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Por Dentro do Plano de US$ 60 Milhões para Levar o UFC À Casa Branca

Mais do que uma noite de lutas, o Freedom 250 combina infraestrutura inédita, relação direta com Donald Trump e uma jogada de marca que Dana White trata como uma das maiores da história do UFC

9 min

Jimmy Carter realizou uma exibição de patinação no gelo na Casa Branca, e George W. Bush certa vez promoveu uma amistosa partida de T-ball no 1600 da Pennsylvania Avenue, mas a perspectiva de lutas de MMA no gramado sul jamais teria surgido se qualquer pessoa que não fosse Donald Trump fosse presidente e qualquer pessoa que não fosse Dana White comandasse o UFC. Quando Trump, fã de longa data da organização de lutas e amigo leal de seu diretor-presidente, sugeriu pela primeira vez a ideia a White em um evento do UFC, em abril passado, o promotor combativo disse que a faria sem hesitar.

“Ele sabia, no dia em que me pediu para fazer este evento, que eu apareceria e entregaria”, diz White à Forbes. “Eu adoro esse tipo de coisa. Diga-me que não pode ser feito, diga-me que é um desafio enorme, diga-me que vai nos custar um monte de dinheiro. Diga isso, diga aquilo. É exatamente nisso que eu entro de cabeça.”

A gestão de White no UFC foi definida por uma tomada de riscos audaciosa, impulsionando a companhia, nos últimos 25 anos, de um espetáculo sangrento paralelo para uma potência esportiva de US$ 1,5 bilhão (em receita). Mas o Freedom 250, em 14 de junho (não por coincidência, aniversário do presidente Trump), é, mesmo pelos padrões dele, “difícil em um outro nível completamente diferente”.

Além da arena ao ar livre com 4.300 lugares que agora foi erguida no gramado sul – e de sua cobertura de 26 metros, que se eleva acima da própria Casa Branca -, o fim de semana incluirá uma coletiva de imprensa no Lincoln Memorial e um festival de fãs de dois dias para até 85 mil pessoas no Ellipse. (O presidente gostou tanto da estrutura temporária que a comparou à Torre Eiffel, dizendo nesta semana: “Talvez a gente nunca, nunca mais a tire dali.”) Como o UFC controla suas próprias produções de TV, ele arcará com a conta não apenas da infraestrutura, mas também das transmissões, com equipamentos e equipe equivalentes a nove caminhões de produção.

No total, White diz que os eventos custarão cerca de US$ 60 milhões, triplicando os estimados US$ 20 milhões que o UFC gastou em 2024 para realizar o primeiro evento esportivo da história na Sphere, em Las Vegas, e superando em muito o orçamento médio de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões dos eventos mensais de destaque da empresa. White estimou que a companhia pode perder até US$ 30 milhões com o Freedom 250, dependendo de como certos custos sejam amortizados, mas sustenta que nenhum preço era alto demais para entreter a nação, elevar ainda mais o MMA ao mainstream e fazer dele, ao menos por uma noite, o esporte que representa os Estados Unidos.

“O mundo inteiro, até mesmo pessoas que normalmente não assistem ao UFC, está curioso para ver como isso vai parecer e como vai se desenrolar”, diz White. “Isto é uma enorme jogada de marca.”

Também é, ao menos em parte, um favor para um amigo. White gosta de enquadrar sua relação com o presidente como estritamente pessoal, não política, uma postura que lhe permite prometer lealdade constante enquanto também se esquiva daqueles que tentam pressioná-lo sobre algumas das decisões políticas mais espinhosas de Trump ou suas falhas pessoais. Ele também afirma com frequência que “não há nada de transacional” em sua amizade, o que é verdade no sentido mais estrito de que os dois nunca tiveram um acordo formal de negócios, mas ignora o capitalismo de compadrio que ambos empregam regularmente como estratégia de negócios.

Desde o início, a relação foi mutuamente benéfica. Em 2001, depois que Lorenzo e Frank Fertitta compraram o UFC e instalaram White como presidente interino, Trump se ofereceu para sediar os dois primeiros eventos em pay-per-view da organização relançada em seu hotel Taj Mahal, em Atlantic City, Nova Jersey, emprestando sua credibilidade empresarial ao esporte que então era conhecido como “briga de galos humana”.

Anos depois, Trump pediu a White que discursasse na Convenção Nacional Republicana de 2016, e os dois se aproximaram à medida que White apoiava a ascensão política de Trump. Além dos discursos nas últimas três convenções republicanas e na celebração da vitória de Trump em 2024, White fez a caminhada de entrada com Trump e sentou-se ao lado dele em eventos do UFC após a invasão de 6 de janeiro de 2021 e as acusações federais de 2023, e o conectou a podcasters como Joe Rogan, locutor de longa data do UFC, que acabaria apoiando a candidatura de Trump em 2024 (o que, na versão de White, influenciou o resultado da eleição).

Essa luta na Casa Branca representa sua conexão comercial mais oficial até agora, mas White insiste que o Freedom 250 não é um evento partidário, dizendo que originalmente ele estava marcado para 4 de julho e que 14 de junho foi escolhido porque é o Dia da Bandeira. Quando pressionado, ele reconhece que muitos podem agora associar fortemente o UFC ao MAGA, mas descreve sua fidelidade incondicional ao presidente como algo mais próximo de um dever patriótico.

Quando perguntado se a maioria vê o UFC como politicamente alinhado com Trump, White não ameniza. “Provavelmente”, diz ele, “mas você nunca vai mudar a cabeça desses caras de qualquer forma. Se você tem a oportunidade de fazer uma luta na Casa Branca, Obama, Trump, Bush, Reagan, não importa quem esteja lá, por que você não faria?”

Curiosamente, Rogan foi crítico ao evento em seu podcast. Ele chamou o Freedom 250 de “pesadelo de segurança” e mencionou calor, chuva e insetos como problemas potenciais de se lutar ao ar livre, sem falar no fato de que é “estranho ter uma luta na Casa Branca no meio de uma guerra”.

Apesar de Rogan ser tecnicamente funcionário de White, ele diz que não fez nenhuma tentativa de censurar ou direcionar os comentários de Rogan, mesmo que, é claro, discorde deles.

“Não há absolutamente nada de gimmick neste evento. Cada luta no card significa alguma coisa. É, tipo, o evento esportivo mais histórico da história americana, e ele está chamando isso de gimmick”, diz White. “Mas Joe é um homem adulto e pode ter suas opiniões sobre qualquer coisa.”

Craig Borsari, diretor de conteúdo do UFC, teve uma reação diferente quando White lhe falou pela primeira vez sobre a possibilidade de uma luta na Casa Branca. “Eu honestamente achei que ele estava brincando”, diz Borsari. Dois dias depois, White disse a ele que a Casa Branca estava ligando para perguntar sobre a logística.

Ao planejar o evento, Borsari teve de lidar com uma inclinação de 6,7 metros no gramado, árvores históricas que não podiam ser tocadas e ausência total de energia elétrica instalada. Seu plano inicial incluía 2.500 espectadores sentados, mas, quando apresentaram os esquemas ao presidente no Salão Oval, Trump disse que queria uma capacidade maior, então foi desenhada uma configuração para 4.300 lugares. White acrescentou outra instrução: nada de luzes, microfones ou estruturas visíveis nos ângulos de câmera. Ele queria ver a Casa Branca ao fundo, e nada mais.

Eles fizeram parceria com a empresa belga de produção de eventos Stageco para projetar e construir a “Claw”, uma cúpula aberta que sustentará a grade de iluminação e oferecerá alguma proteção contra sol ou chuva. A enorme estrutura foi transportada da Europa para um estacionamento em Lidditz, Pensilvânia, onde foi montada, testada e novamente desmontada. Depois, seguindo protocolos rígidos, as peças foram levadas por motoristas previamente aprovados para um local externo em Washington, D.C., para aprovação, antes de serem descarregadas no gramado sul sob supervisão do Serviço Secreto. No total, a produção exigirá 40 geradores e cerca de 5 mil trabalhadores. “Acredite em mim, isso poderia facilmente ter ultrapassado os US$ 60 milhões”, diz Borsari sobre o orçamento.

“Quando Dana coloca algo na cabeça”, continua ele, “particularmente quando diz ao presidente dos Estados Unidos que vamos realizar isso, não, nunca houve um momento em que eu dissesse: ‘Bom, precisamos pensar em não fazer isso’ – isso nunca passou pela minha cabeça.”

Para o UFC, essas apostas de alto risco se tornaram corriqueiras e, de muitas maneiras, construíram a empresa no que ela é hoje. A decisão, em meados dos anos 2000, de pagar US$ 10 milhões em custos de produção por The Ultimate Fighter – a única forma de a SpikeTV concordar em exibi-lo – salvou a empresa da ruína financeira nos primeiros anos de White no comando.

Montar uma “Fight Island” em quarentena em Abu Dhabi, em 2020, quando todos os outros esportes profissionais pararam durante a pandemia, fez o negócio crescer mais de 70%, segundo White. E a produção extravagante na Sphere exibiu a relevância cultural do UFC justamente antes de a empresa começar a negociar seu próximo contrato de direitos de mídia, que acabaria sendo fechado pela Paramount, em 2025, por impressionantes US$ 7,7 bilhões ao longo de sete anos.

Naturalmente, White está mirando ainda mais alto desta vez. Embora promoções emergentes de MMA estejam em seu encalço — incluindo a Most Valuable Promotions, de Jake Paul, que produziu a luta Ronda Rousey-Gina Carano na Netflix no mês passado -, ele tem alvos maiores na mira.

“Eu não vejo mais nenhum dos outros promotores de lutas como minha concorrência”, diz White. “A NFL é minha concorrência. A NBA, a Major League Baseball e a NHL, estamos todos disputando o mesmo terreno agora.”

*Reportagem originalmente publicada em Forbes.com

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