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Por Que o Patinador Olímpico Ilia Malinin É um Sucesso de Marketing?

Malinin arrecadou cerca de US$ 700 mil nos últimos 12 meses, segundo cálculos da Forbes

7 min

Durante a preparação para os Jogos Olímpicos de Milão-Cortina 2026, a NBC pediu a Ilia Malinin que participasse de um comercial de promoção cruzada recriando uma cena do filme da Universal Como Treinar o Seu Dragão. Para o fenômeno de 21 anos da patinação artística — que carrega para todos os lugares um chaveiro do filme e chama o seu bichinho de pelúcia de um dos personagens de “animal espiritual” —, a resposta foi óbvia.

Mas, ao longo do dia, o que mais o empolgou foi ter um vislumbre dos bastidores de uma produção televisiva pela primeira vez. Sua agente de marketing, Sheryl Shade, lembra que, em certo momento, Malinin se virou para ela com os olhos arregalados. “Eu quero fazer isso”, disse ele.

É uma frase que Shade tem ouvido com frequência desde que começou a trabalhar com Malinin há um ano e meio, quando o então jovem de 19 anos — já considerado o futuro rosto da patinação — ainda estava descobrindo suas ambições fora do gelo. A resposta, Shade logo percebeu, era: tudo — televisão, moda, videogames, skate e praticamente qualquer coisa que ele tivesse acabado de experimentar.

“Um dos meus objetivos é definitivamente — e isso está relacionado à patinação — me tornar uma celebridade global mundial”, diz Malinin em entrevista à Forbes. “Algo como o The Rock: ele era conhecido pela luta livre, depois virou ator e passou a ter todas essas oportunidades diferentes. Minha ideia é ser parecido, nesse nível.”

Claro que Malinin, que arrecadou cerca de US$ 700 mil nos últimos 12 meses, ainda tem um longo caminho pela frente se quiser emular Dwayne Johnson, que liderou no ano passado o ranking da Forbes dos atores mais bem pagos do mundo com US$ 88 milhões. Mas o jovem americano já é, segundo estimativas da Forbes, o patinador artístico mais bem pago destes Jogos — e a maioria dos especialistas acredita que ele está apenas começando a explorar seu potencial financeiro.

Até agora, a renda de Malinin veio quase exclusivamente de patrocinadores oficiais do Comitê Olímpico, como Coca-Cola e Xfinity, cujos contratos são monitorados por federações nacionais e internacionais que estabelecem regras de uso e tempo de exposição. Shade diz que tomou essa decisão para protegê-lo de assumir compromissos demais muito cedo — e também porque a patinação artística raramente recebe atenção do grande público fora de alguns dias a cada quatro anos. No começo, ela admite que não foi fácil apresentá-lo a potenciais patrocinadores.

“Preciso dizer: muitos deles não sabiam quem ele era”, conta Shade. “Eles tinham que pesquisar no Google e diziam: ‘Ah, um patinador… o que há de tão especial nele?’”

Logo, porém, eles descobririam o talento de Malinin — e seu pedigree: ambos os pais foram patinadores olímpicos por Uzbequistão — além, claro, de seu apelido altamente comercial: o “Quad God” (“Deus dos Quádruplos”). Malinin, nascido e criado na Virgínia, cunhou o apelido aos 13 anos, quando executou seu primeiro salto quádruplo em competição, e alterou seu nome de usuário no Instagram para refletir isso.

O nome acabou se tornando uma profecia autorrealizável. Malinin dominou todos os seis tipos mais comuns de saltos quádruplos da patinação e se tornou o primeiro — e até hoje único — patinador a executar um axel quádruplo (quatro rotações e meia no ar antes de aterrissar de costas) em competição. Ele sabe que o nome — e o movimento — viraram sua marca pessoal.

“Definitivamente, mais pessoas me conhecem como Quad God do que pelo meu nome”, diz ele. “Às vezes isso é bom, porque ter um apelido próprio faz você se destacar mais para o público.”

Peter Carlisle, diretor-gerente de esportes olímpicos da agência Octagon, afirma que o apelido funciona como um “contexto pré-embalado” para os espectadores de TV, que imediatamente entendem o que observar e por que é importante. “Isso ajuda muito. Você não tem muitos dias para capturar a atenção das pessoas.”

Malinin continua sendo o único patinador a ter realizado sete saltos quádruplos em um único programa livre, o que lhe dá uma pontuação máxima potencial muito superior à dos rivais — ou seja, se ele não cair, é praticamente imbatível. Ele venceu todas as competições internacionais que disputou desde o fim de 2023, incluindo os dois últimos campeonatos mundiais, e seu espetáculo vai além das notas dos juízes. Ele incorporou elementos como um backflip e um movimento de sua própria criação, o “raspberry twist” — um salto giratório horizontal cujo nome faz referência à tradução de seu sobrenome russo — que não conta pontos, mas costuma arrancar as maiores reações do público.

Esse carisma levou ex-campeões da patinação a descrevê-lo não apenas como um talento geracional, mas como uma estrela potencialmente transcendente, capaz de elevar o perfil do esporte.

Malinin diz que esse é seu objetivo número um — e já está pensando em como alcançá-lo depois dos Jogos, seja em turnês como o Stars on Ice, especiais de televisão ou uma grande estratégia nas redes sociais. Ele até está testando saltos quíntuplos — algo que alguns cientistas do esporte consideram fisicamente impossível — e afirma já tê-los executado em treino, com esperança de incluí-los em competições após as Olimpíadas.

“Precisamos tentar deixar o esporte um pouco mais moderno”, diz ele. “Trazer um público mais jovem para que a patinação possa continuar viva por mais tempo.” Shade resume de outra forma: “Ele quer fazer um espetáculo.”

Mas, antes de tudo, Malinin precisa conquistar o ouro. Se vencer, ativará bônus em seus contratos de patrocínio que devem elevar sua renda para mais de US$ 1 milhão — patamar semelhante ao que a Forbes estimou para o americano Nathan Chen antes das Olimpíadas de 2022. E se sua performance virar um momento cultural de ruptura que o transforme em nome conhecido do grande público, seus ganhos podem disparar — especialmente mirando os Jogos de 2030 nos Alpes franceses.

“Você pode vencer e ser o melhor de uma edição dos Jogos, e isso é significativo, mas nem sempre surge alguém com uma história tão marcante que cative a atenção do mundo”, diz Carlisle. “Acho que haverá um salto muito forte para ele depois dos Jogos, porque ele ainda não teve essa plataforma — e todo mundo vai vê-lo fazer coisas que ninguém jamais fez.”

Dois colegas da equipe dos EUA oferecem possíveis comparações: a snowboarder Chloe Kim, com ganhos estimados em US$ 4 milhões no último ano, e a esquiadora Lindsey Vonn, com US$ 8 milhões. Também há atletas da Ásia testando os limites financeiros dos Jogos de Inverno: a esquiadora estilo livre chinesa Eileen Gu é a atleta mais bem paga destes Jogos, com cerca de US$ 23 milhões, e a bicampeã olímpica sul-coreana Kim Yuna ultrapassou US$ 16 milhões em 2014, seu último ano competitivo.

Seria um alvo ambicioso, mas Malinin tem tempo. Ele diz esperar competir em mais duas Olimpíadas, encerrando sua carreira após os Jogos de Salt Lake City em 2034.

Apesar de toda a empolgação com o futuro, Malinin disse recentemente que estava tentando aproveitar seus últimos dias antes do início das Olimpíadas — que podem ser seus últimos momentos de relativa paz e anonimato.

“Eu pensei muito sobre isso, e sei que as coisas podem mudar drasticamente depois das Olimpíadas”, afirma. “É algo que estou muito ansioso para viver, mas também um pouco assustado — porque não sei exatamente o que esperar.”

*Matéria originalmente publicada em Forbes.com

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