O GP de Mônaco de 2026, neste domingo (7), entregou a maior vitória da carreira de Andrea Kimi Antonelli até aqui. O piloto da Mercedes saiu da pole position e conduziu a corrida até a bandeirada em primeiro, em uma prova que parecia controlada por boa parte do tempo, mas que ganhou tensão real nas voltas finais. No fim, o italiano segurou a pressão de Lewis Hamilton, venceu pela quinta vez na temporada e reforçou ainda mais o peso de seu início de campeonato.
A vitória em Monte Carlo teve um significado que vai além da estatística. Mônaco costuma funcionar como prova de validação para um piloto: exige precisão extrema, leitura de corrida e capacidade de resistir à pressão em um circuito estreito, travado e propenso a incidentes. Antonelli entregou tudo isso em um fim de semana que já havia começado forte no sábado, quando conquistou a pole com uma volta decisiva e se tornou o primeiro italiano desde Jarno Trulli, em 2004, a largar na frente no principado.
Na classificação, o jovem de 19 anos fechou a melhor volta em 1min12s051, apenas 0s043 à frente de Max Verstappen. Foi sua quarta pole em seis corridas na temporada. Depois, no domingo, transformou essa vantagem inicial em vitória.
Como foi a corrida
A largada mudou o desenho da prova logo nos primeiros metros. Verstappen, que saía na primeira fila, teve um problema e não conseguiu partir junto com o restante do grid. Caiu para o fim do pelotão e abandonou antes mesmo de completar uma volta. Com isso, Antonelli passou a ter caminho livre na frente e sustentou a liderança com tranquilidade.
Atrás dele, Hamilton assumiu a segunda posição, enquanto Charles Leclerc aparecia como perseguidor mais próximo. Nas primeiras voltas, Antonelli foi abrindo margem de forma gradual. Nas 20 iniciais, a diferença para Hamilton girava em torno de 4s5. Mais perto da volta 30, o britânico já aparecia cerca de 10 segundos atrás.
A corrida parecia caminhar para um desfecho mais previsível, mas começou a mudar com a sequência de incidentes e neutralizações. Lance Stroll bateu na Rascasse a 18 voltas do fim e provocou um safety car. Depois, Leclerc também bateu sozinho, restando menos de dez voltas, o que levou a direção de prova a interromper a prova para um reparo no asfalto.
Na relargada, com poucas voltas para o fim, Hamilton apareceu a apenas 1s3 do líder. Foi o trecho mais delicado da corrida para o italiano. Antonelli, no entanto, respondeu aumentando o ritmo e cruzou a linha de chegada com 6s2 de vantagem, confirmando uma vitória que começou sob controle, mas terminou exigindo resposta de piloto grande.
Hamilton ficou com o segundo lugar e Isack Hadjar completou o pódio, seu primeiro com as cores da Red Bull, embora ainda sob investigação após a corrida.
A volta mágica do sábado
Se o domingo consolidou o resultado, o sábado já havia dado o tom do fim de semana. A pole veio em uma sessão de classificação que trocou de dono várias vezes e terminou com Antonelli encontrando, em sua última tentativa, a volta que ele próprio definiu como “mágica”.
O desempenho foi ainda mais simbólico porque havia uma expectativa de que as características de Mônaco, com curvas lentas e menos dependência de potência, reduzissem a vantagem da Mercedes. Antonelli ignorou esse cenário e colocou o carro na frente mesmo em um circuito onde a margem de erro é mínima.
Naquele momento, o italiano já vinha de quatro vitórias seguidas e era tratado como líder de campeonato mais jovem da temporada. Em Mônaco, acrescentou outro tipo de chancela: a de um triunfo em uma pista que costuma separar velocidade pura de maturidade competitiva.
O caos atrás do líder
Enquanto Antonelli sustentava a ponta, a corrida foi se desmanchando para vários nomes importantes do grid. Além de Verstappen, abandonaram Lando Norris, Oliver Bearman, Valtteri Bottas, Lance Stroll, Charles Leclerc e Carlos Sainz. Nico Hulkenberg ainda recebeu 10 segundos de punição pelo toque em Sainz, e uma série de pilotos foi penalizada por diferentes incidentes ao longo da prova.
No caso de Gabriel Bortoleto, o domingo também foi acidentado. O brasileiro, que largaria em 16º, teve problema no carro ainda na volta de instalação, precisou sair do pit lane e fez sua primeira parada logo no começo para trocar pneus macios por duros. Sem grandes avanços na pista durante boa parte da prova, ele aproveitou os abandonos, punições e a última relargada para ganhar posições e terminou em 12º.
O tamanho da vitória
Antonelli já vinha empilhando resultados fortes, mas Mônaco acrescenta outra camada ao seu campeonato. Não foi apenas mais uma vitória. Foi uma vitória em pole convertida com autoridade, administrada com frieza e defendida sob pressão no trecho mais nervoso da corrida.
Em uma pista em que ultrapassar é difícil, qualquer detalhe muda tudo: uma largada limpa, a administração dos pneus, o timing do pit stop, a relargada sob tensão. Antonelli passou por todos esses pontos como o piloto a ser batido do fim de semana.