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Lençóis Maranhenses sem Perrengue: um Guia para Desbravar o Incrível Oásis de Dunas

Patrimônio Natural da Humanidade, destino vive um boom de turismo e desejo; saiba como planejar hospedagem e logística para explorar a natureza selvagem com máximo conforto

7 min

Oásis de areia branca e lagoas cristalinas perfeitas, os Lençóis Maranhenses deixaram de ser apenas um refúgio de aventureiros e kitesurfistas para virar um dos destinos mais desejados do Brasil. Com seus 155 mil hectares (o tamanho da cidade de São Paulo em formato de dunas), o Parque Nacional foi consagrado como Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco no ano passado.

O título coroa o boom que a região vive desde o fim da pandemia: de 2022 para cá, dados oficiais apontam um aumento de 60% do turismo no estado. O frenesi é tão grande que, apenas em janeiro de 2026, o fluxo de visitantes em Barreirinhas e Santo Amaro saltou mais de 138% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O radar do turismo global já captou essa transformação. Além do voo direto de Miami, o Maranhão receberá, a partir de outubro, duas frequências semanais da TAP conectando Lisboa diretamente a São Luís. Em 2025, os aeroportos maranhenses registraram recorde histórico de 2,2 milhões de passageiros, um crescimento de mais de 14% em relação ao ano anterior.

Na altíssima temporada de ventos e cheias, o sotaque francês domina as dunas. O público brasileiro de altíssima renda também fincou bandeira por lá: celebridades como Angélica e Luciano Huck tornaram-se frequentadores assíduos da região, somando-se a nomes como Gisele Bündchen, Anitta e Glória Pires. Até Max Verstappen esteve por lá.

Mas a pergunta que ecoa entre os viajantes mais exigentes é: como curtir um santuário ecológico de natureza tão rústica sem passar nenhum tipo de sufoco? O destino é complexo e tem uma alma mais selvagem. Exige longos deslocamentos terrestres, estradas de areia, lanchas e caminhadas.

A resposta para uma viagem perfeita está na logística e na curadoria de serviços. A seguir, preparamos um roteiro prático para aproveitar os Lençóis Maranhenses com conforto, privacidade e exclusividade.

Getty ImagesLençois Maranhenses

Manual prático de sobrevivência

Apesar de todo o luxo disponível, os Lençóis Maranhenses ainda são um destino de natureza bruta. Para garantir uma viagem fluida, algumas dicas valiosas:

Quando ir: A alta temporada, quando as lagoas estão cheias e o cenário atinge seu ápice, vai de junho a setembro. Quem vai em junho, de quebra ainda aproveita o São João e as manifestações riquíssimas do bumba-meu-boi; em setembro, foge-se da maior concentração de turistas, depois das férias escolares no Brasil e Europa (julho e agosto).

Quanto tempo ficar: O ideal é reservar de 3 a 4 dias para explorar Santo Amaro ou Atins, as melhores bases da região. Para uma experiência completa, é possível combinar as duas em uma viagem de 7 dias.

DivulgaçãoSanto Amaro

O que levar na mala: O vento na região é implacável. Além do básico (roupas com proteção UV, trajes de banho e vestidos leves), é fundamental incluir na mala itens táticos: jaqueta corta-vento, óculos à prova de vento, lenços e chapéus com amarradores. Até uma balaclava pode ser a sua melhor amiga em cima das dunas.

A logística: O destino é multimodal. De São Luís a Santo Amaro, o trajeto leva cerca de 3h30 de carro. Já para Atins, são 4 horas de carro até Barreirinhas e mais 1h30 de lancha (com desembarque molhado). Agências de luxo, como Teresa Perez e a Nature, operam com transferências milimetricamente calculadas em veículos 4×4 e lanchas privativas para garantir que o hóspede não perca um minuto esperando. É possível até chegar de helicóptero.

Experiências nas dunas

Há alguns anos, o turismo na região exigia improviso. “As pessoas passavam no mercadinho, compravam o lanche e a água, jogavam lá na lagoa e ficavam, não levavam uma cadeira, nada”, relembra Nadna Barros, empresária maranhense e fundadora da agência Nature, uma das grandes precursoras do turismo de alto padrão nos Lençóis. Ao notar a lacuna de serviços para clientes exigentes, ela transformou a experiência local.

Agora, o novo luxo nos Lençóis é não precisar disputar espaço ou interromper o mergulho para ir até um restaurante. A infraestrutura efêmera montada nas lagoas mudou o patamar do destino, entre elas:

Acampamentos de alto padrão: Agências como a Nature e Teresa Perez enviam equipes antecipadamente para montar tendas confortáveis à beira d’água, equipadas com almofadas e cadeiras estruturadas.

DivulgaçãoEstrutura a beira d’agua da Casa Oiá

Gastronomia nas lagoas: Para evitar restaurantes cheios, a nova tendência é ter a culinária maranhense servida no meio das dunas, com a equipe servindo os pratos nas margens da lagoa em cafés da manhã, jantares ou luaus.

O pôr do sol perfeito: Os dias de passeio costumam ser coroados com experiências ao entardecer. Guias preparam tábuas de queijos e frios, além de jantares exclusivos sob a luz da lua.

DivulgaçãoExperiencia de pôr do sol da Nature

Onde ficar

Para fugir do turismo de massa, a alta renda se concentra nas bases de Santo Amaro (a porta de entrada mais próxima das lagoas gigantes e intocadas) e Atins (o vilarejo vibrante à beira-mar que virou reduto do kitesurf).

Santo Amaro

A 240 quilômetros da capital, Santo Amaro está praticamente dentro do parque nacional. As lagoas estão pertíssimo do povoado, e sua localização permite acesso fácil às lagoas situadas no miolo do parque – as que demoram mais a secar.

OIÁ Casa Lençóis: Inaugurada em 2023 pelo TP Group, é uma hospedaria-design instalada em uma antiga fazenda de 52.500 metros quadrados. Com mobiliário brasileiro assinado e projeto da designer Marina Linhares, oferece uma imersão isolada na natureza. A estadia é full board (pensão completa) e inclui um cardápio de passeios guiados, desde quadriciclos a piqueniques noturnos.

Atins

Situada na foz do Rio Preguiças, Atins é o único vilarejo dos Lençóis Maranhenses com praia – ali, mar e rio se encontram em visuais impressionantes. Pé na areia, com estradas não pavimentadas e o estilo de vila de pescadores, é Jeri ou Caraíva antes do hype total. Graças aos ventos que sopram forte entre agosto e janeiro, há muitos anos virou point de kitesurf. É o lado mais cool e badalado dos Lençóis, com as hospedagens mais charmosas.

Getty ImagesVila de pescadores

OIÁ Atins: Inspirada na matriz de Santo Amaro, essa nova operação funciona sazonalmente em parceria com a Casa Gota d’Áya. Oferece conforto de alto padrão com integração total ao agito pé na areia do destino, incluindo mimos como dias de praia com cabana privativa e observação da revoada dos guarás.

Anacardier Privé Hotel: Inaugurado em 2023 e focado apenas em adultos, o hotel combina rusticidade e alto luxo. Com um cardápio voltado à culinária mediterrânea e serviço de mordomia 24 horas, o destaque fica por conta das suítes com banheiras de imersão e piscinas privativas. São 16 acomodações, entre suítes e bangalôs.

Pousada La Ferme de Georges: A grande pioneira do luxo no vilarejo. Situada fora do centrinho, a pousada oferece chalés amplos hiper bem-decorados, cercados por cajueiros selvagens e hortas orgânicas, garantindo uma sensação imersiva de estar no meio da selva.

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