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Por Que uma Decisão do Pentágono Pode Afetar BYD, Alibaba e Bilhões de Dólares em Investimentos

Washington adicionou 16 empresas à sua lista de risco por supostos vínculos com o aparato militar chinês, ampliando a pressão sobre gigantes de tecnologia, inteligência artificial e veículos elétricos

5 min

A guerra comercial entre Estados Unidos e China pode ter perdido espaço nas manchetes nos últimos meses, mas a disputa pela liderança tecnológica e militar continua avançando em silêncio. Nesta semana, Washington deixou claro que não pretende reduzir a pressão sobre Pequim ao incluir 16 novas empresas chinesas em uma lista de risco, ou seja, de grupos considerados ligados ao aparato militar do país asiático. Entre elas estão algumas das companhias mais valiosas e influentes da China, como Alibaba, Baidu, BYD, Nio e Unitree.

A atualização da chamada Section 1260H List, divulgada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos, amplia o escrutínio sobre empresas que atuam em setores considerados estratégicos para a competição entre as duas maiores economias do mundo. Inteligência artificial, semicondutores, veículos elétricos, robótica, drones e sistemas autônomos aparecem no centro das preocupações americanas.

Embora a inclusão na lista não represente sanções automáticas, ela funciona como um poderoso sinal político e regulatório. Na prática, aumenta o risco de restrições futuras em contratos com o governo americano, intensifica a fiscalização sobre investimentos e pode afastar parceiros comerciais receosos de se associarem a empresas consideradas sensíveis para a segurança nacional dos EUA.

A decisão ocorre em um momento particularmente delicado. Menos de um mês atrás, o presidente Donald Trump recebeu o presidente chinês Xi Jinping em Pequim em um encontro que havia alimentado expectativas de estabilização das relações bilaterais após anos de confrontos comerciais, disputas tarifárias e restrições tecnológicas. A nova lista sugere, porém, que a rivalidade estrutural entre Washington e Pequim continua intacta.

Da guerra comercial à guerra tecnológica

A inclusão de gigantes como Alibaba e Baidu ilustra como a disputa entre as duas potências deixou de se concentrar apenas em tarifas e déficits comerciais para migrar para áreas consideradas fundamentais para a segurança nacional.

Nos últimos anos, autoridades americanas passaram a defender que tecnologias civis avançadas – especialmente inteligência artificial, computação em nuvem, semicondutores e sistemas autônomos – possuem aplicações militares cada vez mais relevantes. A fronteira entre inovação comercial e capacidade de defesa tornou-se mais difusa, especialmente em um país como a China, onde o governo promove a chamada estratégia de “fusão militar-civil”, destinada a acelerar a transferência de conhecimento e tecnologia entre empresas privadas, universidades e forças armadas.

Nesse contexto, empresas que até pouco tempo eram vistas apenas como plataformas digitais ou fabricantes de veículos elétricos passaram a ser observadas sob uma ótica estratégica.

A presença da BYD na lista chama atenção por envolver um dos símbolos mais visíveis da ascensão industrial chinesa. A companhia ultrapassou rivais globais e tornou-se uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo, expandindo operações para Europa, América Latina e Sudeste Asiático. Já a Nio representa uma das apostas mais sofisticadas da China na corrida por carros inteligentes e conectados.

No campo da inteligência artificial, Alibaba, Baidu e Tencent ocupam papel semelhante ao desempenhado por empresas americanas como Microsoft, Google e Amazon. Seus investimentos em grandes modelos de linguagem, computação em nuvem e infraestrutura digital tornaram-se peças centrais da estratégia tecnológica chinesa.

Pressão crescente sobre o capital global

A lista também tem um objetivo indireto: influenciar o comportamento de investidores, fornecedores e parceiros comerciais.

John Moolenaar, presidente republicano do Comitê Especial da Câmara dos Representantes sobre a China, classificou a atualização como um “alerta” para empresas e governos americanos. Segundo ele, companhias dos Estados Unidos deveriam interromper negócios com grupos que possam contribuir para o fortalecimento militar chinês.

A mensagem é relevante porque os mercados financeiros globais continuam profundamente conectados às gigantes chinesas. Alibaba, Tencent e BYD possuem milhões de investidores internacionais e mantêm relações comerciais com empresas espalhadas por diversos continentes.

A inclusão em listas governamentais, mesmo sem sanções imediatas, pode elevar custos de financiamento, dificultar parcerias internacionais e aumentar o risco percebido pelos mercados.

O histórico recente reforça essa preocupação. Empresas como Huawei e SMIC enfrentaram dificuldades para acessar tecnologias avançadas e componentes críticos após serem alvo de restrições americanas. Embora a nova lista não produza os mesmos efeitos automaticamente, ela frequentemente é vista como uma etapa preliminar para medidas mais severas.

Pequim reage

O Ministério das Relações Exteriores acusou Washington de ampliar excessivamente o conceito de segurança nacional e utilizar esse argumento para limitar o crescimento de empresas chinesas. O porta-voz Lin Jian afirmou que os Estados Unidos estão promovendo uma “repressão imprudente” contra grupos privados do país.

As empresas atingidas também reagiram. A Alibaba classificou sua inclusão como um erro e afirmou não possuir qualquer vínculo com estratégias militares chinesas. A Baidu adotou tom semelhante, chamando as acusações de “completamente infundadas” e prometendo utilizar todos os meios legais disponíveis para buscar sua retirada da lista.

As manifestações refletem uma preocupação crescente entre empresas chinesas que dependem de mercados internacionais. Para muitas delas, a questão não se resume ao acesso ao mercado americano, mas ao risco de danos reputacionais em escala global.

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