O automobilismo sempre foi parte do imaginário brasileiro por ser um esporte de paixão, prestígio e ídolos que viraram lendas, como Ayrton Senna e Emerson Fittipaldi. Mas, hoje, em um mundo em que inovação e sustentabilidade ditam tendências, a Fórmula E surge como a nova fronteira da velocidade: diferente da Fórmula 1, os carros são 100% movidos à eletricidade. Nesse contexto, nomes como o do neozelandês Mitch Evans, piloto da Jaguar TCS Racing, ganham destaque não apenas nas pistas, mas também fora delas.
Aos 30 anos, Evans representa uma geração que corre contra o tempo em direção a um futuro elétrico e mais sustentável. Ele abriu a temporada 2024 da Fórmula E em São Paulo e subiu ao pódio, reforçando sua relação com o país que sempre esteve no coração da cultura automobilística.
Protagonista da série documental Fórmula E: DRIVER, recém-lançada pelo Prime Video, Evans leva o público para além do capacete. Entre performance, disciplina e lifestyle, ele revela um lado raramente visto: “Foi uma experiência única. Sou bastante reservado, então precisei de um tempo para me acostumar”, disse em entrevista exclusiva à Forbes.
Brasil no radar: emoção e mercado
Para Evans, correr em São Paulo é sinônimo de tradição e paixão. “Correr no Brasil é muito especial por causa da história que o país tem com todas as corridas de Fórmula 1 e alguns dos pilotos icônicos que vieram daqui. E todos sabemos que os fãs são muito apaixonados por esportes, mas especialmente pelo automobilismo”, afirmou.
A Fórmula E chegou ao Brasil há apenas três anos, mas Evans já construiu uma história particular com o circuito paulistano. Ele foi o primeiro vencedor na capital, em 2023, repetiu o feito em 2024 e reconhece que a cidade já se tornou um de seus destinos favoritos. “É sempre um lugar agradável para correr. E qualquer lugar com fãs apaixonados é ótimo, mas o Brasil definitivamente está no topo”, diz.
A relação entre o piloto e o país não se restringe à emoção das corridas. O Brasil é um dos mercados emergentes mais relevantes para o setor automotivo de luxo, que projeta crescimento impulsionado pela mobilidade elétrica e pela demanda de consumidores de alto padrão em busca de inovação e sustentabilidade. Nesse sentido, a presença de um piloto como Evans não apenas mobiliza fãs, mas reforça a imagem do Brasil como praça estratégica para marcas globais.
Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o Brasil registrou mais de 500 mil veículos eletrificados leves em circulação em 2025 — um crescimento de 89% em relação ao ano anterior. Para fabricantes como a Jaguar, que projeta se tornar 100% elétrica até 2025, o mercado brasileiro se apresenta como terreno fértil para consolidar produtos de luxo que aliam status e consciência ambiental.
Dos bastidores às telas: lifestyle de um piloto de elite
Se as pistas já colocavam Evans entre os grandes nomes do automobilismo, a série Fórmula E: DRIVER ampliou esse alcance ao mostrar o cotidiano de pilotos em um formato de entretenimento global. Para ele, a experiência foi reveladora: “Sempre tem coisas que você percebe ao assistir depois, que não tinha notado que estavam na câmera, mas nada preocupante. No geral, foi bem documentada e uma experiência única para mim participar de algo assim”.
Mais do que exposição, a série reforça um movimento crescente no esporte: aproximar o público dos bastidores, transformando a performance em narrativa cultural. “Esses documentários esportivos são bons para o esporte. Todo grande esporte parece estar fazendo isso agora, e acho que é necessário para dar mais proximidade aos fãs atuais e também atrair novos”, comenta.

A escolha do Prime Video em apostar na Fórmula E acompanha uma tendência já consolidada por produções como Drive to Survive, da Fórmula 1, que elevaram o automobilismo ao status de produto pop e de lifestyle. Evans reconhece que esse tipo de visibilidade é estratégico para a categoria. “O principal objetivo é atrair novos fãs. Espero que haja uma nova temporada em algum momento, que continue a gerar mais interesse pela Fórmula E, que ainda está crescendo”, afirma.
Para além da tela, o lifestyle de Evans conecta-se ao universo do luxo. Residente em Mônaco, ele admite ter algumas indulgências: “Eu adoro comida boa, sair para jantar, e gosto muito de moda — roupas, compras. Essa é provavelmente a minha fraqueza. Me permito alguns mimos de vez em quando, mas principalmente com comida e compras”.
Jaguar e o luxo sustentável: inovação nas pistas e nas ruas
A parceria entre Evans e a Jaguar vai além da relação piloto-equipe. Ele se tornou embaixador da marca e uma peça-chave na narrativa de inovação que a fabricante britânica constrói para o futuro. “Estou em uma posição especial e única. A Fórmula E também está em uma posição única — o ritmo de desenvolvimento dos veículos elétricos é muito rápido, e a Fórmula E está até um pouco à frente da indústria automotiva”, observa.
O piloto destaca que avanços como regeneração de energia, gerenciamento térmico e eficiência já são aplicados nas pistas e, em breve, estarão integrados aos carros de rua. “Estamos na linha de frente de uma tecnologia muito avançada que será incorporada aos carros de rua. Eu sou uma parte pequena disso, mas estar nesse processo é bem legal”, completa.

A Jaguar anunciou que até 2025 terá um portfólio 100% elétrico. Esse compromisso reflete não apenas uma tendência de mercado, mas uma resposta ao consumidor de luxo, cada vez mais atento a critérios de sustentabilidade. Para Evans, essa transição é motivo de orgulho: “Estar na linha de frente disso, representando a marca nas pistas e participando das etapas de desenvolvimento, é muito legal. É um momento emocionante para a Jaguar”.
O mercado global de veículos elétricos de luxo está em franca expansão. Segundo a Allied Market Research, ele deve atingir US$ 733 bilhões até 2030, impulsionado pela demanda de alta renda por design, performance e sustentabilidade. Nesse contexto, a imagem de Evans ajuda a posicionar a Jaguar como referência em um segmento que já molda o futuro da mobilidade.
Alta performance, disciplina e futuro
Atrás do glamour, a rotina de um piloto de elite é marcada por disciplina e preparo mental. Evans treina em simuladores que recriam até 90% da realidade das pistas e conta com acompanhamento de um coach mental da Nova Zelândia. “Como atleta, nem sempre você tem bons dias. Você não vence todas as corridas, e lidar com isso é difícil. Ter alguém para conversar é importante”, explica.
Essa busca por equilíbrio mental e físico não é apenas uma exigência esportiva, mas também um valor associado ao lifestyle de alto padrão: resiliência, disciplina e performance. Características que ressoam com consumidores e marcas que se conectam ao universo da excelência.

Fora das pistas, Evans mantém uma empresa com parceiros — a Apex — e aposta em moda e gastronomia como formas de expressão pessoal. Ainda assim, seu principal objetivo segue claro: conquistar o título mundial da Fórmula E. “Já fiquei perto — fui vice algumas vezes. Esse é meu próximo objetivo. Se eu ganhar um, vou querer ganhar dois, mas o foco agora é o primeiro título”, conclui.