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Beber ou Mastigar? Monique Evelle Investe em Foodtech de “Drinks Comestíveis”

Empresária participa de rodada de R$ 2 milhões na startup espanhola Ositos, detalha planos de expansão para a Europa e suas estratégias para 2026

6 min

O que começou como um experimento caseiro de transformar álcool em “shots” comestíveis em 2019 se transformou em um negócio que incomodou gigantes da indústria – chegando a virar alvo jurídico da alemã Haribo – e chamou a atenção de investidores pelo mundo. É o caso de Monique Evelle. A empresária e “Shark” brasileira acaba de anunciar seu aporte na Ositos, foodtech espanhola que profissionalizou uma “brincadeira” universitária e criou uma nova categoria global: gummies com 15% de teor alcoólico que dispensam copo e refrigeração.

Parte de uma rodada estratégica de R$ 2 milhões, o investimento marca a entrada de Monique na Europa. A aposta da empresária não é no doce em si, mas na mudança de ritual. “Eu não invisto em produto, invisto no hábito que ele cria”, resume ela à Forbes. “A Ositos não compete com o drink tradicional; ela cria um momento de consumo mais simples, portátil e social”.

Ositos: da “gororoba” à escala milionária

A Ositos nasceu em Bilbao, na Espanha, quando o estudante Ander Méndez e seus amigos tentavam misturar balas de goma com vodka na geladeira. O resultado inicial foi desastroso – uma “gororoba”, nas palavras dos fundadores –, mas revelou um potencial de mercado. Após anos de pesquisa e desenvolvimento, eles desenvolveram uma tecnologia proprietária capaz de manter o álcool estável em estrutura sólida.

DivulgaçãoA Ositos transformou clássicos da coquetelaria em gummy bears

Daí a possibilidade de reproduzir clássicos da coquetelaria, como Mojito, Piña Colada, Margarita e Gin Tonic, em formato de ursinhos de goma. 

A pergunta inevitável, porém, é: por que alguém trocaria uma taça por um gummy? A resposta de Monique, que conheceu a marca em Barcelona durante seu mestrado em branding, está na conveniência: não exige copo, gelo ou preparo, pensado para situações em que o consumo precisa ser “simples, portátil e compartilhável”. Uma solução para festivais, viagens, o “esquenta” da balada ou como um presente inusitado – no lugar da tradicional garrafa de vinho, uma caixa de daiquiris comestíveis. “É um produto que conversa com quem gosta de experimentar primeiro, levar algo diferente para a mesa e provocar conversa”, diz ela.

A ideia vingou. Hoje, a Ositos vende 5 milhões de unidades por ano, presente em mais de 250 pontos de venda na Espanha e Portugal. O produto chegou a chamar a atenção da Haribo, incomodada com a semelhança no formato de “gomas de ursinhos” do produto. Em 2020, a multinacional enviou uma notificação extrajudicial, mas, no fim, a disputa não barrou a expansão da marca.

DivulgaçãoA ideia dos fundadores da foodtech é expandir os drinks comestíveis globalmente na próxima década

Do lado dos jovens empreendedores, a meta é ambiciosa: alcançar mais de mil lojas até o fim de 2026 e colocar o produto em supermercados do “mundo inteiro” na próxima década. A recente rodada de investimento vem para fortalecer justamente essa nova fase. “Estamos revolucionando o setor com a maior inovação dos últimos séculos: mudamos o estado da matéria do álcool”, diz Méndez.

Os números justificam a aposta: avaliado em US$ 9,72 bilhões em 2023, o mercado global de gummies deve mais que dobrar de tamanho até o fim da década, alcançando US$ 23,22 bilhões em 2030, segundo a Grand View Research. O potencial se multiplica ao cruzar com o setor onde a marca realmente navega: a indústria global de bebidas alcoólicas, estimada em US$ 1,7 trilhão.

A primeira ponte de Monique Evelle na Europa

Nesta missão, o co-CEO da foodtech celebra a chegada da brasileira ao time, enfatizando a sinergia entre ambos. “Percebemos que Monique estava impulsionando uma das marcas mais incríveis de energético do Brasil. Ela está super focada nos negócios da nova economia, que é exatamente o nosso caso”. 

A empresária, que já possui em seu portfólio marcas que desafiam formatos tradicionais – como a Dot Energy, o primeiro energético em bala do Brasil –, viu na Ositos a mesma ousadia de reconfigurar hábitos consolidados. Agora, essa entrada marca um ponto de inflexão em sua carreira: esse é o primeiro ativo europeu do portfólio de Monique. “A marca me conecta a um ecossistema europeu de inovação e consumo”, explica. 

O movimento abre caminho para uma via de mão dupla: trazer a tecnologia das gomas para o Brasil – um mercado que a investidora considera ideal pela cultura de socialização em grupo – e, simultaneamente, preparar a internacionalização de marcas brasileiras de seu portfólio, como a Dot e a Lubs. 

“Acredito em expansões bem escolhidas. A Europa pode ser um próximo passo, desde que faça sentido culturalmente. Se for para atravessar fronteiras, que seja para criar relevância real, não apenas distribuição”. 

O que 2026 reserva

O ano, no entanto, não será focado apenas em produtos de prateleira. Monique revela que sua estratégia de investimentos está se voltando cada vez mais para a “vida real”.

O pontapé inicial será no Carnaval de Salvador, com o projeto “Amigos da Casa”. Ela descreve a iniciativa como um “experimento real” para testar suas marcas. “O Carnaval é um dos ambientes mais honestos para observar comportamento sem filtro. É ali que tendências aparecem antes de virarem dados”, analisa.

Além da folia, a empresária mira um novo setor até o fim do ano: a hospitalidade. “Tenho muito interesse em aprofundar minha atuação em experiências urbanas. Bares, clubes culturais e espaços híbridos são, para mim, grandes laboratórios de marca e ritual”.

Seja apostando em drinks em gomas na Espanha ou criando espaços de convivência no Brasil, a tese de Monique Evelle para seus novos negócios permanece a mesma: “A nova economia não se define apenas por tecnologia ou velocidade de escala. Ela se define por significado, impacto e desejo. É isso que sustenta valor no longo prazo”.

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