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Ibovespa Fecha com Queda e Dólar em Alta após BC Deixar em Aberto Próximas Decisões sobre a Selic

O principal índice acionário da bolsa brasileira cedeu 0,1%, a 168.277,55 pontos; o dólar fechou o dia com alta de 1,25%, aos R$ 5,17

6 min

O Ibovespa, principal índice acionário da bolsa brasileira, fechou com uma queda modesta nesta quinta-feira (18), um dia após o Banco Central cortar a taxa Selic para 14,25% e deixar em aberto os próximos movimentos de política monetária. O índice cedeu 0,1%, a 168.277,55 pontos, após marcar 169.542,37 pontos na máxima e 167.910,63 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$ 26,3 bilhões.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na quarta-feira, confirmando as previsões do mercado. No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom afirmou que a restrição acumulada da política monetária permite agora diferentes dosagens de juros para levar a inflação à meta, mas ponderou que a trajetória necessária para assegurar essa convergência no quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante para o BC, faria a inflação projetada a partir desse período ficar abaixo do alvo de 3%.

Na visão do diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, o comunicado do BC carece de clareza e objetividade, enquanto apresenta um viés mais “dovish”.

“O texto não parece dar a devida ênfase à deterioração significativa do cenário de inflação, ao aumento relevante nas projeções condicionais de inflação baseadas nos modelos do Banco Central ao longo do horizonte relevante para a política monetária e a um ambiente de crescimento e mercado de trabalho mais resilientes”, afirmou em relatório a clientes, acrescentando que o Copom não forneceu orientação futura explícita. “Neste momento, vemos espaço bastante limitado, no curto prazo, para novos cortes de juros pelo Copom. Revisaremos e recalibraremos nossa trajetória para a Selic após a divulgação da ata na próxima semana.”

As taxas dos contratos de DI com vencimentos mais curtos recuaram, mas os prazos mais longos registraram altas firmes. Ainda no radar está também a percepção de que o Federal Reserve pode elevar os juros nos Estados Unidos neste ano. Estados Unidos e Irã divulgaram na quarta-feira o texto de um acordo provisório que seus presidentes assinaram para pôr fim à guerra, o que apoiou o alívio nos preços do petróleo no exterior em boa parte do dia.

O presidente Donald Trump também disse nesta quinta-feira que os EUA esperam “um cessar-fogo total em todas as frentes”, incluindo o Líbano, o Hezbollah e Israel. No fechamento, o barril de petróleo sob o contrato Brent registrou alta de 0,38%, a US$79,85, reagindo à advertência feita pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, a Israel contra novos ataques ao Hezbollah. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 1,08%. 

Dólar

 O dólar emplacou a quarta sessão consecutiva de ganhos ante o real, com as decisões sobre juros da véspera, nos Estados Unidos e no Brasil, justificando o aumento das cotações. O dólar à vista fechou o dia com alta de 1,25%, aos R$ 5,1745. No ano, a divisa passou a acumular queda de 5,73% ante o real. Às 17h06, o dólar futuro para julho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – subia 1,17% na B3, aos R$ 5,1820.

O dólar exibiu ganhos ante a maior parte das demais divisas nesta quinta-feira, incluindo divisas de países emergentes como o real, o peso chileno, a lira turca e o peso mexicano. O real esteve durante todo o dia entre as moedas que mais perdiam valor, com o mercado também reagindo negativamente ao anúncio da véspera do Copom.

As decisões de política monetária do Fed, que manteve os juros inalterados e do BC, que cortou a Selic, atuaram para o avanço do dólar ante o real. Em reação, o dólar à vista se reaproximou dos R$5,20 durante a sessão desta quinta-feira. Às 13h19, a divisa atingiu a cotação máxima de R$ 5,1909 (+1,58%).

“Recentemente, a moeda americana vinha acumulando quedas impulsionadas pelo diferencial de juros favorável ao Brasil. Agora, com a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, ocorre uma pequena realocação de recursos”, comentou Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain. “Parte do capital deixa a bolsa brasileira e até mesmo a renda fixa local para buscar oportunidades no mercado americano”, acrescentou.

No exterior, o dólar também se mantinha em alta ante as demais divisas neste fim de tarde. Às 17h17, o índice do dólar – que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes – subia 0,44%, a 100,790.

No fim da manhã, sem efeito sobre as cotações, o Banco Central vendeu 60.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

Destaques

• ITAÚ UNIBANCO PN fechou em queda de 0,76%, em pregão misto para o setor. BRADESCO PN caiu 0,46% e SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 1,33%, enquanto BANCO DO BRASIL ON subiu 0,62% e BTG PACTUAL UNIT terminou negociada com elevação de 0,91%.

• VALE ON avançou 0,2%, resistindo ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou em baixa de 1,13%. No setor, porém, CSN ON caiu 7,99%, USIMINAS PNA recuou 4,81% e GERDAU PN perdeu 5,09%. Fontes afirmaram à Reuters que a venda da unidade de cimento da CSN entrou na reta final com um possível entrave: o preço pedido pela empresa, considerado acima do esperado.

• PETROBRAS PN subiu 0,73%, acompanhando a melhora dos preços do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON avançou 0,41% e PETRORECONCAVO ON fechou em alta de 0,91%, enquanto BRAVA caiu 3,27%. A Brava informou que recebeu pedido de arbitragem da Westlawn Energia Brasil relativo ao Campo de Atlanta por causa da transação que envolve a venda da companhia à colombiana Ecopetrol.

• BRASKEM PNA desabou 10,27% em meio a noticiário recente sobre negociação com credores e desdobramentos relacionados ao desastre socioambiental em Alagoas envolvendo a empresa.

• NATURA ON caiu 5,11%, aprofundando as perdas da véspera e somando já um recuo de mais de 25% em junho.

• WEG ON subiu 4,59%, acelerando a série de altas que alcançou cinco pregões nesta quinta-feira. Na terça-feira, a companhia aprovou distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) no valor total de R$438,146 milhões, com pagamento previsto para 10 de março de 2027. Terão direito ao pagamento titulares de ações escriturais em 19 de junho.

• COPASA ON avançou 2,49%, a R$57,55, tendo de pano de fundo relatório do BTG Pactual com recomendação de compra para as ações e preço-alvo de R$81. Em março, antes da oferta de ações no âmbito do processo de privatização da companhia de saneamento de Minas Gerais, o preço-alvo era de R$52.

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