1. Início
  2. /
  3. Forbes Life
  4. /
  5. Forbes Motors
  6. /
  7. Por dentro da coleção de clássicos da Volkswagen do Brasil
Forbes Motors

Por dentro da coleção de clássicos da Volkswagen do Brasil

Acervo de 100 modelos históricos da marca acaba de ganhar segunda garagem, maior e mais diversificada

5 min
Foto: Divulgação
Foto: DivulgaçãoGaragem de clássicos da Volkswagen do Brasil reúne de Fusca a Brasília, passando por Variant e SP2

“Nosso negócio é vender carros em escala. Não vejo como poderíamos explorar o segmento de clássicos”, rebate o presidente de uma montadora com mais de 120 anos ao ser questionado por que um mercado de R$ 32 bilhões é ignorado no Brasil.

Leia mais: Audi reformula logotipo – o que simbolizam suas quatro argolas?

Leia mais: Como obter a “placa preta” para seu clássico – e para que ela serve

Não surpreende a declaração do executivo, que sintetiza o pensamento genérico das fabricantes de automóveis de apenas olhar para o futuro eletrificado. Em outras palavras, aquele carro fabricado em 1982 deu sua contribuição financeira quando foi vendido lá em 1982 e por mais alguns anos de visita à concessionária para revisões e reposições de peças; agora não há mais o que tirar dele.

A Volkswagen é exceção.

Dois dias depois da entrevista que abre este texto, a empresa alemã inaugurou sua segunda garagem de carros antigos na fábrica da Anchieta. É verdade que Renault e Fiat têm alguns carros guardados, mas estão anos-luz atrás do que a concorrente fez.

Uma das relíquias ali é um Golf GTI VR6, precisamente o número 1 de 99 dessa safra especial que desembarcou por aqui em 2003 e serviu como carro de teste do departamento de Imprensa, posteriormente incorporado ao acervo da empresa.

Foto: Divulgação
Foto: DivulgaçãoGolf VR6 é um dos estreantes no acervo de clássicos da VW

Se aquele hatch prata de duas portas, câmbio manual e 200 cavalos está ali, é porque um grupo de engenheiros achou que seria uma boa ideia pegar o recém-lançado Golf e transformá-lo em um esportivo prático, versátil e acessível. Eram mais do que funcionários da Volkswagen, também entusiastas da marca que dedicavam momentos de folga para desenvolver secretamente o “hot hatch” mais bem-sucedido do planeta, revelado no Salão de Frankfurt de 1975.

Pois foi mais ou menos assim que aproximadamente 100 veículos foram sendo preservados – quando não resgatados. “Isso é um trabalho e 20 anos de dedicação e amor”, resume Reginaldo Nunes, cuja função na Volkswagen é supervisionar a engenharia de novos produtos. Revitalizar e guardar velhos produtos é missão de vida.

Foto: Divulgação
Foto: DivulgaçãoA polêmica fase da Autolatina (quando VW e Ford se juntaram) não foi esquecida, representada no acervo por Apollo, Pointer e Logus (foto)

Em um espaço de 1.430 m² na Ala 5 da fábrica, a Garagem VW – Parte II reúne na estreia 36 modelos, divididos entre os temas “Clássicos da Anchieta”, “Autolatina”, “Compactos Premium” e “Esportividade”, além de um corner só para a Kombi.

Momentaneamente, alguns carros que já estavam na Garagem I (aberta em 2019 com 22 veículos), como a última Kombi produzida no Brasil (uma Standard branca de dezembro de 2013), um Santana EX 1991 usado para testes de homologação e o Fusca conversível de 1997 feito especialmente para celebrar a segunda e definitiva despedida do modelo, foram parar na Garagem II.

Foto: Divulgação
Foto: DivulgaçãoEste é o último Fusca feito pela VW do Brasil

Outros inéditos, como a famosa Parati EDP, um Fox Wagon (a Parati dos americanos), a Kombi 50 Anos 00/50 e o Up! customizado para o Bubble Gun Treffen de 2015 estão na Garagem I. Mas essa configuração pode mudar – as denominações Garagem I e Garagem II determinam os espaços, não o conteúdo.

Revelado só agora, o Fox 2005 que demarcou os 15 milhões de veículos produzidos pela Volkswagen do Brasil está guardado neste momento na Garagem I. Curiosidade: sobre o capô pintado com as cores da bandeira do País, os autógrafos de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, então presidente e governador paulista, ironicamente antecipando a dupla que se formaria 17 anos depois.

Gol Last Editon

O evento de inauguração da Garagem II também serviu de palco para o lançamento do Gol Last Edition, marcando a despedida do hatch que em maio completaria 43 anos. Vendido por R$ 95.990, o modelo traz diferenciais estéticos (grande sacada o logotipo no formato da roda “orbital”, popularizada na primeira geração do Gol GTi, na coluna C) externos e internos e é limitado a 1000 unidades – a VW guardou o milésimo.

Foto: Divulgação
Foto: DivulgaçãoForam produzidas 1000 unidades do Gol Last Edition – e esta é a milésima

Tal como aconteceu com a Kombi Last Edition – cuja unidade exposta agora na Garagem II é a 56/1200 –, o Gol seguirá em produção mesmo depois de lançada uma versão especial de enceramento. O que significa que provavelmente teremos o último Gol produzido, convencional, provavelmente branco ou prata, também preservado.

E, ao contrário daquele executivo, a VW tem o mercado brasileiro de clássicos no radar. Em algum momento no futuro, o acervo de modelos históricos pode virar uma unidade de negócios – quem sabe como vitrine para a expedição de certificados de originalidade para proprietários de antigos da marca.

O certo é que a preservação seguirá. Dos cerca de 100 veículos do acervo, apenas 58 (22 da Garagem I e 36 da Garagem II) estão expostos. Há pelo menos mais 42.

“Cumprimos nossa missão de concretizar esse projeto, mas não vamos parar por aqui. Agora é batalhar pela Garagem III”, avisa André Drigo, Gerente Executivo de Desenvolvimento do Produto na VW do Brasil – e o cara que teve a coragem de pedir dinheiro para salvar o que para muitos são apenas carros velhos.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.