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Ex-CEO da Six Senses Lança Nova Plataforma de Turismo de Luxo Sustentável

Neil Jacobs apresenta projeto que une consultoria e estúdio criativo, ampliando sua visão de hospitalidade com propósito, bem-estar e sustentabilidade

4 min

A indústria do turismo é marcada pela constante reinvenção. Não surpreende, portanto, que o executivo de hospitalidade Neil Jacobs esteja iniciando uma nova fase. Por mais de uma década, Jacobs redefiniu a noção de turismo de luxo à frente da Six Senses, onde consolidou uma abordagem sustentável, enraizada no território e orientada por propósito.

Em julho, ele encerrou seu ciclo na Six Senses para lançar a Wild Origins, coletivo de consultoria e estúdio criativo voltado a projetos transformadores. A nova plataforma amplia e atualiza as filosofias que marcaram sua gestão, levando adiante o compromisso com experiências de impacto.

Redefinindo o turismo de luxo

O novo empreendimento mantém os valores que guiaram a trajetória de Jacobs: trabalhar com significado. Como ele explica, “existem pessoas interessadas em fazer negócios de uma forma diferente, incorporando bem-estar, hospitalidade e sustentabilidade em algum nível. Não é possível conduzir um projeto que não reflita essa posição pessoal.”

Essa transição acontece em um momento em que viajantes buscam experiências transformadoras — que ofereçam profundidade e valor, além do conforto material. Para Jacobs, a essência do turismo de luxo contemporâneo está em aspectos como o modo de se deslocar, o descanso genuíno e a qualidade das conexões humanas.

Craig Cogut, CEO da Pegasus Capital Advisors — que controlava a Six Senses antes de sua venda para a IHG — destaca a rara habilidade de Jacobs de antecipar cenários 10 ou 20 anos à frente. Segundo ele, em um setor dependente de pessoas, atrair talentos com sensibilidade é algo intangível, e Jacobs domina esse atributo.

Experiência em hospitalidade global

Jacobs assumiu a liderança da Six Senses em 2012, quando a marca era conhecida pelo conceito de luxo despojado em destinos remotos do Sudeste Asiático. Sob sua gestão, a rede cresceu de oito para 26 propriedades, com mais de 30 em desenvolvimento, expandindo-se para a Europa, o Oriente Médio e as Américas, além de incorporar hotéis urbanos e residências privadas.

Entre suas diretrizes estavam a ideia de que luxo não deve ser sinônimo de desperdício, de que bem-estar não se restringe ao spa e de que experiências devem refletir o território local. No Vale do Douro, em Portugal, por exemplo, a rede substituiu elementos asiáticos de um hotel adquirido por materiais regionais, como azulejos portugueses.

Antes da Six Senses, Jacobs atuou por 14 anos no Four Seasons, liderando operações na Ásia e reforçando o foco da rede em bem-estar. Depois, como presidente da Starwood Capital Group, colaborou com Barry Sternlicht na criação das marcas 1 Hotels e Baccarat Hotels. Essa trajetória lhe conferiu uma visão abrangente, ao mesmo tempo operacional e inovadora.

Wild Origins: uma nova plataforma

A Wild Origins nasce estruturada em colaborações estratégicas. Jacobs já atua como consultor da Cain, grupo de private equity baseado em Londres e Nova York, em projetos de hospitalidade e bem-estar. Também colabora com o Potato Head, em Bali, apoiando a expansão internacional da marca, que começou como clube de praia e hoje inclui hotéis.

Na Arábia Saudita, participa de duas iniciativas ligadas ao turismo: integra o conselho da Riyadh School of Tourism and Hospitality, em Qiddiya — que pretende formar entre 15 mil e 20 mil estudantes, grande parte em ambiente virtual — e compõe o conselho consultivo da TOURISE, plataforma global dedicada ao futuro do turismo no país.

Trabalho com propósito

Apesar do reconhecimento, Jacobs reforça que seu maior interesse está em desenvolver projetos que façam diferença, sobretudo em iniciativas de sustentabilidade capazes de beneficiar comunidades. Para ele, essa abordagem alia responsabilidade e viabilidade comercial.

Seu foco nas pessoas guia desde a formação de equipes até os processos criativos. Ele defende que inovação exige método e ambiente estruturado, e não apenas inspiração espontânea. Boas propostas de hospitalidade, segundo Jacobs, dependem de clareza de propósito e narrativa consistente, mais do que de grandes investimentos.

Jacobs também mantém acompanhamento com um coach, que influencia sua visão de liderança e de vida. A partir dessa perspectiva, ele acredita que os estados emocionais são moldados pelos pensamentos do momento e que a consciência disso pode trazer equilíbrio. Essa mesma lógica se aplica à sua carreira: a vida tem altos e baixos, mas cada fase faz parte do processo.

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