Há vitórias que valem mais do que a vaga seguinte no torneio. A de João Fonseca sobre Novak Djokovic, nesta sexta-feira (29), em Roland Garros, entra exatamente nessa categoria. Aos 19 anos, o brasileiro venceu o sérvio de virada, por 3 sets a 2, depois de sair perdendo por dois sets, avançou pela primeira vez às oitavas de final de um Grand Slam e assinou o maior resultado de sua carreira até aqui.
O placar já bastaria para dimensionar o tamanho do feito: 4/6, 4/6, 6/3, 7/5 e 7/5, em uma batalha de 4h53 na Philippe Chatrier, a principal quadra de Paris. Mas o peso do triunfo vai além dos números. Do outro lado da rede estava o maior campeão de Grand Slams da história, dono de 24 títulos e ainda o único vencedor de Slam vivo na chave masculina do torneio. Ao eliminar Djokovic, Fonseca não apenas derrubou um dos maiores nomes do esporte: também ajudou a garantir que Roland Garros 2026 terá um campeão inédito.
A maior vitória da carreira
Até aqui, Fonseca já havia mostrado que conseguia competir em alto nível contra a elite, mas ainda sem transformar esse desempenho em vitória diante dos nomes mais pesados do circuito. Contra o top-4 do ranking, vinha de derrotas para Jannik Sinner em Indian Wells, Carlos Alcaraz em Miami e Alexander Zverev em Monte Carlo. Desta vez, o desfecho foi outro.
A vitória sobre Djokovic foi a segunda de sua carreira contra um top 10 e a primeira diante de um top 5. Também o colocou em um grupo bastante restrito: ele passou a dividir com Carlos Alcaraz, o próprio Djokovic e Ernests Gulbis a condição de jogador com duas vitórias sobre top 10 em Slams antes de completar 20 anos.
Para o tênis brasileiro, o feito também quebra uma barreira simbólica: Fonseca foi o primeiro brasileiro a vencer Djokovic em uma partida de chave principal.
Como foi a virada
O início do jogo seguiu um roteiro mais previsível. Djokovic usou experiência e leitura de jogo para tirar o ritmo do brasileiro. No primeiro set, abriu 5/1 rapidamente, enquanto Fonseca demorava a encaixar o saque e a entrar de fato nos pontos. Ainda assim, o brasileiro reagiu, salvou três set points e encostou em 5/4, antes de o sérvio fechar em 6/4.
A segunda parcial teve trocas mais longas e um Fonseca mais firme no serviço, mas ainda sem conseguir tomar o comando do jogo. Djokovic quebrou no quinto game e administrou a vantagem até repetir o 6/4, abrindo 2 sets a 0.
Foi a partir daí que a partida mudou de eixo. Mais confiante, Fonseca elevou o nível do saque e passou a sustentar melhor a agressividade. No terceiro set, quebrou cedo, salvou break points em momentos-chave e fechou por 6/3, já com um comportamento corporal diferente e mais energia em quadra.
O quarto set foi o trecho em que o brasileiro mostrou maturidade competitiva. Abriu 2/0, viu Djokovic buscar o empate e ainda resistiu quando o jogo parecia se inclinar outra vez para o sérvio. Fonseca escapou de um momento crítico em 15-40, segurou a pressão, conseguiu a quebra no fim e levou a parcial por 7/5, empurrando o duelo para o quinto set.
Na última parte da partida, mesmo depois de Djokovic voltar do intervalo tentando administrar mais energia e conseguir uma quebra para fazer 3/1, Fonseca não saiu do jogo. Buscou o empate e, na hora mais pesada da tarde parisiense, jogou com coragem. Quebrou para 6/5 e, quando sacou para a vitória, salvou um break point com um ace de 228 km/h. Depois, fechou a partida com mais dois aces e uma comemoração que imediatamente entrou para a história recente do esporte brasileiro.
O que vem agora
Esta já é a melhor campanha de João Fonseca em um Grand Slam. O último brasileiro a alcançar essa fase na chave masculina havia sido Thomaz Bellucci, também em Roland Garros, há 16 anos.
Agora, o carioca espera o vencedor do duelo entre Casper Ruud e Tommy Paul para tentar ir ainda mais longe em Paris. No ranking ao vivo, já sobe ao menos uma posição, com chance de continuar avançando caso mantenha a campanha.