Ibovespa perde fôlego com realização de lucros e pressão do exterior

Deterioração do ambiente de riscos e preocupações fiscais dão fôlego ao dólar, que fecha negociado a R$ 5,17 .

Ana Paula Pereira
Compartilhe esta publicação:

Acessibilidade


O Ibovespa não resistiu à pressão vinda de Wall Street e fechou o dia em queda de 0,70% aos 113.001 pontos, em movimento de realização de lucros dos investidores (aqui e no exterior) diante da ausência de notícias relevantes e avanços concretos em pautas que dependem de esforços legislativos nas duas economias.

No Brasil, o ambiente de incertezas quanto ao futuro fiscal segue jogando pressão na Bolsa. A preocupação é que, diante do aumento de casos de covid-19, o governo prorrogue o estado de calamidade pública e medidas como o auxílio emergencial, impactando, assim, a sustentabilidade das contas públicas. Desde meados de novembro, as infecções por coronavírus retomaram a trajetória ascendente, apenas ontem foram registrados 51 mil novos casos no Brasil.

A deterioração do ambiente de riscos no exterior aliada às preocupações fiscais deram fôlego ao dólar na sessão, com a moeda fechando em alta de 0,92% e negociada a R$ 5,17 na venda.

Apesar de ainda não ter renovado as máximas do ano, registradas em janeiro, quando encostou em 120 mil pontos, o Ibovespa quase zerou as perdas em 2020 e acumula valorização de mais de 80% desde as mínimas de março. “Nada mais natural do que o mercado encontrar maior dificuldade em superar os 114 mil pontos, justamente o patamar perdido na última semana de fevereiro, que abriu caminho para a correção”, notou o analista Rafael Ribeiro, da Clear Corretora.

Ainda no cenário doméstico, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu hoje pela manutenção da taxa Selic em 2% ao ano em sua última reunião de 2020, indicando ainda a elevação dos juros para 3% a.a. em 2021, e em 4,50% a.a., em 2022. De acordo com ata da reunião “apesar da pressão inflacionária mais forte no curto prazo, o Comitê mantém o diagnóstico de que os choques atuais são temporários, mas segue monitorando sua evolução com atenção, em particular as medidas de inflação subjacente.”

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

Nos EUA, o impasse entre democratas e republicanos para um novo acordo econômico em alívio à covid-19 também limita a performance dos ativos. A Casa Branca fez ontem uma nova proposta de US$ 916 bilhões aos democratas no Congresso para um novo pacote de auxílio econômico diante do avanço da segunda onda de contaminações e das novas restrições impostas pelos estados. Sem a resolução, os desempregados nos EUA deixarão de receber o seguro desemprego a partir do dia 26 de dezembro. Apenas ontem, o país registrou 220 mil novas infecções e mais de 2500 mortes pela doença.

O Dow Jones encerrou o dia recuando 0,35%, o S&P 500 perdeu 0,80% e o Nasdaq Composite recuou 1,94% puxado, principalmente, pelas quedas nas ações do Facebook. O desempenho dos papéis da gigante de tecnologia foi afetado pela notícia de que a Comissão Federal de Comércio dos EUA e quase todos os estados do país processaram a empresa de mídia social nesta quarta-feira, alegando infração da lei antitruste. (Com Reuters)

DESTAQUES DO IBOVESPA

Maiores Altas
VIVT3: +2,23% a R$ 45,30
IGTA3: +2,11% a R$ 39,21
MULT3: +1,43% a R$ 24,84
ABEV3: +1,40% a R$ 15,26
ELET6: +1,36% a R$ 36,45

Maiores Baixas
LAME4: -4,32% a R$ 24,34
CCRO3: -4,29% a R$ 13,15
USIM5: -4,19% a R$ 13,26
MGLU3: -3,89% a R$ 23,98
YDUQ3: -3,85% a R$ 35,22

Siga FORBES Brasil nas redes sociais:

Facebook
Twitter
Instagram
YouTube
LinkedIn

Baixe o app da Forbes Brasil na Play Store e na App Store.

Tenha também a Forbes no Google Notícias

Compartilhe esta publicação: