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Por Que a Geração Z Está Se Apaixonando Pela Música Clássica

As orquestras estão registrando um aumento notável de público jovem, e as estratégias que estão atraindo a Geração Z para o gênero estão reformulando a própria forma de arte

8 min

Há algumas décadas, uma noite na sinfônica ainda remetia a uma plateia em trajes de gala e na terceira idade. O mundo da música clássica se viu envelhecendo e caminhando para uma certa irrelevância. Mas, nos últimos anos, as salas de concerto ganharam sangue novo, tanto no palco quanto na plateia.

Nos Estados Unidos e em outros países, as orquestras estão relatando um aumento no público jovem que vai muito além de um mero modismo. Uma pesquisa de monitoramento da Royal Philharmonic Orchestra de 2022 apontou que 65% das pessoas com menos de 35 anos ouvem música orquestral regularmente. O grupo “agora tem mais probabilidade de ouvir (música orquestral) do que seus pais”, concluiu o relatório.

A Orquestra Sinfônica de St. Louis (SLSO) tem sido uma das mais agressivas na conquista do público jovem. Mais da metade da plateia da orquestra atual é composta pelas gerações X, Millennial ou Z, de acordo com os dados de monitoramento da organização.

“A Geração Z consome cultura de forma diferente das gerações anteriores”, disse Marie-Hélène Bernard, presidente e CEO da SLSO, em entrevista. “Fazemos questão de ir até onde as pessoas estão — derrubando barreiras e criando experiências genuínas.”

A orquestra, liderada pelo diretor musical Stéphane Denève, tem se concentrado em contextos sociais relevantes como uma forma de atrair os jovens. “Criar o ambiente social certo os ajuda a se engajar; isso realmente conversa com eles”, disse Bernard.

Um exemplo: a série de happy hour Playlist da SLSO apresenta música orquestral em ambientes casuais e com apresentações mais curtas. O formato também inclui explicações do maestro, confraternizações pós-concerto e sets de DJs no saguão. “Eles também têm a chance de interagir com os músicos”, disse Bernard. “Isso é muito importante porque temos uma orquestra jovem, a maioria bem abaixo dos 40 anos. Eles sentem uma conexão.”

Um mashup de Beethoven e Beyoncé

A SLSO também levou aos palcos mashups que misturam gêneros, como “Beethoven X Beyoncé”, realizado em colaboração com o compositor e complementar Steve Hackman, cujas obras sinfônicas repaginadas ajudam a aproximar o pop e a música clássica. A Resurrection Mixtape de Hackman, por exemplo, mistura músicas de Notorious B.I.G. e Tupac Shakur com a Sinfonia Nº 2 de Gustav Mahler.

DivulgaçãoImagem do concerto “Beethoven X Beyoncé”

O recém-lançado podcast “Noted” da SLSO oferece análises rápidas sobre as próximas peças orquestrais, formatado para ouvintes que consomem conteúdo no trânsito ou na academia. Os episódios têm cerca de 10 minutos de duração. Apesar de breves, trazem perspectivas interessantes e profundidade real.

Influenciadores ajudam a impulsionar a tendência entre os jovens

Apoiando essas iniciativas, a estratégia de influenciadores da SLSO já recebeu mais de 83 criadores de conteúdo no Powell Hall, gerando mais de 10 milhões de visualizações nas redes sociais, disse Bernard. Tani Lior, uma personalidade do TikTok, construiu sua base de seguidores em parte reagindo à música clássica sob a ótica do hip-hop. Um concerto recente no fim de semana de abertura da SLSO marcou sua estreia em um concerto de orquestra; os conteúdos publicados pela influenciadora sobre o evento renderam mais de 11 milhões de visualizações.

“Por acaso, acabei me tornando uma das principais influenciadoras de música clássica”, disse Lior em um comunicado fornecido pela SLSO. “Eu nunca esperei o impacto que minhas reações teriam no meu público. Saber que tantas pessoas foram a sinfonias por minha causa me deixa extremamente lisonjeada, e estou honrada em compartilhar essa experiência com o resto da Geração Z.”

Abaixo, Tani Lior com o violista da Sinfônica de St. Louis, Michael Casimir.

https://www.tiktok.com/@bytanilior/video/7555224998340775199?is_from_webapp=1&sender_device=pc

O Mvstercamp, um programa de desenvolvimento de artistas, fez uma parceria com a SLSO para oferecer a músicos ingressos de cortesia para a série Playlist. O rapper e produtor Muhammad “Mvstermind” Austin disse que é o storytelling que atrai os músicos da Geração Z para o gênero. “Desde a infância, a música clássica está inserida no DNA criativo deles por meio de brinquedos, desenhos animados, games, filmes favoritos e samples de suas músicas preferidas”, disse ele em um e-mail.

O público jovem da LA Phil continua crescendo

A pouco mais de três mil quilômetros a oeste, a Filarmônica de Los Angeles opera com um conjunto diferente de variáveis: três casas de espetáculos, uma marca global e um legado estelar moldado pelo diretor musical Gustavo Dudamel. O maestro superstar liderou a LA Phil, como é comumente chamada, em uma apresentação no Coachella em 2025, a primeira de uma grande orquestra sinfônica no festival. O momento materializou o que a LA Phil já entendia há muito tempo: a relevância para o público jovem é conquistada em diferentes contextos culturais, não apenas dentro das salas de concerto.

Na temporada 2024/25, 63% do público da LA Phil era composto pelas gerações Z, Millennial e X combinadas, de acordo com o monitoramento da própria instituição. As três casas — Walt Disney Concert Hall, o Hollywood Bowl e o Ford Amphitheater — oferecem programações distintas voltadas para diferentes contextos sociais.

DivulgaçãoThe Los Angeles Philarmonic

“Estamos definitivamente vendo uma tendência de alta na faixa etária mais jovem”, disse a diretora de marketing da LA Phil, Nora Brady, em entrevista. “Os ouvintes da Geração Z têm gostos muito, muito ecléticos. Eles são apresentados à música clássica de várias maneiras — por meio da educação musical, de filmes ou de games. Muitos dos jogos que os jovens jogam têm um forte componente orquestral.”

Brady citou as colaborações entre gêneros da organização e sua missão de incentivar artistas como fundamentais para atrair e reter o público jovem. Um bom exemplo disso é a cantora e compositora islandesa Laufey, hoje uma das maiores estrelas do pop orquestral, com uma legião de seguidores na Geração Z.

“Laufey passou de um verão esgotando os ingressos no Ford para o verão seguinte lotando o Hollywood Bowl”, disse Brady. “Podemos apoiar um artista e dar a ele uma plataforma para começar seu trabalho e, depois, levá-lo para os nossos outros espaços. Isso está no cerne da nossa estratégia.”

O programa de residentes da LA Phil, lançado em 2018, treina músicos sinfônicos em início de carreira, preparando-os para cargos em grandes orquestras profissionais. Da mesma forma, o Programa de Bolsas Dudamel capacita jovens maestros promissores de todo o mundo.

Formando a próxima geração de músicos

DivulgaçãoSeong-Jin Cho, músico sul-coreano, irá tocar com o LA Phil em 2027

A série de concertos Green Umbrella da LA Phil, lançada em 1987, também tem sido crucial para dar vida nova ao gênero. Ela funciona como um laboratório para obras modernas e ousadas que, muitas vezes, contam com o LA Phil New Music Group. “A LA Phil não apenas defende os compositores clássicos históricos, mas também fomenta a música de hoje em diferentes culturas e gêneros”, disse Brady. “Nossos assinantes esperam esse tipo de variedade e têm orgulho disso.”

Com a futura partida de Gustavo Dudamel para a Filarmônica de Nova York, a LA Phil nomeou recentemente Anna Handler, de 29 anos, como maestrina residente da instituição. Brady observou que, embora a juventude de Handler seja parte do atrativo, “seu compromisso com a educação de jovens, com a YOLA e o desejo de estar conectada com a comunidade de Los Angeles é o que é vital, e o motivo pelo qual ela será uma excelente escolha”.

Fundada em 2007, a YOLA (Orquestra Jovem de Los Angeles) é o principal programa educacional da LA Phil, que oferece instrumentos gratuitos, treinamento musical intensivo e apoio acadêmico para músicos de 6 a 18 anos em todo o condado de Los Angeles. O projeto é inspirado no El Sistema da Venezuela, do qual Dudamel se beneficiou enormemente desde os cinco anos de idade.

*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com

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