Dólar fecha em alta mesmo após BC retomar venda de swaps após 3 meses

Gary Cameron/Reuters
Gary Cameron/Reuters

Na B3, o dólar futuro tinha alta de 1,11%, para R$ 5,4450, às 17h14.

O dólar fechou em alta ante o real hoje (12), com a moeda brasileira entre os piores desempenhos globais na sessão, conforme os ativos domésticos foram afetados por incertezas sobre a capacidade de a equipe econômica tocar pautas reformistas em meio a insatisfação interna que causou “debandada” na véspera.

O dólar saiu das máximas após duas ofertas líquidas de swaps cambiais pelo Banco Central, mas ainda terminou o dia mais valorizado. A cotação à vista fechou em alta de 0,70%, a R$ 5,45265 na venda. Na B3, o dólar futuro tinha alta de 1,11%, para R$ 5,4450, às 17h14.

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O real não apenas descolou da valorização de boa parte de seus pares como chegou ao fim da tarde com o pior desempenho entre as principais moedas. O mercado sentiu a saída de dois secretários especiais do Ministério da Economia, movimento classificado na véspera pelo próprio chefe da pasta, Paulo Guedes, como “debandada”.

Segundo o próprio ministro disse na terça-feira, os pedidos de demissão de Salim Mattar (Desestatização) e Paulo Uebel (Desburocratização) foram feitos pela insatisfação dos dois com o andamento das privatizações e da reforma administrativa.

“No geral, depois de considerar os obstáculos para avançar com qualquer reforma estrutural desde que o Covid-19 se tornou a principal prioridade no Congresso, essas renúncias não são grandes surpresas”, avaliou o Citi em nota. “A principal sinalização a ser monitorada a partir de agora é se Paulo Guedes vai substituir ambos os secretários por perfis semelhantes, indicando (ou não) se a interrupção da agenda de privatizações/reforma administrativa é apenas temporária”, completou o banco.

No meio da tarde, notícia no site do jornal “O Globo” de que mais dois secretários especiais da equipe de Guedes poderiam pedir demissão –Waldery Rodrigues (Fazenda) e Carlos da Costa (Produtividade)– colaborou para manter o mercado pressionado. O Ministério da Economia, porém, divulgou breve nota esclarecendo que não procede informação.

Nesse período, o dólar bateu a máxima da sessão, de R$ 5,493, alta de 1,44%. Esse patamar é semelhante aos vistos no fim de maio, pouco depois de um período em que o dólar cravou sucessivas máximas recordes.

O evidente descolamento do real neste pregão chamou o Banco Central ao mercado. A autoridade monetária fez dois leilões de contratos de swap cambial –um no fim da manhã e outro no meio da tarde, com venda integral do lote somado de 20 mil contratos (US$ 1 bilhão).

A última oferta líquida de swaps cambiais tradicionais –cuja colocação equivale à venda de dólares no mercado futuro– havia ocorrido em 19 de maio, de US$ 500 milhões. Desde então, o BC vinha se limitando a fazer operações de rolagem desses ativos.

O BC havia feito dois leilões de swap cambial pela última vez em 13 de maio, quando o dólar fechou no pico histórico nominal de R$ 5,9012, depois de durante os negócios alcançar R$ 5,9445.

“O BC fez certo de agir, mas poderia ter sido mais forte”, disse Joaquim Kokudai, gestor na JPP Capital. “Hoje era o dia de o BC ter dado uma pressionada nos vendidos, de pegar o mercado de surpresa, é o único jeito de tirar a volatilidade”, completou, entendendo que parte do aumento da volatilidade no câmbio decorre do modus operandi do Banco Central.

Um outro gestor que pediu para não ser identificado disse que parou de tentar entender “o racional” do BC e que, se o real está piorando por questões idiossincráticas, a autoridade monetária deveria deixar a moeda depreciar. “Ele não tem consistência, na minha opinião, para atuar. Então não vou perder tempo tentando racionalizar o que é irracional”, disse.

A pressão negativa sobre o câmbio vem conforme a volatilidade torna a aumentar. A volatilidade implícita nas opções de dólar/real para três meses ia a 19,51% nesta quarta, bem acima de mínimas recentes em torno de 16,8%. O real é a segunda moeda mais volátil entre seus principais pares emergentes, com a lista encabeçada pela lira turca.

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Em meados de julho, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que começava a ter figura um pouco mais clara sobre a volatilidade cambial, mas pontuou que quanto menos intervenção houvesse no mercado, melhor.

Também no mês passado, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Bruno Serra, chegou a dizer que a volatilidade cambial incomodava e estava sendo estudada pela autoridade monetária, mas que havia entendimento de que os instrumentos dos quais o BC dispõe não eram adequados para atuar nesse sentido.

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