Wilson Ferreira Junior renuncia ao cargo de CEO da Eletrobras

Reuters
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A Eletrobras disse que o CEO simplificou a quantidade de participações acionárias

O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, anunciou sua renúncia ao cargo, alegando motivos pessoais, conforme fato relevante divulgado pela companhia na noite de ontem (24). De acordo com o comunicado, ele permanecerá na função até o dia 5 de março, para a transição a seu sucessor, ainda a ser indicado.

A saída do executivo, que antes da Eletrobras presidiu por 18 anos a CPFL Energia, vem após poucos avanços na desestatização. Um projeto de lei nesse sentido encaminhado pelo Ministério de Minas e Energia do atual governo ao Congresso no final de 2019 sequer teve relator definido até o momento.

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Em nota a clientes, a corretora XP Investimentos informou que a permanência de Ferreira no cargo estava atrelada ao andamento da desestatização e destacou que sua saída “ocorre em meio à sinalização dos principais candidatos à presidência da Câmara e do Senado de que a privatização da estatal não é prioridade”.

O candidato da gestão Bolsonaro à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco, afirmou, na semana passada, que a privatização da Eletrobras não seria uma prioridade. Na mesma semana, a candidata do MDB à chefia do Senado, Simone Tebet, disse que seria difícil saber neste momento se o projeto de desestatização seria aprovado em 2021. As declarações dos políticos derrubaram as ações da Eletrobras, que acumulam desvalorização de cerca de 15% neste ano.

Legado de Ferreria Jr

Wilson Ferreira Junior assumiu a empresa em 2012, depois que medidas do governo federal para reduzir as tarifas de energia levaram a Eletrobras a mais de 30 bilhões de prejuízos nos três anos seguintes. A companhia voltou ao positivo ainda em 2016. Além disso, registrou em 2018 o maior lucro em duas décadas, de R$ 13,3 bilhões, após ter se livrado de uma série de distribuidoras de energia deficitárias nas regiões Norte e Nordeste que foram privatizadas.

Ferreira também promoveu programas de demissão voluntária que reduziram significativamente o quadro da estatal, responsável por cerca de um terço da capacidade de geração e metade das redes de transmissão do país, que visou reduzir custos e gerar ganhos de eficiência.

“Sob sua gestão, a companhia atingiu lucros históricos, reduziu sua alavancagem a patamares compatíveis com a geração de caixa, reduziu custos operacionais com privatizações de distribuidoras e programas de eficiência e colocou em operação obras atrasadas”, disse a elétrica em agradecimento ao executivo, que ficou na presidência por cerca de quatro anos e meio.

A Eletrobras ainda disse que o CEO simplificou a quantidade de participações acionárias, com a venda, incorporação e encerramento em cerca de 90 sociedades de propósito específico, aprimorou seu programa de compliance, padronizou estatutos sociais e alçadas de aprovação das companhias do grupo; e resolveu contenciosos importantes nos Estados Unidos, decorrentes de reflexos da Operação Lava Jato, dentre outras realizações relevantes.

Antes de deixar o posto, Ferreira Jr. também ensaiou um retorno da Eletrobras a novos investimentos, subsidiárias da empresa chegaram a fazer propostas para arrematar projetos em um leilão de concessões para novos empreendimentos de transmissão de energia realizado pelo governo em dezembro, embora sem sucesso. (com Reuters)

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