trabalho de um sapateiro de verdade.”
Kfouri destaca que o conforto vem da união de fatores: “Desde a cava correta, à inclinação, ponto de apoio e onde o sapato deve prender no pé. É um exercício de anatomia e também de sensibilidade.”
Atualmente, a produção da marca é dividida entre três polos: o ateliê em São Paulo, a fábrica no Sul do Brasil e uma fábrica na Itália, localizada na região da Toscana. “Fico hospedado em uma cidade feudal lindíssima nos arredores de Pisa, perto das áreas de trufas brancas — a gastronomia é incrível. A fábrica, que também produz para outras grandes maisons, é referência na produção de sapatos de luxo.”
