ADM fixa metas para proteger florestas e rastrear compras indiretas

A empresa quer eliminar a compra de produtos de áreas florestais convertidas em lavouras, ainda que o desflorestamento tenha sido realizado legalmente

Redação
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A empresa quer eliminar a compra de produtos de áreas florestais convertidas em lavouras, ainda que o desflorestamento tenha sido realizado legalmente

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A gigante de trading e processamento de commodities agrícolas ADM (A1DM34) anunciou ontem (23) algumas metas de sustentabilidade para proteger florestas e a biodiversidade, estabelecendo 2022 como o prazo final para ter rastreada a origem de todas as suas compras indiretas de produtos como soja e milho.

Atualmente, a companhia já monitora via satélite e com o cruzamento de dados públicos todas as compras feitas diretamente junto aos produtores, mas não aqueles grãos originados através de parceiros em países como Brasil, Paraguai e Argentina.

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Além disso, a ADM afirmou que quer eliminar, até 31 de dezembro de 2030, a compra de produtos de áreas florestais convertidas em lavouras, ainda que o desflorestamento tenha sido realizado legalmente (no Brasil, pela lei, produtores podem desflorestar parte de suas terras, em percentuais que dependem da região).

No início do mês, uma das rivais da ADM, a Bunge, anunciou o lançamento de um programa para monitorar a soja adquirida de fontes indiretas no Cerrado brasileiro, em momento em que o mundo cada vez mais se preocupa com o desflorestamento associado à agricultura ou pecuária.

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A ADM, assim como a Bunge e outras grandes tradings do setor, já tem por política não comprar soja com origem em desmatamento ilegal. No entanto, a concorrente estabeleceu uma meta mais ambiciosa sobre a data limite para comprar grãos do Cerrado que tenham sido cultivados em áreas desflorestadas legalmente: 31 de dezembro de 2024.

Ambas as companhias, assim como outras, já são signatárias de um acordo privado chamado Moratória da Soja, que proíbe a compra de grãos cultivados em áreas do bioma amazônico desmatadas após 2008, mesmo que o desflorestamento de parte da propriedade tenha ocorrido de forma legal.

“A ADM é a ponte entre o produtor na fazenda e o consumidor que encontra as marcas em nossas mesas, e estamos em uma posição única para influenciar as práticas sustentáveis em toda a cadeia de abastecimento”, disse o presidente e CEO da empresa, Juan Luciano, em nota.

“Esta nova política reafirma o compromisso da ADM com a compra responsável e nos ajudará a reduzir ainda mais o impacto de nossas operações e cadeia de suprimentos, e continuará a manter nossos fornecedores em padrões elevados”, completou.

A ADM disse que também promoverá outras iniciativas que protejam a vegetação nativa, com o objetivo de acabar “no menor tempo possível com a conversão da vegetação em biomas Cerrado e Chaco na América do Sul”.

Ainda ontem, o líder de sustentabilidade da ADM na América Latina, Diego Di Martino, esclareceu que a conversão de vegetação nativa, principalmente em produção de soja, no Cerrado brasileiro já é muito pequena em relação ao tamanho do cultivo na região.

“Nos últimos cinco anos no Cerrado, onde se planta 50% da soja do país, apenas 2% do que é produzido ali vem de conversão de área (de vegetação) nativa”, afirmou ele durante evento transmitido pela internet.

Segundo Martino, “esse é o recado que precisamos mandar lá fora”, pois é necessário esclarecer “o tamanho de cada assunto”. Sobre as iniciativas sustentáveis de companhias concorrentes, como é o caso da ADM e da Bunge, ele avaliou que há espaço para que tradings e exportadoras façam ações conjuntas.

O executivo ainda disse que estas ações envolvendo diversas companhias acontecem por meio das associações tanto no Brasil, com entidades como a Anec e Abiove, quanto no exterior. A empresa deve divulgar um relatório sobre o tema até o final do primeiro trimestre de 2022. (com Reuters)

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