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Jogos de Inverno: Países Pagam Altos Bônus por Medalhas — e Este Terá de Desembolsar US$ 7,8 Milhões

O Comitê Olímpico Nacional Italiano se comprometeu a pagar um bônus em dinheiro a qualquer atleta do país que conquistasse medalha

6 min

A Itália gastou bilhões de dólares para se preparar para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno deste ano, em Milão e Cortina d’Ampezzo. Mas agora, após a cerimônia de encerramento de domingo (22), que marcou o fim de duas semanas e meia de feitos heroicos e frustrações, a conta do país deve aumentar em mais US$ 7,8 milhões.

Antes dos Jogos, o Comitê Olímpico Nacional Italiano se comprometeu a pagar um bônus em dinheiro a qualquer atleta do país que conquistasse medalha: cerca de US$ 213 mil pelo ouro, US$ 106 mil pela prata e US$ 71 mil pelo bronze (valores convertidos de euro para dólares com base na taxa de câmbio no início dos Jogos). Essas recompensas foram generosas — entre as 37 delegações que confirmaram à Forbes oferecer incentivos financeiros aos medalhistas, apenas Singapura, Hong Kong, Polônia e Cazaquistão planejavam prêmios maiores.

No entanto, Singapura (com cerca de US$ 787 mil pelo ouro individual) e Hong Kong (US$ 768 mil) não conquistaram medalhas, como já havia ocorrido em edições anteriores dos Jogos de Inverno, e o Cazaquistão (US$ 250 mil) teve apenas um pódio: a vitória de Mikhail Shaidorov na patinação artística masculina, superando o favorito americano Ilia Malinin. A Polônia, que prometeu um total de US$ 355 mil pelo ouro individual somando comitê olímpico e governo, teve desempenho melhor, com quatro medalhas no salto com esqui e na patinação de velocidade.

Ainda assim, esse desempenho fica modesto diante da Itália, que, como país-sede, se classificou automaticamente para todas as provas e aproveitou para conquistar 30 medalhas — o melhor resultado de sua história em Jogos de Inverno, dez a mais do que o recorde anterior de 1994 e 13 acima do desempenho de 2022. Em número total de medalhas e de ouros (dez), a Itália ficou em terceiro lugar entre todas as delegações, atrás da Noruega (41 medalhas, sendo 18 de ouro, recorde dos Jogos de Inverno) e dos Estados Unidos (33 medalhas, sendo 12 de ouro).

Considerando todos os atletas italianos — incluindo modalidades como curling em duplas mistas ou luge em duplas —, a premiação coloca o comitê olímpico do país diante de um gasto de pouco menos de US$ 7,8 milhões em bônus, segundo cálculos da Forbes.

Os Estados Unidos aparecem com a segunda maior conta entre as delegações que confirmaram seus incentivos financeiros à Forbes, com mais de US$ 3 milhões, embora os valores por medalha sejam menores: US$ 37.500 pelo ouro, US$ 22.500 pela prata e US$ 15 mil pelo bronze. A Forbes estima que a Noruega — tradicional potência dos Jogos de Inverno — desembolsará cerca de US$ 513 mil, mas esse número não reflete totalmente seu compromisso olímpico. O país continuará pagando esse valor anualmente, já que cada medalhista norueguês recebe um estipêndio anual de cerca de US$ 17 mil.

Essa diferença destaca as várias formas como os países estruturam seus incentivos. Algumas nações pagam menos a atletas de modalidades coletivas, por exemplo, enquanto outras limitam o número de bônus por atleta. A origem dos recursos também varia, podendo vir do comitê olímpico nacional, do governo ou até de patrocinadores.

Quanto cada país pagou aos atletas

  • Itália — Bônus por ouro: US$ 213.000 | Total de medalhas: 30 | Pagamento total: US$ 7.757.000
  • Estados Unidos — Bônus por ouro: US$ 37.500 | Total de medalhas: 33 | Pagamento total: US$ 3.022.500
  • Suíça — Bônus por ouro: US$ 64.000 | Total de medalhas: 23 | Pagamento total: US$ 1.512.000
  • Polônia — Bônus por ouro: US$ 355.000 | Total de medalhas: 4 | Pagamento total: US$ 1.238.000
  • Alemanha — Bônus por ouro: US$ 35.000 | Total de medalhas: 26 | Pagamento total: US$ 921.000
  • Canadá — Bônus por ouro: US$ 15.000 | Total de medalhas: 21 | Pagamento total: US$ 915.000
  • Noruega — Bônus por ouro: US$ 17.000 | Total de medalhas: 41 | Pagamento total: US$ 513.000
  • República Tcheca — Bônus por ouro: US$ 117.000 | Total de medalhas: 5 | Pagamento total: US$ 466.000
  • Eslovênia — Bônus por ouro: US$ 81.000 | Total de medalhas: 4 | Pagamento total: US$ 450.000
  • Países Baixos — Bônus por ouro: US$ 35.000 | Total de medalhas: 20 | Pagamento total: US$ 366.000
  • Finlândia — Bônus por ouro: US$ 59.000 | Total de medalhas: 6 | Pagamento total: US$ 283.000
  • Cazaquistão — Bônus por ouro: US$ 250.000 | Total de medalhas: 1 | Pagamento total: US$ 250.000
  • Espanha — Bônus por ouro: US$ 111.000 | Total de medalhas: 3 | Pagamento total: US$ 205.000
  • Bulgária — Bônus por ouro: US$ 151.000 | Total de medalhas: 2 | Pagamento total: US$ 181.000
  • Estônia — Bônus por ouro: US$ 118.000 | Total de medalhas: 1 | Pagamento total: US$ 83.000
  • Austrália — Bônus por ouro: US$ 13.000 | Total de medalhas: 6 | Pagamento total: US$ 67.000
  • Brasil — Bônus por ouro: US$ 67.000 | Total de medalhas: 1 | Pagamento total: US$ 67.000
  • Dinamarca — Bônus por ouro: US$ 16.000 | Total de medalhas: 1 | Pagamento total: US$ 12.000
  • Nova Zelândia — Bônus por ouro: US$ 3.000 | Total de medalhas: 3 | Pagamento total: US$ 5.000

Além disso, os cálculos da Forbes consideram apenas os três primeiros colocados, mas alguns países pagam até mesmo por posições fora do pódio — como no caso de Chipre, que oferece premiação até o 16º lugar, embora seus dois atletas tenham terminado apenas a partir da 34ª posição.

Os números também não incluem pagamentos a treinadores nem benefícios não financeiros aos medalhistas, como os oferecidos pela Polônia, que incluem um Toyota Corolla, um apartamento mobiliado de dois cômodos, uma obra de arte, um voucher de viagem e joias avaliadas em até US$ 800.

Nem todos os países, porém, oferecem bônus por medalha. Irlanda e Reino Unido, por exemplo, concedem bolsas e apoio para treinamento a atletas de elite, mas não pagam valores diretamente atrelados ao desempenho olímpico.

No extremo oposto está a Itália, que começou forte já na primeira prova dos Jogos, com Giovanni Franzoni e Dominik Paris conquistando prata e bronze no downhill masculino em 7 de fevereiro. Os atletas italianos também se beneficiam de uma lei orçamentária de 2025 que tornou os bônus isentos de impostos, alinhando o país a outros como os Estados Unidos, onde os medalhistas geralmente não pagam imposto federal sobre esses valores, desde que sua renda total seja inferior a US$ 1 milhão.

A escala menor dos Jogos de Inverno — com 116 provas, cerca de um terço das 339 dos Jogos de Verão de 2024 — ajuda a conter os gastos italianos. Ainda assim, dois anos atrás, após conquistar 40 medalhas em Paris, a Forbes estimou o desembolso total do país em US$ 10,7 milhões.

Mesmo agora, a conta deve continuar subindo. Os Jogos Paralímpicos começam em 6 de março, e o Comitê Paralímpico Italiano deverá pagar o equivalente a US$ 118 mil pelo ouro, US$ 65 mil pela prata e US$ 41 mil pelo bronze.

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

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