O vôlei masculino do Brasil enfrenta uma crise técnica sem precedentes. É o pior momento desde a conquista da primeira medalha de ouro olímpica, em Barcelona/1992. O time comandado pelo técnico Bernardinho ficou de fora da fase final da Liga das Nações de Vôlei desta temporada pela primeira vez desde que o torneio ainda se chamava Liga Mundial (o nome foi alterado em 2018).
A eliminação precoce é mais um capítulo na série de péssimos resultados que o time masculino do Brasil vem acumulando nos últimos anos:
- O primeiro revés aconteceu em 2022: a perda da liderança do ranking mundial da Federação Internacional de Voleibol. O Brasil ocupava o primeiro lugar desde o ano 2000 e, após uma derrota para a China (a primeira na história), foi eliminado na Liga das Nações e perdeu o trono.
- Em 2023, o time brasileiro perdeu o Campeonato Sul-americano pela primeira vez desde 1964, sendo derrotado pela Argentina.
- Em 2024, a seleção não chegou até a semifinal dos Jogos Olímpicos, o que não acontecia desde a edição de Sydney, em 2000.
- Para completar, no ano passado o Brasil foi eliminado na primeira fase do Campeonato Mundial. A última vez em que isso havia ocorrido foi em 1970, doze anos antes da explosão de popularidade do vôlei.
A crise técnica é reflexo de uma série de problemas administrativos e políticos da Confederação Brasileira de Voleibol. Acostumado a renovar seus talentos com rapidez e qualidade, o vôlei masculino brasileiro vive um período de escassez. A base da pirâmide está com problemas. O principal deles é a falta de clubes para absorver e desenvolver jovens talentos.
Um fenômeno ocorrido com o basquete após o sucesso do vôlei na década de 1980 está sendo verificado de forma reversa. Por falta de times para jogar vôlei, muitos atletas jovens com boa altura estão optando pelo basquete.
Mudanças ocorridas no critério de escolha para os treinadores das categorias de base também estão impactando nos resultados das seleções.
O Brasil não conquista um título mundial de base no masculino desde 2011, quando foi campeão com o time Sub-21. Ano passado, foi eliminado ainda na primeira fase.
Maior vencedor na categoria Sub-19, com seis conquistas, o Brasil não vence o Mundial desde 2005.
A dificuldade de renovação explode no time principal.
Atualmente, o Brasil ocupa a sétima posição no ranking mundial, o que deve piorar com a eliminação da Liga das Nações. As mudanças nos critérios de pontuação potencializaram os resultados atuais e reduziram o peso de vitórias do passado. Uma das curiosidades do novo modelo é a adoção de pontuação maior para equipes que obtiverem resultados surpreendentes. Um time com posição melhor no ranking que perca para uma equipe com posição pior por 3 sets a 0, por exemplo, perderá muitos pontos, que são passados para a equipe vencedora.
O voleibol masculino do Brasil tem três medalhas de ouro olímpicas, conquistadas em 1992, 2004 e 2016. O país também foi três vezes campeão mundial na categoria adulta, em 2002, 2006 e 2010.