1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. “O Preá É a Aspen dos Trópicos”, Diz Guilherme Benchimol
Forbes Life

“O Preá É a Aspen dos Trópicos”, Diz Guilherme Benchimol

Com vento previsível e geografia ideal para velejar longas distâncias, o Preá virou um refúgio de natureza, equilíbrio e novo luxo para quem busca no kitesurf mais do que um esporte

9 min

Existem lugares que mudam a relação de uma pessoa com o tempo, com o corpo e consigo mesma. Para Guilherme Benchimol — e também para seu sócio no Vila Carnaúba, Júlio Capua — essa mudança tem nome, coordenadas e vento constante: Preá, no litoral do Ceará. Um destino onde o kitesurf deixa de ser esporte e passa a ser um estado de presença, e onde uma nova infraestrutura começa a dar forma ao que ambos definem como o futuro do “luxo pé na areia” no Brasil.

Benchimol começou no kite há 25 anos, mas foi somente uma década atrás que descobriu o Preá e entendeu, sem exagero, que ali estava “o melhor lugar do mundo para velejar”. A frase que repete com naturalidade — “o Preá é a Aspen dos Trópicos” — não é um recurso poético. É uma analogia técnica. “A combinação do vento, da geografia e da maré cria uma condição única. Em Aspen você desce a montanha; aqui você desce com o vento por centenas de quilômetros, sem precisar voltar para o ponto inicial.”

No Preá, o vento funciona como relógio. “Das 10h às 17h é como se ligassem um ventilador gigante”, diz. Isso permite velejar longas distâncias com uma suavidade que, segundo ele, não encontrou em nenhum outro lugar do mundo — nem no Caribe, nem na Europa. Somado à beleza crua da região e ao ritmo de vila de pescadores, o Preá revela um Brasil que o próprio brasileiro ainda não aprendeu a ver.

Da pior experiência hoteleira ao nascimento da Casa Siará

DivulgaçãoPiscina da Casa Siará, hotel boutique de 8 quartos no na Praia do Preá

A primeira visita de Benchimol ao Preá não teve nada de glamour. “Eu fiquei num hotel cheio de mosquito. O lugar era maravilhoso, mas a experiência foi a pior da minha vida.” Anos depois, surgiu a chance de comprar um terreno para construir uma casa — e o retorno foi imediato.

“Eu gostava tanto do lugar que pensei: vou fazer a minha casa, mesmo que venha pouco. São oito meses de vento perfeito.” No meio da obra, o projeto deu um salto. “Percebi que poderia virar um hotel boutique. A Casa Siará nasceu assim: não como um hotel, mas como a minha casa.”

Com oito suítes e mais três quartos anexos, a Casa Siará opera como um super boutique hotel, com cerca de 60 funcionários para no máximo 40 hóspedes. Tem kite club completo, academia, spa, quadra de tênis e um serviço afinado. “O conceito é simples: você está na minha casa. É isso que o Preá inspira.”

O esporte como antídoto moderno

DivulgaçãoGuilherme e Ana Benchimol com o amigo e sócio Julio Capua

Benchimol acredita que sua relação com o kite responde a algo maior: um sintoma do nosso tempo. “Hoje o mal do século é a ansiedade”, afirma. “Todo mundo preso ao WhatsApp, às redes sociais, vivendo num estado de alerta permanente. E aí acha que felicidade está em ter coisas, em anestesiar. E não está.”

Para ele, o Preá — e o kite — são exatamente o oposto dessa lógica. “O kite te obriga a estar presente. Se você pensa no problema, toma um caldo. É agora ou agora.”

Ele defende que o novo luxo é simples: natureza, rotina saudável, tempo de qualidade, valores transmitidos aos filhos. “É um ambiente de família, de conexão com o essencial. Isso combate a ansiedade de um jeito que remédio nenhum combate.”

Equilíbrio, presença e o luxo das coisas simples

A relação de Benchimol com o esporte vai muito além do kite. Ele já praticou inúmeras modalidades — esqui, corrida, surf — e segue explorando novos desafios. Mas o que o Preá oferece, diz ele, é mais profundo: “Duas horas na água e você sai uma pessoa diferente. É praticamente uma meditação.”

Para ele, o destino é um antídoto moderno: um lugar onde felicidade não tem a ver com consumo, e sim com ritmo. “É uma vida mais lenta, mais verdadeira.”

“O Preá é uma joia que o Brasil ainda não descobriu por completo”, resume. Simples, sofisticado no essencial, com mar azul e vento previsível como em nenhum outro lugar do mundo. É ali, entre natureza, esporte e presença absoluta, que o fundador da XP encontra o que define como equilíbrio real — e o que tantos, hoje, buscam sem saber onde encontrar.

Vila Carnaúba: o condomínio que nasce do vento e reposiciona o Preá no mapa do novo luxo

Mônica SpohnVila Carnaúba

Se Benchimol ajuda a traduzir o Preá como destino emocional e esportivo, Júlio Capua dá a dimensão territorial desse movimento. A Vila Carnaúba é a tentativa mais ambiciosa de estruturar a vocação do lugar: um condomínio de alto padrão, lagoas artificiais, hotel de bandeira asiática e uma infraestrutura pensada para quem quer vento, mas também quer vida de praia em família.

Capua conta que a história começou na pandemia, com a compra de grandes áreas de terra na região. De lá para cá, a transformação tem sido rápida: “Lançamos o Vila Carnaúba em 2022, um loteamento de alto padrão com seis lagoas artificiais. Vendemos cerca de 110 lotes na fase 1, e hoje já são 55 casas em obra, de todos os tamanhos — de R$ 4 milhões a R$ 40 milhões”, diz.

O movimento do mercado ajudou a consolidar a tese. “Começamos vendendo a R$ 900 o metro quadrado e encerramos a beira de lagoa a R$ 3.000 o metro. Em três anos, o preço triplicou”, afirma.

A fase 2, que está sendo lançada agora, adiciona mais duas lagoas e 38 novos lotes à beira d’água, além de um componente que muda o patamar do destino: 26 branded residences ligadas ao futuro hotel Anantara, primeira unidade da rede asiática na América Latina. Cada casa, térrea, com quatro suítes, piscina de frente para a lagoa e rooftop, deve ser vendida na faixa dos R$ 10 milhões, com serviço completo do hotel — da roupa de cama ao room service.
“É um hotel cinco estrelas plus plus plus”, resume Capua, rindo. “Mas o espírito continua sendo pé na areia, não marble everywhere.”

Do vento perfeito à vida de quem não veleja

DivulgaçãoLagoa Wind House

O ponto de partida de tudo continua sendo o vento. Capua, kitesurfista experiente, acaba de concluir um rali de quatro dias velejando 100 quilômetros por dia ao longo da costa do Ceará. “Velejei de Fortim até o Preá, foram uns 400 quilômetros. Quando cheguei, tive certeza: essa é, disparado, a melhor parte da costa. Ainda bem que nossa casa é aqui.”

Mas ele faz questão de reforçar que a Vila Carnaúba não é um projeto só para velejadores. “Você tem seis meses por ano que são o paraíso do velejador, mas o pesadelo de quem não faz kite, porque venta muito. Então criamos essas lagoas justamente para quem não está na água. É quase uma versão editada das lagoas dos Lençóis Maranhenses: água doce, visual lindo e casa na borda.”

A lógica se repete no Canaúba Wind House, clube com hospedagem anual: uma porta de entrada para quem quer viver o lifestyle do Preá sem necessariamente comprar uma casa. O complexo reúne lagoa de 2.000 m², kids club, academia, spa, quadras de tênis e beach tênis, além de programação que inclui até aula de pesca com pescador da vila.
“Tem muita gente que não tem certeza se quer uma casa, mas quer começar a vir todo ano. O clube resolve isso.”

O kitesurf como ski do verão — e como válvula de escape

DivulgaçãoHóspedes da Casa Siará indo fazer kitesurf no Preá

Assim como Benchimol, Capua vê o kitesurf como uma chave de bem-estar contemporâneo. “Eu fiz um rali velejando 100 quilômetros por dia. No fim, parecia que eu tinha tirado um mês de férias. Você fica tanto tempo focado na pipa, no vento, na onda, que não consegue pensar em mais nada. É presença total.”

O lifestyle do kite, ele diz, é simples: bermuda, lycra, mochilinha. Pé na areia, pôr do sol, mar quente.
“Isso está atraindo cada vez mais executivos e famílias inteiras.”

O Brasil, para ele, reúne condições únicas. “Temos a costa mais velejável do mundo. Podemos ser a melhor estação de kitesurf do planeta. Falta só colocar holofote nesse potencial.”

Novo luxo: pé na areia, planejamento e menos concreto

Por trás dos números, há uma visão urbanística que tenta fugir do clichê do “condomínio de luxo” desconectado da realidade. Ruas de areia, deslocamento de bicicleta, paisagismo nativo e arquitetura ventilada são premissas da Vila Carnaúba. “É óbvio que você quer conforto absoluto. Mas quer acordar e sentir a areia. Para mim, isso é luxo.”

O grupo trabalha com capacitação local em parceria com Sebrae e Senai, e prepara um projeto Minha Casa, Minha Vida para trabalhadores da região, numa tentativa de evitar favelização e crescimento desordenado. “Não queremos só fazer condomínio, vender e ir embora. A ideia é que a região vire um case de desenvolvimento bem planejado.”

Pedro PeracioFinal de tarde na Praia do Preá

O vento como vocação — e o Preá como destino definitivo

No fim, tudo converge para a mesma tese compartilhada entre Benchimol e Capua: o Preá reúne as melhores condições do mundo para o kitesurf e, ao mesmo tempo, o ambiente ideal para um novo tipo de luxo brasileiro — menos sobre ostentação, mais sobre presença, família, simplicidade sofisticada e vida ao ar livre.

Uma combinação rara que, nas palavras de Capua, “o Brasil já tem; só falta iluminar.”

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.