“No dia 3 de julho, cronologicamente falando, estamos mais próximos de 2050 do que do início do século. De forma simbólica, começamos a pensar 2050.” Assim, Ana Costa, vice-presidente de sustentabilidade, jurídico e comunicação corporativa da Natura, introduziu a atualização da visão de futuro da marca fundada em 1969.
Em um ano marcado por debates latentes sobre a crise climática global, principalmente pela aproximação da 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (popularmente conhecida como COP30), que será realizada em novembro pela primeira vez em território amazônico, mais especificamente em Belém (PA), a Natura decidiu revisitar suas ações e metas ambientais, com o intuito de se adaptar ao novo contexto global.
Agora, com a alteração do compromisso público, a companhia busca se posicionar no mercado como um negócio 100% regenerativo. Com a expressão “Bem Estar Bem” como base, a expectativa da marca é promover a harmonia entre indivíduos, comunidades e natureza. “Há uma certa coragem em assumir essa terminologia”, afirma João Paulo Ferreira, CEO da Natura, “porque assim como o termo sustentabilidade, o regenerativo ainda é muito novo para a sociedade”.
Em evento realizado na última sexta-feira, 4, a gigante de cosméticos afirmou que não há espaço para retrocessos. Mesmo com as problemáticas da geopolítica a nível social e ambiental, a negligência com o planeta pode impactar negativamente os negócios e, consequentemente, os resultados que seus colaboradores e consumidores dependem. “Queremos curar, restaurar e regenerar o mundo que conhecemos hoje. À partir do esforço coletivo, objetivamos criar soluções para gerar mais saúde, abundância e valor à sociedade”, reforça Ferreira sobre os ideais ambiciosos.
IP&L NA PRÁTICA
Como mensurar esse processo? Há muitos anos a Natura adota no dia a dia o IP&L (Integrated Profit and Loss) para calcular seus resultados e, a partir deles, criar novos projetos. Desenvolvido por uma colaboração global liderada pela Capital Coalition, o método reconhece três fluxos de valor que movem e impactam o negócio e que vão para além do desempenho financeiro (“Capital Financeiro”): Capital Natural, Capital Social e Capital Humano. Ou seja, na prática, a companhia reconhece que seus negócios dependem da natureza, das comunidades e das pessoas para existir.
Angela Pinhati, diretora de sustentabilidade da Natura, pontua que há desafios para encarar a meta: “Nosso maior desafio até 2050 é converter o único capital que ainda é negativo — o capital natural — em capital positivo. Hoje, já temos resultados positivos nos capitais social e humano, e seguimos avançando para que todos os quatro sejam”, explica.
Hoje, segundo o índice, a Natura gera um capital social, humano e ambiental que é 2X e meio o tamanho de sua receita. Desta forma, a cada R$ 1 de faturamento, R$ 2,50 retornam à sociedade.
CAMINHOS PARA 2025
Plástico e descarbonização são os dois obstáculos centrais do pilar ambiental da “nova” Visão 2050.
Até o fim do século, o objetivo é que 100% de suas fórmulas e embalagens passem a utilizar plásticos reciclados e compostáveis. Para a descarbonização, a organização pretende “limpar” sua cadeia de fornecedores, visto que hoje eles representam até 95% das emissões. Além disso, para racionalizar recursos e maximizar o reaproveitamento, a marca planeja implementar a lógica de simbiose industrial, que integra cadeias proprietárias a empresas terceirizadas e concorrentes.
No âmbito social, a Natura busca formular um quadro de colaboradores que alcance a mesma proporção de grupos sub-representados de acordo com o país em que atua. Deste modo, existe maior garantia no aumento da equidade racial e de gênero. As consultoras e comunidades parceiras também desfrutarão das novidades, com foco no aumento do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), gerando impactos mensuráveis em financeiro, saúde e bem-estar e, ter 100% de sua rede profissional (pessoas que fazem parte da rede que comercializa os produtos e serviços da Natura) com renda digna.
Em 2024, ao alcançar o ideal de fórmulas biodegradáveis (95% do total produzido), a Natura conseguiu obter algumas de suas metas para 2030, como: 95% de suas fórmulas biodegradáveis (alcançaram 97,3% no ano passado), 100% das embalagens reutilizáveis, recicláveis, refiláveis ou compostáveis (84,6% em 2024) e 95% dos ingredientes renováveis ou de origem natural (94,8%). As conquistas, aos poucos, mostram para a companhia que mesmo os desejos mais complexos podem se tornar realidade.