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Dolce & Gabbana É Quem Melhor Representa a Itália Hoje, Diz CEO da Categoria Beauty

Em entrevista exclusiva, Gianluca Toniolo revela como a estratégia de internalizar a produção e priorizar a paixão sobre as planilhas transformou a grife italiana em um fenômeno global de 1,1 bilhão de euros

8 min

À frente da Dolce & Gabbana Beauty desde 2022, o CEO Gianluca Toniolo lidera uma transformação e tanto na grife: a internalização total de sua categoria de beleza. Sob sua gestão, a marca rompeu com o modelo tradicional de licenciamento para consolidar um ecossistema de lifestyle onde fragrâncias, maquiagem e skincare expressam a mesma excelência do “Made in Italy” vista nas passarelas. Mais do que uma estratégia financeira (a empresa encerrou o ano fiscal de 2024/25 com 1,7 bilhão de euros em valor de vendas no varejo), Gianluca conduz um reposicionamento focado em paixão e identidade.

“Stefano [Gabbana] e Domenico [Dolce] acreditam firmemente que a Dolce & Gabbana é uma marca de estilo de vida”, afirma, destacando que o espaço dedicado à beleza nas boutiques é uma prova de amor ao legado: “Para eles, a prioridade nunca são finanças e, sim, a marca. É sempre sobre a marca. A beleza merece o mesmo espaço que outras categorias, independentemente do valor de um único produto”. No Brasil para os lançamentos de maquiagem, fragrâncias e skincare da grife, Gianluca falou com exclusividade à coluna.

Quando a linha de maquiagem da Dolce & Gabbana chegou ao Brasil, nós tivemos a oportunidade de falar com Domenico Dolce e Stefano Gabbana. Nessa entrevista, se falou sobre a beleza como um ponto de conexão entre mulheres italianas e brasileiras. Com a linha aqui há pouco mais de um ano, qual novo conhecimento surge sobre a brasileira?

Começamos o desenvolvimento da nossa linha de maquiagem em meados de 2022. E o que aconteceu é que decidimos contratar em nossa sede em Milão pessoas de todo o mundo. Na sede, fala-se mais de 27 idiomas, com pessoas que vêm de 42 países diferentes. Decidimos estabelecer uma empresa genuinamente global, e ser global significa realmente conhecer e estar em contato com diferentes culturas. Quando chegamos ao Brasil, a única coisa que fizemos foi colocar nossa felicidade, nossas cores e nosso calor no produto. Sabemos que as mulheres brasileiras conhecem muito bem a qualidade dos seus produtos de maquiagem. As pessoas aqui são apaixonadas por maquiagem, então você não pode ser um mentiroso, você precisa dizer a verdade – o que, na maquiagem, significa que seu produto deve ser capaz de entregar alta performance. Por isso, criamos produtos com a melhor performance e a exibimos em uma embalagem luxuosa da Dolce & Gabbana, que as mulheres brasileiras amam! É sobre dourado, sobre colocar o Sagrado Coração como um código da marca encontrado dos sapatos e bolsas até a beleza. É falar a mesma língua cross-category.

A Dolce & Gabbana sempre valorizou a ideia de “Made in Italy”. Como traduzir esse conceito para a beleza?

Eu entrei na empresa há quatro anos e a Dolce & Gabbana Beauty era licenciada dentro do grupo Shiseido, tudo era fabricado na França. Uma das primeiras decisões que tomamos junto com Stefano e Domenico foi produzir tudo na Itália. Afinal, somos uma marca “Made in Italy”.

Essa decisão custa mais caro?

É mais caro, mas para Stefano e Domenico é uma questão de amor. Eu tenho a oportunidade de trabalhar com os fundadores, que são os donos e diretores criativos da empresa. Tudo o que eles fizeram nos últimos 40 anos foi para desenvolver a marca. Eles não estão procurando o dinheiro; eles pensam primeiro em um exercício de construção de marca: posicionar a grife e suas categorias no nível mais alto possível. Para nós, nunca foi sobre traduzir um plano financeiro em produto, é o oposto. Criamos produtos incríveis, não nos importamos com o custo de mercadoria do produto e, no final, o aspecto financeiro nos segue.

Nos últimos quatro anos, trouxemos de volta da Shiseido para casa um negócio de cerca de 400 milhões de euros, apenas falando de beleza, e vamos fechar este ano fiscal em 1,1 bilhão de euros. Portanto, fizemos três vezes o que fazíamos três anos atrás. Como? O segredo é o amor. A maneira como Stefano e Domenico trabalham no produto, no merchandising, nas formas de teatralizar nosso produto na loja, na comunicação, nos talentos e nas celebridades… Achamos que, hoje, a Dolce & Gabbana é a maior marca capaz de representar a Itália. Ela faz isso mais e melhor do que as outras marcas. Se você olhar para o exercício de Stefano e Domenico na Alta Moda ao longo dos últimos dez anos, trata-se de destacar o craft italiano.

Além disso, temos uma excelência na produção de maquiagem na Itália. A apenas 40 quilômetros de Milão, muito perto da nossa sede, temos um “vale da beleza”, com fábricas que atendem todas as marcas francesas hoje, da Dior à Chanel. Perto de Milão há a Intercos, um fabricante de maquiagem muito famoso. Então, minha primeira decisão foi dizer: se queremos ser um projeto “Made in Italy”, temos que começar a produzir nosso produto na Itália. Dessa forma, 100% dos nossos produtos de maquiagem são produzidos na Itália e 100% dos nossos produtos de fragrância são produzidos e envasados na Itália. E ainda conseguimos trazer ao território muito trabalho adicional, porque todo esse business estava na França, ou sendo feito em outros lugares antes. Ao fim, o cliente reconheceu a diferença. Honestamente, posso dizer que o sucesso deste projeto deve-se ao amor, como citei, e às pessoas de todo o mundo que trabalham nesse projeto, com toda sua paixão e competência técnica. O modelo de negócio de beleza da maioria das marcas de moda é o licenciamento para uma corporação gigante: Armani, Prada, YSL, Miu Miu e Ralph Lauren estão na L’Oréal; Tom Ford está na Estée Lauder… Somos o único exemplo italiano de gestão de 100% da categoria de beleza in-house. Os outros dois exemplos são Dior e Chanel, sabendo que a Dior faz parte da LVMH e eles conseguem ter uma divisão diferente [para a beleza] e a Chanel, que é completamente gerida de forma vertical, como estamos fazendo. Portanto, somos o único exemplo disso na Itália e, eu diria, junto com a Chanel, em todo o mundo.

Você mencionou que a “nova onda” de fragrâncias agora fala sobre intensidade. E, bem, intensidade é um conceito muito intrínseco à Dolce & Gabbana, mas o que isso significa?

Com Stefano e Domenico, decidimos ser diferentes do resto do mercado logo no início. E, como você deve saber, todas as grandes empresas testam as fragrâncias antes de lançá-las; isso é feito em diferentes mercados, com grupos de foco. Eles vão para os EUA, vêm para a América Latina, vão para a Ásia e perguntam: “do que você gosta mais?” entre duas ou três opções. No final, eles lançam o que as pessoas mais amam. Nós não testamos nossas fragrâncias, porque é tudo sobre o sentimento dos fundadores desta empresa. Eu me reúno com Stefano e Domenico para apresentar duas, três opções de fragrâncias desenvolvidas com exclusividade para a Dolce & Gabbana.Eles decidem. Podemos estar certos ou errados, mas o que acontece é algo incrível. Porque quando se testa com pessoas que não são “viciadas” em cheiro, elas tendem a não gostar do que não reconhecem. Elas não vão te dizer “isso aqui é original demais”. Sem o teste, o lançamento provavelmente é mais corajoso, porque a fragrância é mais original. Nosso último lançamento, da família Devotion, nasceu depois de um almoço que tivemos no Martini Bar em Milão, junto com Olivier Cresp, que foi o “nariz” do perfume Light Blue, criado há 20 anos. Convidei Olivier Cresp e, ao fim do almoço, fomos comer um bolo milanês; equivalente ao panetone. Olivier, comendo o panetone com frutas cristalizadas no topo, me disse: “Olha, esta é a fragrância que você está procurando”. Algumas semanas depois, ele me enviou uma amostra de laboratório do que lançamos em outubro de 2023 – sem testes. É original, é gourmand. É uma nova tendência em fragrâncias e ele estava sentindo isso. Agora, falando sobre intensidade: é verdade, hoje as pessoas procuram uma concentração maior ou mais intensidade porque querem o que chamamos na Itália de deixar um “rastro”. Sabe, quando você caminha e deixa seu cheiro?

Como você vê a importância da presença dos fundadores dentro de uma casa de moda?

Infelizmente, estou começando a ficar grisalho e velho. Tenho mais de 25 anos na beleza. De fato, esta é a única marca hoje que poderia permitir que uma pessoa trabalhasse diretamente com o fundador. Ter o privilégio de trabalhar com eles é algo que inspira todos os dias… e facilita a vida.

Com Antonia Petta

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