Já se passaram 20 anos desde a última vez que o Arsenal disputou uma final de Champions League. Para o Paris Saint-Germain, a experiência é mais familiar: o clube venceu o Inter de Milão na final do ano passado, quando conquistou pela primeira vez o título de campeão europeu. Já para Mikel Arteta, técnico do Arsenal, e seus jogadores, é um território relativamente novo.
Isso não significa que os recém-coroados campeões da Premier League não possam superar os atuais campeões europeus em Budapeste na final deste sábado (30).
O Arsenal provou seu valor na elite do futebol europeu ao chegar até aqui e pode ter as armas necessárias para neutralizar e, eventualmente, derrotar o PSG.
O que esperar da final da Champions League
O clube inglês ostenta a melhor defesa desta edição da Champions. A equipe não sofreu gols em nove partidas da competição, mais do que qualquer outro time. Com o brasileiro Gabriel Magalhães e o francês William Saliba, os Gunners contam com a dupla de zaga mais forte da Premier League — e possivelmente de todo o futebol europeu.
O PSG, por sua vez, é uma potência ofensiva. Seu ataque é forte, como o Bayern de Munique descobriu da pior forma possível nas semifinais, quando o gigante francês marcou seis gols ao longo dos dois jogos.
Ousmane Dembélé fará de tudo para tirar a defesa do Arsenal de posição com suas movimentações para áreas mais recuadas do campo, enquanto Khvicha Kvaratskhelia e Désiré Doué partirão para cima da equipe inglesa com sua capacidade de drible.
Ainda assim, o Arsenal já se acostumou a enfrentar desafios desse tipo. O time conseguiu resistir à pressão do Manchester City na disputa pelo título da Premier League e conquistou o Campeonato Inglês pela primeira vez desde a era Arsène Wenger. Agora, pode ser compacto e organizado o suficiente para manter o PSG sob controle.
Momento histórico para o Arsenal
“A ambição é ainda maior”, disse Arteta antes da final da Champions League, refletindo sobre tudo o que o Arsenal já conquistou nesta temporada. “Já ganhamos um título. Queremos outro. É disso que temos falado o tempo todo. Precisamos alcançar objetivos maiores. O nível de desejo desses jogadores está no máximo. Eles querem mais.”

O Arsenal de Wenger nunca conquistou a Champions League. Sua equipe foi derrotada pelo Barcelona na final de 2006 e, depois disso, perdeu protagonismo entre as principais forças do futebol europeu.
O time de Arteta tem a oportunidade de fazer algo que nenhuma equipe do Arsenal conseguiu antes. Para isso, porém, os Gunners provavelmente precisarão realizar uma das maiores atuações de sua história.
Pela forma como a temporada se desenrolou, no entanto, isso não parece impossível. O Arsenal chega à decisão com uma situação relativamente confortável no departamento médico, especialmente porque jogadores como Martin Ødegaard, Bukayo Saka e Kai Havertz estão aptos a atuar após terem passado longos períodos afastados ao longo da temporada. Esta pode ser a noite do Arsenal em Budapeste.
*Graham Ruthven é colaborador da Forbes USA. Ele é jornalista, especializado em futebol e baseado no Reino Unido.
*Reportagem publicada originalmente em Forbes.com