Esta Copa do Mundo é a primeira em que é possível ir e voltar para um estádio usando veículos autônomos, pegando um táxi ou Uber que não tem um ser humano com as mãos ao volante.
Em relatório, o Bank of America (BofA) Institute mapeou os 47 deployments de veículos autônomos em operação nas 10 cidades-sede da Copa do Mundo 2026 em solo americano. Os especialistas consideraram robotáxis, shuttles, caminhões e serviços de entrega, e usaram dados do BloombergNEF atualizados neste mês de junho.
O levantamento aponta que Dallas lidera esse movimento com 16 operações ativas, permitindo uma ida ao AT&T Stadium com um carro autônomo.
“São Francisco ainda é a referência global em implantação de robotáxis em larga escala, mas Dallas lidera em número de implantações atualmente em operação (16), refletindo o crescente avanço no transporte autônomo de cargas e entregas”, dizem os analistas Liz Everett Krisberg e David Michael Tinsley.

Como funciona o serviço
Hoje, nos EUA, o serviço mais avançado é o da Waymo, que opera comercialmente em cidades como Phoenix, São Francisco, Los Angeles e Austin.
O usuário pode solicitar a corrida pelo aplicativo da empresa ou via Uber. O carro busca o passageiro utilizando um conjunto de sensores, câmeras, radares e sensores a laser.
Em relação aos custos, uma corrida de robotáxi geralmente custa um pouco a mais do que uma viagem de Uber, mas o gap entre os preços vem caindo.
A Obi, um aplicativo que agrega preços e horários de embarque em tempo real de diversos serviços de transporte por aplicativo, coletou dados entre novembro de 2025 e janeiro de 2026,com base em 94 mil solicitações de corridas na região da Baía de São Francisco.
A empresa constatou que as viagens da Waymo custaram, em média, US$ 19,69, ao passo que as da Uber foram ligeiramente mais baratas, com média de US$ 17,47. Já as corridas da Lyft registraram um custo médio de US$ 15,47 no mesmo período.
Todavia, o preço do carro fica bastante acima da média do mercado, em US$ 150 mil a US$ 250 mil.
Para efeitos de comparação, um carro com sistemas avançados de assistência à direção vendido no varejo, de marcas como Tesla ou Mercedes-Benz, custa de US$ 40 mil a pouco mais de US$ 100 mil.
A avaliação do BofA Institute, que emitiu um relatório em março sobre o tema, é de que os robotáxis, caminhões autônomos e redes de drones estão ganhando tração, sustentados pela queda nos custos de hardware, pela regulamentação em maturação e pela infraestrutura de software escalável.
“Esses avanços estão redesenhando cadeias de valor, viabilizando novos modelos de negócio e expandindo mercados endereçáveis de múltiplos bilhões de dólares”, apontam Vanessa Cook, estrategista de conteúdo, e Lynelle Huskey, analista.
Ao fim do primeiro trimestre de 2026, eram 170 implantações ativas de robotáxis globalmente, sendo 40% nos EUA e 24% na China.
Existem 10 cidades cujas operações são totalmente comerciais, incluindo Atlanta, Austin, Los Angeles, Miami, Phoenix e São Francisco, nos EUA.
O gargalo do momento é o ganho de escala, levando em conta que os veículos com sensores e capacidades suficientes permanecem relativamente caros.
O que torna o carro autônomo uma necessidade, segundo o BofA
A tese é de que os veículos autônomos se tornaram uma necessidade devido a fatores como segurança, dado que cerca de 94% dos acidentes de trânsito decorrem de erro humano, e a própria escassez estrutural de mão de obra, na esteira do envelhecimento populacional.
O déficit global de aproximadamente quatro milhões de motoristas de caminhão deve dobrar até 2028. Na Europa, por exemplo, a idade média de um motorista de caminhão é de 47 anos e a de um motorista de ônibus é de 50 — ambos mais velhos do que a média de 43 anos da força de trabalho em geral.
A inflação também pesa na balança, com salários mais altos, combustível, pedágios, seguros e custos de conformidade que elevam estruturalmente os custos das corridas.
O mercado também passa por um desequilíbrio entre oferta e demanda e pela baixa utilização de ativos – aproximadamente 20% a 30% das milhas de longa distância são percorridas vazias, evidenciando ineficiências que frotas de AVs podem resolver.