A última sexta-feira (08) foi marcada pelo grand finale da Copenhagen Fashion Week – semana de moda da Dinamarca, organizada pelo Danish Fashion Institute. Com a presença de grandes marcas e estilistas, como Forza Collective, Deadwood e o retorno triunfal de Anne Sofie Madsen, a edição Primavera/Verão do fashion show apresentou um spoiler do que pode se esperar das principais tendências que serão vistas no mercado da moda quando chegar o calor de 2026. O evento trouxe à tona um equilíbrio entre criatividade, luxo acessível e responsabilidade ambiental.
Mas, mesmo antes da temporada chegar, algumas das peças e padrões apresentadas nas passarelas dinamarquesas já podem ser incluídas no guarda-roupa dos mais antenados. A combinação de tradição e modernidade, aliada à consciência ecológica, foi o fio condutor da temporada, que serviu como um termômetro do que será tendência no guarda-roupa contemporâneo nos próximos meses.
A principal inovação vai para a brasileira Havaianas, que entrou na era high tech ao lançar seu primeiro chinelo produzido com tecnologia de impressão 3D, em parceria com a Zellerfeld, marca alemã pioneira no segmento. O modelo, escultural e reciclável, fez sua estreia na passarela da OpéraSPORT,apresentando um design inspirado na clássica Havaianas Top, com proporções preservadas e um toque futurista. A partir de setembro, o chinelo estará disponível para compra sob demanda no site da Zellerfeld. O processo envolve o escaneamento do pé pelo celular, garantindo um ajuste anatômico personalizado. A produção é feita inteiramente em 3D, sem o uso de cola, costura ou desperdício, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e inovação.
Confira quais foram as tendências apresentadas nas passarelas da Copenhagen Fashion Week SS26:
1. Chinelos de dedo e alfaiataria: a parceria inusitada

Sendo uma das colaborações mais inovadoras e comentadas da Copenhagen Fashion Week SS26, a parceria surpreendeu ao combinar o casual dos chinelos de dedo com a sofisticação da alfaiataria. Essa relação transcende o simples crossover entre conforto e elegância, propondo uma visão futurista do vestuário onde a tecnologia e o design sustentável caminham lado a lado. Os chinelos, produzidos com tecnologia de impressão 3D e materiais recicláveis, apresentam solados anatômicos e um design que alia conforto e performance, mantendo a essência da marca brasileira Havaianas, mas inserida no universo da moda de alto padrão.
No desfile, os chinelos foram usados com ternos e peças estruturadas de alfaiataria, evidenciando uma desconstrução dos códigos tradicionais do dress code, e reforçando uma estética que valoriza o conforto sem abrir mão do estilo. Essa combinação inesperada ganhou força também fora da passarela, com o lançamento de modelos exclusivos que já começaram a causar impacto no street style europeu.
2. O retorno do slip dress: minimalismo com toque artesanal

O slip dress, ícone dos anos 1990, continua como tendência nesta Copenhagen Fashion Week, com uma releitura que mescla o minimalismo clássico a um sofisticado toque artesanal. Marcas trouxeram versões atualizadas dessa peça que une simplicidade e elegância, explorando tecidos nobres como seda pura e rendas delicadas trabalhadas manualmente. Essa reinvenção vai além da mera nostalgia e reflete um movimento contemporâneo que valoriza a autenticidade, o feito à mão e a valorização de texturas naturais.
No desfile da OpéraSPORT, o slip dress ganhou bordados sutis e detalhes de babados que suavizam a silhueta e acrescentam um ar romântico e delicado, enquanto a Rave Review apostou em sobreposições e novos cortes que dialogam com a fluidez dos movimentos, conferindo modernidade à peça. A tendência confirma uma busca por roupas que transcendem o efêmero, focando em qualidade, sustentabilidade e uma beleza atemporal que respeita tanto o corpo quanto a sensibilidade do vestuário.
3. Decotes assimétricos: a nova geometria da moda

Os decotes assimétricos se firmaram como um dos elementos-chave da temporada, conferindo às peças uma sensação de dinamismo e inovação geométrica. Vestidos e blusas apresentaram cortes irregulares e linhas inesperadas que quebram a monotonia da simetria tradicional, trazendo à tona uma nova linguagem visual da moda. Essa abordagem cria uma tensão equilibrada entre estrutura e fluidez, adicionando profundidade e personalidade aos looks.
No desfile da Freya Dalsjø, os decotes angulares ressaltaram os ombros e o colo de forma sutil, enquanto a Skall Studio apostou em detalhes assimétricos que criaram um efeito visual de movimento constante. Já a Forza Collective explorou a assimetria em blusas combinadas com peças fluidas, trazendo um toque de modernidade e ousadia para o guarda-roupa contemporâneo. A geometria assimétrica evidencia uma moda que celebra a imperfeição planejada, a individualidade e a quebra de padrões.
4. Comprimentos na altura do joelho: conforto e estilo

A temporada SS26 consolidou o comprimento na altura do joelho como uma escolha que equilibra conforto e sofisticação, ganhando destaque em peças como bermudas, bloomers e saias. Essa tendência foi explorada com maestria em peças que dialogam com a praticidade do dia a dia sem abrir mão do apelo visual elegante. A escolha desse comprimento se mostra ideal para climas amenos, permitindo liberdade de movimento e versatilidade para transitar entre ambientes formais e casuais.
Gestuz trouxe bermudas de alfaiataria com cortes impecáveis e tecidos leves, ideais para quem busca uma estética contemporânea sem perder a funcionalidade. Rave Review, por sua vez, apostou nos bloomers com tecidos fluidos, combinando volume e estrutura para criar um visual equilibrado e moderno. Essa versatilidade do comprimento médio reafirma uma busca crescente por peças que atendem às demandas do lifestyle atual, onde conforto e estilo caminham lado a lado.
5. Mini-shorts de alfaiataria: a influência do ballet

Os mini-shorts, tradicionalmente vistos como peças casuais, foram elevados à categoria de alta moda ao receberem tratamentos de alfaiataria e inspirações claras no ballet clássico. Alguns desfiles, como o da Baum und Pferdgarten, evidenciaram essa fusão, trazendo peças que combinam a precisão dos cortes com a leveza dos tecidos e a delicadeza das referências ao mundo da dança. Essa tendência traduz uma elegância despojada que dialoga com o movimento e a fluidez do corpo.
Rave Review apresentou mini-shorts em tecidos estruturados, mas com acabamentos que remetem à suavidade do tutu, enquanto OpéraSPORT explorou a combinação de malhas finas e cortes retos que remetem às linhas do balé contemporâneo. Essa confluência entre o rigor da alfaiataria e a leveza do ballet cria uma estética versátil que valoriza tanto a performance quanto a presença estética, refletindo a pluralidade do guarda-roupa contemporâneo.
6. Gravatas reinventadas: estilo masculino no feminino

Nesta temporada, as gravatas foram ressignificadas para além do seu contexto tradicionalmente masculino, incorporando-se ao vestuário feminino como elementos de estilo e subversão. Foram exploradas gravatas com formatos não convencionais, tecidos inusitados e amarrações diferenciadas, criando acessórios que funcionam como statements poderosos dentro dos looks. Essa reinvenção simboliza a fluidez dos gêneros na moda contemporânea e o empoderamento feminino por meio do vestuário.
Desfiles como o da Forza Collective mostraram gravatas que transitaram entre o formal e o experimental, sendo usadas de maneiras pouco ortodoxas — como amarradas na cintura, em sobreposições ou até como colares. Esse diálogo entre masculinidade e feminilidade cria uma narrativa rica em significado, na qual a gravata deixa de ser um símbolo restrito para se tornar um ícone de liberdade e criatividade, refletindo as novas dinâmicas sociais e culturais.
7. Silhuetas disruptivas: a nova alfaiataria escandinava

Nesta temporada, a alfaiataria escandinava ganhou um novo fôlego ao incorporar silhuetas disruptivas e autorais que desafiam o tradicionalismo do vestuário formal. A mistura entre a rigidez da alfaiataria estruturada e a leveza dos tecidos fluidos gerou uma dinâmica inovadora, conferindo movimento e fluidez às peças. Designers destacaram essa tendência ao apresentar conjuntos onde o corte preciso se contrapõe a elementos delicados como chiffon e seda, criando assim um jogo visual de contrastes entre o rígido e o maleável. O resultado são looks que não apenas ressaltam a técnica refinada, mas que também celebram uma liberdade criativa sem precedentes na moda escandinava contemporânea.
O desfile de Cecilie Bahnsen, por exemplo, evidenciou vestidos que combinavam ombros estruturados com saias vaporosas, criando uma narrativa de dualidade entre força e feminilidade. Freya Dalsjø, por sua vez, trouxe conjuntos onde o volume e a assimetria expressavam uma nova forma de autoralidade, reafirmando a identidade nórdica de inovação aliada à funcionalidade. Essa nova alfaiataria transcende a estética convencional e estabelece um diálogo entre a tradição e o experimental, abrindo espaço para uma moda que é ao mesmo tempo acessível e profundamente artística.
8. Bolsas lúdicas e divertidas: nostalgia dos anos 2000

A nostalgia dos anos 2000 marcou presença forte com bolsas que brincam com a ludicidade e o humor, resgatando referências pop da virada do milênio. Marcas trouxeram acessórios que vão além do funcional, incorporando formas inusitadas — como clutches em formato de ratos, da Anne Sofie Madsen, e outros animais — e detalhes que remetem à cultura pop da época. Essas bolsas tornam-se não apenas itens práticos, mas verdadeiras declarações de estilo e personalidade.
Essa tendência reflete uma busca por autenticidade e diversão, onde o acessório deixa de ser apenas um complemento para se transformar em protagonista do look. O apelo visual é forte, evocando memórias afetivas e convidando os consumidores a ressignificarem sua relação com a moda, incorporando elementos lúdicos que rompem com a sobriedade do minimalismo contemporâneo.
9. Renda branca: do boho ao kitsch

A renda branca demonstrou sua versatilidade nesta edição, aparecendo em estilos que transitam desde o boho chique até o kitsch mais exagerado. Coleções como a da Caro Edition evidenciaram a capacidade desse tecido em assumir múltiplas personalidades, seja na forma de vestidos fluidos com pegada artesanal, ou em peças com aplicações ousadas que brincam com a maximalismo e a ironia. Essa dualidade reforça a renda como elemento indispensável na moda, capaz de se reinventar e dialogar com diferentes estéticas.
A aplicação da renda branca também trouxe nuances de textura e luminosidade, conferindo leveza a peças que combinam simplicidade e complexidade em um mesmo outfit. Essa flexibilidade estética abre espaço para experimentações e mistura de referências, consolidando a renda como um tecido atemporal que dialoga com as tendências do momento.
10. Estampas clássicas repaginadas: polka dots e xadrez

Estampas icônicas como polka dots e xadrez receberam uma releitura contemporânea durante a Copenhagen Fashion Week SS26. A inovação esteve presente na alteração das escalas, variações cromáticas e combinações inesperadas, que deram novo frescor e dinamismo aos padrões clássicos. Essa atualização evidencia a capacidade das estampas tradicionais de se adaptarem às novas linguagens visuais e exigências estéticas.
Marimekko apresentou versões ampliadas dos poás em tons vibrantes e contrastantes, enquanto Baum und Pferdgarten explorou xadrezes em cores suaves e escalas que desafiam as expectativas usuais. Essas reinterpretações permitem aos consumidores incorporar o clássico de forma inovadora, equilibrando tradição e modernidade e criando looks atemporais, porém absolutamente contemporâneos.
11. Maximalismo: paetês e pedras em peças minimalistas

O maximalismo se fez presente com uma abordagem que mesclou elementos exuberantes, como paetês e pedras, aplicados sobre peças originalmente minimalistas. Designers – em especial, a Caro Editions – surpreenderam ao incorporar brilho e textura em roupas de linhas limpas e cortes precisos, criando um contraste impactante entre simplicidade e opulência. Essa fusão demonstra a versatilidade da moda contemporânea, onde o equilíbrio entre excessos e sobriedade é explorado de forma criativa.
O uso de paetês e pedras acrescenta uma dimensão tátil e visual que enriquece as peças, tornando-as ideais para ocasiões que pedem destaque, sem perder a elegância. Essa tendência reforça a importância do detalhe e da personalização no vestuário, convidando o consumidor a explorar diferentes facetas de seu estilo, do discreto ao exuberante, sem abrir mão da coerência estética.
12. Paleta de cores neutras com tons pastel

A paleta cromática da temporada combinou cores neutras clássicas, como branco, bege e cinza, com tons pastel suaves, incluindo azul bebê e amarelo manteiga. Essa combinação foi explorada para criar coleções que evocam serenidade, elegância e frescor. O uso dessas cores transmite uma estética minimalista e acessível, que valoriza a simplicidade sem perder o requinte.
Skall Studio, por exemplo, apostou em looks monocromáticos em bege com detalhes em azul claro, conferindo uma sensação de harmonia e conforto visual. Gestuz, por sua vez, utilizou essas tonalidades para destacar texturas e cortes, reforçando a importância da qualidade do material e do design na percepção de luxo discreto. Essa tendência cromática reforça a busca por uma moda que privilegia a versatilidade e a atemporalidade.
13. Mistura de street style e referências luxuosas

A Copenhagen Fashion Week SS26 trouxe uma mistura ousada entre o street style descontraído e elementos de luxo, refletindo a pluralidade e o ecletismo da moda atual. A estilista Cecilie Bahnsen exemplificou essa tendência ao incorporar peças esportivas, como hoodies e sneakers, junto a tecidos nobres e cortes elaborados. Essa fusão cria um diálogo contemporâneo que atende às demandas de consumidores que buscam tanto conforto quanto sofisticação.
O streetwear ganhou status ao ser reinterpretado com materiais premium e detalhes artesanais, tornando-se adequado para ambientes diversos, do casual ao formal. Essa combinação reforça a importância da funcionalidade e da versatilidade, características essenciais para a moda do futuro, que precisa acompanhar o ritmo acelerado e multifacetado da vida urbana.
14. Uso de tecidos deadstock e reaproveitamento criativo

A sustentabilidade foi reforçada através do uso criativo de tecidos deadstock — estoques excedentes de materiais que seriam descartados — em coleções que valorizam o reaproveitamento consciente. Marcas destacaram essa abordagem ao incorporar retalhos e tecidos reaproveitados em peças que mantêm a qualidade e a estética de luxo – Anne Sofie Madsen e Freya Dalsjø são exemplos de estilistas que apostaram na tendência. Essa prática não só reduz o desperdício, mas também cria roupas únicas, carregadas de história e autenticidade.
Além de representar um compromisso ambiental, o uso de tecidos deadstock promove a criatividade dos estilistas, que exploram novas formas de combinar texturas, cores e padrões. Essa tendência evidencia um movimento crescente na indústria da moda para integrar sustentabilidade e inovação, reforçando que o futuro do luxo passa pela responsabilidade social e ambiental.
15. Design circular e impressão 3D: inovação sustentável

A tecnologia teve papel central na Copenhagen Fashion Week SS26, especialmente através do design circular e da impressão 3D, que permitem a criação de peças com menor impacto ambiental e maior personalização. A colaboração entre OpéraSPORT, Havaianas e Zellerfeld é um exemplo emblemático, utilizando esse tipo de impressão para desenvolver chinelos anatômicos e solados macios feitos com materiais reciclados, aliados a roupas de alfaiataria.
Essa integração tecnológica reafirma o compromisso da moda escandinava com a sustentabilidade e a inovação, criando soluções que respeitam o meio ambiente e ao mesmo tempo ampliam as possibilidades criativas. O design circular, que prioriza o ciclo completo de vida da peça, desde a produção até a reutilização, aparece como um paradigma para a indústria, que busca alinhar estética, funcionalidade e responsabilidade.
16. Referências vintage e irônicas: boinas e clutches inusitadas

A temporada trouxe também um olhar irônico e nostálgico, com referências vintage que dialogam com o passado de forma descontraída e contemporânea. A presença de boinas inspiradas nos anos 1940 de Iamisigo e clutches em formatos inusitados, como animais e objetos do cotidiano, trouxe um ar de humor e personalidade às coleções. Essas peças conferem um toque de irreverência e individualidade aos looks.
Essa abordagem incorpora a nostalgia como ferramenta de expressão cultural, permitindo que o passado seja ressignificado e apropriado para as demandas e sensibilidades do presente. O uso de acessórios inusitados reforça a ideia de que a moda é também uma forma de comunicação, onde a ironia e o humor tornam-se elementos essenciais para a construção de identidade.
17. Sobreposições inusitadas: delicadeza e utilitarismo

Finalmente, as sobreposições ganharam destaque pela combinação inesperada entre peças delicadas e utilitárias, criando looks que equilibram funcionalidade e feminilidade. Marcas como a Bonnetje trouxeram camadas que misturam tecidos leves, como rendas e sedas, com materiais mais robustos e estruturados, como nylon e algodão técnico, explorando contrastes táteis e visuais.
Essa tendência que apareceu reflete a necessidade de uma moda versátil, que acompanhe as múltiplas facetas da vida moderna, onde o utilitarismo se une à delicadeza para oferecer roupas que são ao mesmo tempo práticas e esteticamente ricas. As sobreposições inusitadas ampliam o leque de possibilidades estilísticas, incentivando a experimentação e a personalização no vestir.