Em uma cadeia de ilhas intocadas na província de Tabuk, na Arábia Saudita, o Shebara Resort surge do Mar Vermelho com formas que lembram a ficção científica.
Criado pelo escritório Killa Design, de Dubai, e desenvolvido pela Red Sea Global, o conjunto de 38 vilas sobre a água e 35 vilas à beira-mar representa uma proposta arquitetônica singular. Do alto, as vilas esféricas lembram um colar de pérolas repousando sobre a lagoa, com suas superfícies espelhadas refletindo o céu e o mar até quase apagar a fronteira entre construção e paisagem.

O designer Paolo Ferrari, de Toronto, foi responsável pelos interiores, desenvolvidos para acompanhar o caráter futurista das construções externas. Segundo o profissional, a ideia inicial era unir inovação com elementos da natureza, da mineralidade e do trabalho manual. O objetivo era equilibrar engenharia refinada com aspectos humanos e artesanais.
Esse conceito aparece logo na entrada das vilas: paredes curvas acolhem móveis esculpidos, como sofás que acompanham a arquitetura, camas integradas às mesas de cabeceira e um bar monolítico que se abre hidraulicamente, revelando interior em couro vermelho. Detalhes combinam técnica e arte, como espelhos circulares suspensos, luminárias de vidro sobre mesas de ônix e banheiras que reproduzem o movimento da maré.

A escolha de materiais foi central na identidade visual do Shebara. O uso do aço inox polido no interior foi definido desde o início do projeto. O material, pouco comum em vilas, conferiu uma nova direção ao resort, criando um contraste entre sofisticação e ousadia.
Entre os elementos mais marcantes está o bar dos quartos. À primeira vista, parece um orbe de aço suspenso, sem função evidente. Ao acionar botões escondidos, ele se abre, revelando acabamento em couro. O objetivo era propor um objeto funcional que também fosse uma peça escultórica.
As vilas à beira-mar seguem o mesmo conceito, mas se destacam pelas áreas mais amplas, com terraços extensos, piscinas infinitas e integração direta entre areia e mar. As unidades mais exclusivas, Crown e Royal Villas, ficam em ilhotas particulares. Na Royal Villa, a cama foi esculpida em um único bloco de ônix, exemplo do nível de execução e detalhamento do projeto, em que arquitetura e mobiliário se fundem.
Além da arquitetura, o resort oferece diferentes experiências aos hóspedes. O Rockwell Group projetou piscina, spa e áreas comuns para acompanhar o conceito futurista. Há cinco restaurantes, incluindo o Ariamare, de cozinha mediterrânea comandado pelo chef Marco Garfagnini, e o iki.roe, de inspiração japonesa-nikkei. O spa oferece tratamentos com pérolas e caviar, incluindo esfoliação com meteorito. Outras opções incluem pavilhões de ioga, atividades subaquáticas, clube infantil, piscina infinita e academia equipada com tecnologia de ponta.
Um ponto central é a sustentabilidade. O resort opera de forma autônoma, com energia solar, usina de dessalinização e sistema de gestão de resíduos em ciclo fechado, recebendo certificação LEED Platinum. A arquitetura espelhada não se sobrepõe ao ambiente: reflete o recife de corais, os manguezais e o deserto, integrando-se à paisagem.
O acesso é feito pelo Red Sea International Airport, por hidroavião ou em 40 minutos de barco a partir de Turtle Bay. O Shebara Resort combina design experimental e compromisso ecológico no Mar Vermelho, propondo uma forma de hospitalidade em que arquitetura, natureza e artesanato dialogam de maneira integrada.